Vida eterna, eleição e boas obras.

Pastoral (9)

“… assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” – Jo 17.2

 

Este verso faz parte da chamada “oração sacerdotal” de Cristo, onde ele intercede diante do Pai pelos seus discípulos que estavam prestes a enfrentar as aflições próprias daqueles que são filhos de Deus. Jesus pede sua glorificação, ou seja, que seja cheio da glória, brilho, resplendor de Deus a fim de que os discípulos pudessem ver e entender que ele realmente era o Filho de Deus a quem foi conferida a autoridade sobre toda a carne. Isto o revelaria como Criador de todas as coisas, inclusive da igreja que haveria de nascer (Cl 1.15-18). Esta autoridade do Pai vista no Filho tem especificamente o poder de conceder salvação eterna às pessoas, mas não para todas: somente àqueles que foram escolhido desde a eternidade. Engana-se todo aquele que imagina que a doutrina da predestinação é de origem paulina. Jesus já a havia introduzido em suas prédicas (Mt 20.16, 22.14, 24.22, 31; Mc 13.27 e Lc 18.7) e a apresentou implicitamente quando instituiu a santa ceia (Mt 26.28 – “em favor de muitos“, o que equivale a dizer que não é para todos, mas somente os que acreditam em Jesus como o Deus encarnado). 

A vida eterna é uma concessão de Jesus. Não é por créditos adquiridos decorrentes de “boas obras” para que ninguém imagine que pelos seus próprios esforços será capaz de garantir um lugar nos céus (Ef 2.8-9). A vida eterna é dada para aqueles a quem Deus já estabeleceu. Provavelmente esta é a doutrina mais difícil para ser assimilada – verdadeiramente impossível para aqueles a quem Deus não a quer revelar. Está impregnado na alma humana o desejo de ter domínio de seu futuro, tanto material quanto espiritual. Há uma luta tremenda para aceitar o fato de que o futuro – todo ele – pertence somente a Deus, e que todos os nossos dias estão contados e escritos (Sl 139. 16). Tentam racionalizar dizendo: “se é assim, então não vale a pena ser bom”; “se meu destino já está traçado, então posso fazer o que quiser que nada vai alterá-lo”, “se a predestinação é um fato então somos meros ‘robôs’ diante de Deus”. Em resposta digo: 1) vale a pena ser bom porque todos serão julgados por suas próprias obras (Ap 20.12 – observe que existem dois livros distintos: o da Vida e o das Obras; Mt 16.27); é fato que as obras não salvam, mas determinam o galardão (salário, recompensa) eterna que cada um terá. 2) Quanto a fazer o que bem entender, as obras revelam quem é e quem não é filho de Deus (Mt 5.16; Jo 3.21, 9.4, 14.12; 2Co 11.15; Ef 2.10; Tt 1.16; Tg 2.14, 17; 1Pe 1.17; Ap 2.19, 14.13, 22.12. Leia! São importantes). 3) Quanto à salvação eterna, ela é atributo exclusivo de Deus e ninguém pode alterar; quanto a ser um robô, temos livre agência para escolher entre viver de forma que agrada a Deus ou aquela que vai desencadear a disciplina de Deus. 

Não sabemos quem são os eleitos até que eles se manifestem refletindo a glória de Deus em suas vidas, palavras e atitudes; é por isto que devemos pregar o evangelho a toda criatura. É nosso dever pregar, é prerrogativa de Deus escolher, de Cristo salvar e do Espírito santificar. Vamos fazer a parte que nos cabe, com fé e bom ânimo, e o mais o Senhor fará (Mt 6.33).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

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