Vencendo a Frustração

Muitas pessoas já experimentaram o sentimento de tristeza, talvez, quando um sonho não foi realizado, um planejamento não fora alcançado, ou algum outro motivo. Quando esse sentimento aparece o conhecemos como frustração, normalmente, ocorre quando expectativas não são alcançadas. Quando encontramos esse sentimento em nossas vidas e alguém nos pergunta o que houve, respondemos que estamos decepcionados, desencantos, desapontados, desgostosos, desiludidos ou até mesmo insatisfeitos.

 Na Escritura Sagrada encontramos alguns exemplos de frustração, uma delas está no contexto familiar, Ana, experimentou frustração porque não podia gerar filhos. Seu sentimento de tristeza, fora muito profundo. Elcana era seu marido e fazia de tudo para agradar a esposa, mas todo esforço parecia não obter resultados positivos, no livro de Primeira Samuel no primeiro capítulo e oitavo versículo, encontra-se o relato de Ana: “Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?”. Ela estava frustrada, porque o filho desejado não chegava.

Outro exemplo é Jacó, se casou com a mulher errada, quando conheceu Raquel, ele ficou tão apaixonado que aceitou trabalhar sete anos pelo direito de casar-se com a filha de Labão. Contudo, quando chegou o tempo de receber Raquel por esposa, o pai da moça lhe entregou Lia, a filha mais velha. Imagine a frustração, decepção, quando “ao amanhecer, viu que era Lia” com quem se casou. “ao amanhecer, viu que era Lia. Por isso, disse Jacó a Labão: Que é isso que me fizeste? Não te servi eu por amor a Raquel? Por que, pois, me enganaste?” (Esse registro encontramos no livro do Gênesis vigésimo nono capítulo e vigésimo quinto versículo). Jacó não alcançou de imediato o casamento dos sonhos.

Marta e Maria também sentiram tristeza, frustração, com a morte de Lázaro. Jesus foi avisado da enfermidade de Lázaro, mas levou vários dias para Ele chegar, e quando chegou, Lázaro já estava sepultado há quatro dias. Esse registro encontramos no Evangelho Segundo João décimo primeiro capítulo do vigésimo primeiro ao trigésimo segundo versículo: “Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão.”; …. “Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.” Elas estavam frustradas, porque a tão esperada cura do irmão não aconteceu.

Nesses três relatos, todos sentiram-se frustrados, pois a plenitude de satisfação não fora alcançada, Ana não conseguia gerar filhos, Jacó casou-se com a mulher errada, Marta e Maria viram o irmão morrer.

Mas, onde está a origem desses problemas apresentados, para que eles se sentissem frustrados? Como podemos vencer essas frustrações?

Os três relatos apresentados na Escritura Sagrada, mostram que todos focaram a atenção e depositaram suas esperanças em um sonho que podia ou não ser realizado, alcançado, em algo que podia ou não dar certo. E quando não aconteceu como estavam esperando, veio a frustração.

O maior segredo está onde você deposita sua esperança, há uma enorme diferença em depositar a esperança de plenitude de satisfação num sonho que pode ou não se tornar realidade, comparado à plenitude de satisfação a ser encontrada seguramente e plenamente em Deus. 

Quando o foco de sua plenitude de satisfação, passa a concentrar-se em Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor e não mais em seus sonhos pessoais, a frustração desaparece.

Ana assumiu o compromisso com Deus de tornar-se bênção para outras pessoas caso Deus lhe desse um filho, e abriu mão do filho por amor ao Reino de Deus. Quando fez isso, a frustração foi embora, conforme está registrado no livro de Primeira Samuel capítulo primeiro e décimo oitavo versículo. “…a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste”.

Jacó tornou-se rico e teve uma família grande, tendo se casado também com Raquel, a quem amava, alcançando sucesso no trabalho e na família. Contudo, algo lhe faltava, até que entendeu que mais importante do que qualquer sucesso nesta vida, precisava sentir plenitude de satisfação em Deus. Por isso, lutou com um anjo de Deus, esse registro encontra-se no Livro do Gênesis trigésimo segundo capítulo e vigésimo sexto versículo: “Não te deixarei ir se me não abençoares.” O foco de Jacó passou a ser Deus.

Marta e Maria não compreenderam de início que enfermidade de Lázaro, era para a manifestação da glória de Deus, até o dia em que Jesus chegou, mesmo depois de Lázaro ter sido sepultado há quatro dias, e o ressuscitou.

Que extraordinário entender que ao focar no Senhor essas frustações se vão, à luz disso tudo, concluímos que a frustração se faz presente quando o foco da vida de alguém, está errado, está centralizado num sonho pessoal e que pode ou não ser realizado. Quando a plenitude de satisfação é buscada em Deus e na glória de Deus, no Rei dos reis, Senhor dos exércitos a frustração desaparece, pois Deus preenche e completa os anseios mais profundos do coração e da alma. NEle temos plena satisfação.

O salmista Davi no Livro dos Salmos no décimo sexto capítulo e décimo primeiro versículo encontramos de forma extraordinária onde encontramos a plenitude de alegria. “…na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.”

Nossa plenitude de alegria está no Senhor! Louvado seja Deus!

Que o Senhor os abençoe ricamente e nosso plenitude de alegria esteja nEle.

Amém!

Rev. Cristiam Matos

Nossas dores.

Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre a sua alma” – Jó 14.22

 

Este verso faz parte das elucubrações de Jó a respeito da vida e da morte do homem. Fala das inquietações e da fragilidade humana, do tempo estabelecido por Deus para cada pessoa, da finitude desta existência terrena para a qual o homem não retornará e que não verá o que sucede aos seus filhos. Jó chega à conclusão de que a dor é uma experiência pessoal e intransferível, e que esta afeta não somente o corpo, mas também a alma do indivíduo. 

A dor física pode ser definida como uma sensação desagradável que é produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis a estímulos internos ou externos, e pode ser classificada conforme seu lugar, tipo, intensidade, periodicidade, difusão e caráter; já a dor da alma é instigada por pensamentos e sentimentos ruins, e provoca a sensação de penar, inquietação, angústia profunda. 

Não é agradável sofrer dores, nem tampouco ver alguém querido passar por este momento de aflição. Somos tomados por uma sensação de impotência e incapacidade para sanar ou mitigar a dor que nos alcança e fere. Ah, quem dera poder estender a mão e “arrancar” a dor… Ah, se pudéssemos passar esta vida sem esta experiência ruim… Como suportar a dor? Como entendê-la como instrumento de Deus para as nossas vidas?

Em última análise, a dor é uma criação de Deus e foi introduzida no mundo como elemento disciplinador ao pecado de Eva (Gn 3.16); por isto muitas pessoas julgam Deus como injusto ao imputar a dor aos descendentes de Adão. Não há dúvida de que a dor pode ser uma boa mestra. Ela tem a capacidade de mostrar nossas limitações e nos instiga a buscar o poder de Deus para saná-la ou suprimi-la; também tem a função de nos revelar que não somos inatingíveis ou que nossos corpos terão vigor constante. A dor se torna uma companheira na caminhada até a morte que nos faz mais próximos de Deus. Aliás, é importante lembrar que o próprio Senhor não se absteve de sofrer dores quando encarnou (Is 53.3-4 – leia porque é importante!) e assim encontramos conforto na hora da dor sabendo que nosso Deus sabe o que sentimos.  

Quando você sentir dor (e em algum momento vai sentir…) lembre-se do quanto você precisa de Deus; precisa do seu perdão, da sua graça, do seu amor. A dor – como todas as coisas deste mundo – tem um tempo determinado. Não há dor que sempre dure e por isto consolamos e somos consolados com a frase: “vai passar…”.  Lembre-se do que disse o profeta Isaías: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados“.

Um dia não haverá mais dor, nem luto, nem tristeza. Este será um dia de alegria, de cura, de libertação plena, um novo tempo que durará para sempre. Até lá vamos olhar para a dor como uma amiga indesejável (mas ainda assim uma amiga) nesta caminhada até a glória. 

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel  

As pisaduras de Cristo.

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” – Is 53.5. 

Quando você lê este texto, o que lhe vem à mente? 

A imagem que possuo de minha infância até a adolescência remete-me ao crucifixo preso atrás do altar católico. Ali vi um Cristo com uma coroa de espinhos, onde da fronte ferida brotavam algumas gotas de sangue; em suas mãos e pés traspassados também havia um pouco de sangue e, por último, um pequeno ferimento logo abaixo das costelas. Enfim, nada que chamasse minha atenção para a intensidade de seu real sofrimento. Nesta época imaginava que o sofrimento estava na crucificação, nos cravos que prenderam Jesus à cruz. Quanta dor Jesus não suportou ao sentir suas mãos e pés traspassados! 

Quando por sua imensa graça Jesus me salvou, tive uma nova visão a respeito do sofrimento do Messias e, consequentemente, das suas pisaduras (manchas decorrentes de um machucado, hematoma). Lendo os evangelhos com a avidez típica de um novo convertido, vi Jesus ser esbofeteado e esmurrado por integrantes do sinédrio, maniatado, levado aos romanos, fustigado com varas, castigado severamente com o látego que lacerou seu dorso; por fim, imaginei as feridas nos ombros, próprias de quem carregou uma tosca cruz, e joelhos esfolados pelas quedas sob tão grande peso. Exaurido em suas forças, com sulcos profundos de onde brotava sangue com alguma profusão, vi um Cristo onde a cruz foi apenas mais um “requinte” de crueldade, a qual tornou-se uma amiga para por fim a tanto sofrimento que deveria durar muito mais. Por isto Pilatos ficou admirado quando Jesus, ao fim do dia, já estava morto (Mc 15.44).  

Jesus sofreu por amor. Amor a Deus e amor ao próximo. Desta forma cumpriu cabalmente os mandamentos e serviu de exemplo para que pudéssemos aprender com seu martírio. Jesus sofreu porque aceitou humildemente o que lhe estava proposto desde a eternidade. Foi uma escolha voluntária, pessoal e intransferível. Ele preferiu obedecer, desejou fazer a vontade do Pai, realizou plenamente sua obra vicária como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Derramou sua alma diante do Pai e derramou seu sangue – todo – para que nós pudéssemos alcançar a salvação. 

Qual a importância que você dá ao sofrimento de Cristo? Que relação você tem com as pisaduras de Jesus? Pense sobre isto e responda diretamente ao Senhor.

Uma boa e abençoada semana!

 

Rev. Joel

Sofrimento e esquecimento.

Então, disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que ofereçais sacrifícios ao SENHOR, vosso Deus, no deserto; somente que, saindo, não vades muito longe; orai também por mim. ” – Ex 8.28

 

Creio ser de conhecimento comum as dez pragas do Egito. Histórias infantis, filmes, pregações, enfim, seja qual for o meio usado e independentemente se foram fiéis ou “mais ou menos”, o fato é que as dez pragas ficaram conhecidas por causa do coração endurecido do faraó (morador da casa grande considerado semi-deus e governador do Egito). Esta história real nos leva a algumas considerações: Quantas vezes Deus precisa mostrar o seu poder para que alguém faça a sua vontade? Quantas vezes Deus age sobrenaturalmente e as pessoas não entendem que é Deus agindo? 

Não existe a menor dúvida que cada uma das pragas trouxe muito sofrimento aos habitantes do Egito e seu rei. A primeira foi a transformação da água potável em sangue (Ex 7.19), porém os magos do Faraó fizeram um milagre semelhante e isto sequer foi levado em consideração como um milagre ou ameaça ao reino (Ex 7.23). A segunda foi o surgimento de um número tal de rãs que estas entrariam nas casas, subiriam nas camas, dentro dos fornos e nos lugares de fazer pão (Ex 8.3). Certamente este era um grande inconveniente, mas Faraó não se abalou porque seus magos fizeram o mesmo com suas ciências ocultas (Ex 8.7). Porém, fazer aparecer mais era uma coisa, mas livrar-se de todas eram outros quinhentos… Faraó pediu para que Moisés e Arão intercedessem pelo Faraó e os egípcios e, se fossem atendidos, deixaria os judeus irem adorar a Deus no deserto (Ex 8.8). As rãs morreram, houve alívio na terra, e Faraó endureceu seu coração mais uma vez. Enfim, a cada praga dada uma nova promessa de libertação era feita e depois não era cumprida. Criou-se aqui um ciclo vicioso onde as intervenções miraculosas de Deus só eram entendidas no meio do sofrimento, e cessando a praga vinha o alívio da dor e o esquecimento de cumprir as promessas feitas. 

É significativo que Faraó, no momento da aflição solicitasse as orações de Moisés e Arão apesar de não acreditar no Deus Todo Poderoso.  Era uma incoerência sem limites, mas esta mesma atitude é comum em nossos dias entre aqueles que sofrem, pois não importa quem vai fazer as orações ou onde elas serão feitas porque absolutamente nenhuma oração é rejeitada, apesar de perseguirem aqueles que não possuem a mesma fé (Ex 8.26 – leia porque é importante).

Faraó e os egípcios, mesmo presenciando as intervenções divinas, não se dobraram ao Senhor. Suas mentes estavam entorpecidas com seus deuses e seus rituais, e jamais reconheceriam que o Deus dos hebreus era maior que os deles ou ainda que era o único Senhor verdadeiro. 

O sofrimento pode afetar o juízo e a fé; pode fazer concessões pequenas e imediatas devido a dor e o sofrimento, mas não produzem transformações efetivas no coração e no espírito. Finda a dor vem o esquecimento do que Deus fez e faz, e tudo volta ao “normal”. 

Quero levantar algumas questões para que você possa pensar: 1) Você ora somente quando está sofrendo ou quando seus queridos passam por aflições? 2) Você aceita oração de qualquer pessoa mesmo sabendo que não acreditam em Jesus Cristo? 3) Quando o milagre acontece ou a resposta de oração chega, você tem a capacidade de se lembrar dos seus compromissos assumidos? 

Cuide para que seu coração não se endureça diante do Senhor.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel