Desertos: entre a sede e a água.

Tendo partido toda a congregação dos filhos de Israel do deserto de Sim, fazendo suas paradas, segundo o mandamento do SENHOR, acamparam-se em Refidim; e não havia ali água para o povo beber” – Ex 17.1

 

Uma coisa aprendi sobre desertos: eles são obras de Deus e têm sua razão para existirem. O texto nos mostra que o Senhor conduziu seu povo ao deserto e estabeleceu os lugares exatos onde deveria parar e esperar, mesmo sabendo que naquele lugar não havia água para dessedentá-los. Refidim era o lugar ideal para pararem de caminhar com Deus e voltarem em direção ao Egito. Tudo cooperava para o momento em que o povo, como uma só alma, surgisse diante de Moisés e exigisse água. 

Sede é uma condição onde o corpo padece e o espírito fica atormentado. Não há boa coisa a se esperar daquele que sofre com a sede. A língua seca não tem limites para murmurar e alguém precisa ser culpado e condenado para que, de alguma forma, haja um mínimo de saciedade. A sede faz com que sejam cometidas loucuras, e ela mesma provoca miragens – visões irreais que enganam e levam a morte. 

O povo murmurou contra Moisés. Ele era o líder, o representante de Deus, o guia desta viagem utópica para alcançar a terra maravilhosa que mana leite e mel; ninguém havia falado de desertos, privações, ou das provações durante o percurso. O povo se sentia enganado, manipulado, lesado pelo conceito de liberdade que tirara deles o teto e os alimentos oferecidos pelos egípcios. Caminhar com Deus mostrava-se um desafio grande demais, longo demais, sofrido demais; maná diário era um fastio insuportável (Nm 2.5), mesmo sendo o fruto da divina providência  – o pão nosso de cada dia. 

Deus sabe que a sede não é boa conselheira. Deus sabia o que o povo sentia e o perigo de apedrejamento que Moisés corria (Ex 17.4). Deus sabia que em Horebe estava a resposta para a falta da água e ordenou a Moisés e alguns anciãos que fossem até lá aonde veriam a graça de Deus se manifestar no meio da rocha – no meio da mais dura e difícil realidade – e testemunhariam que o Senhor estava presente e proveria o necessário. 

Como Moisés entendo perfeitamente quando algumas pessoas dizem que estão atravessando desertos, que estão cansadas de caminhar, que estão esfaimadas e sedentas, “secas” por uma manifestação divina que lhes proveja o necessário para sair daquela situação. Entendo quando estão com medo, com suas esperanças no fim, inquietas com a possibilidade de que Deus as tenha abandonado à própria sorte; porém ouço a voz do Senhor a revelar que perto está a salvação, que mais um pouco e tudo será resolvido, que logo haverá saciedade para os famintos e sedentos. Ainda que hoje seja dia de Massá (tentação) e Meribá (conflito ou contenda), sei que o Senhor permanece no meio do seu povo escolhido ainda que sua presença seja imperceptível aos olhos dos que estão sofrendo. 

Aos que atravessam desertos digo: Animem-se! Não desistam! Horebe está logo ali.

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel