Ovelhas entre lobos.

Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” – Mt 10.16

 

Estas palavras foram dirigidas para os discípulos logo após terem sido escolhidos por Jesus. Salvaguardadas as proporções, nós somos os discípulos de hoje, aos quais Jesus confiou a pregação do evangelho. 

Muitos discípulos não querem falar das boas novas. Acreditam que este é um serviço para pastores e evangelistas, para vocacionados especiais. Esta é uma falácia (ardil retórico cuja finalidade é desviar da verdade) comum e bom instrumento de Satanás para que o evangelho não seja pregado a toda criatura. Além disto, pesa no coração dos discípulos o medo de não ter conteúdo suficiente para argumentar com o incrédulo e, assim, passar vergonha diante dele; ou ainda o medo de sofrer algum tipo de violência física, psicológica ou emocional (Mt 10.17).

Jesus sabe de todas as coisas. Sabe o que pode e o que vai efetivamente acontecer em nossas vidas. Conhece profundamente os “lobos vorazes” e conhece muito bem a cada uma das suas ovelhas – as necessidades, fragilidades e limitações (Jo 10.14). O que as ovelhas deveriam fazer é confiar mais em seu Pastor, no seu plano geral, nas suas palavras e em seu poder para salvar. Ser prudente como “as serpentes” aponta para o fato de não confiar nas pessoas e em suas atitudes, e ser símplice como “as pombas” para a confiança irrestrita naquele que as sustenta (Mt 6.26). 

Na ordem da cadeia alimentar os lobos estão acima das ovelhas. Lobos têm grandes dentes, orelhas sensíveis, olfato aguçado, visão privilegiada e defendem-se com violência; ovelhas são míopes, medrosas e, às vezes, rebeldes contra seu pastor. Nunca se esqueça que o Senhor – o bom Pastor – salvará as ovelhas, e não os lobos…

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel

A misericórdia do Senhor.

Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” – Sl 103.17

 

Uma das melhores definições que conheço para misericórdia é: “fazer algo por alguém que não pode fazer por si mesmo”. Assim, misericórdia expressa a ação benéfica sobre a vida do próximo, ajudando-o em suas limitações e lhe oferecendo algo que está além de sua capacidade e sua possível retribuição. Nossa humanidade se vê claramente quando a misericórdia se faz presente: recém-nascidos carecem da misericórdia de seus pais; quem ama carece da misericórdia do ser amado; feridos e doentes carecem de misericórdia. A misericórdia atua no campo das necessidades e não dos desejos, pois estes, na maioria das vezes, extrapolam a necessidade. Para entender a misericórdia divina é preciso primeiro entender a miséria humana. 

Um dos cinco pontos do calvinismo é chamado de total depravação. Esta expressão é abrangente e profunda, alcançando não somente a questão espiritual, mas também mental e física. A tese sustenta-se na presença do pecado no mundo e nas pessoas corrompendo tudo de tal forma e com tal intensidade que estabelece a incapacidade total do que foi contaminado pelo pecado de mudar sua realidade. É uma corrupção que está entranhada e que passou a fazer parte da essência do ser humano e escravizando-o (ligando-o inseparavelmente) pelo pecado. Desta forma absolutamente nenhuma pessoa tem condições, por si mesma, de quebrar estes grilhões ou modificar sua natureza decaída sem uma ação específica de Deus. Para referendar esta proposição podemos descrever da seguinte maneira: a. Pecado – errar o alvo estabelecido por Deus para suas criaturas (Rm 3.23); b. Pecadores – os que cometem pecado, quer por culpa ou dolo (1Jo 1.10); c. Imerecedores – ninguém tem virtudes suficientes (Rm 3.10-12); d. Reativos – Só fazemos o bem porque somos induzidos por Deus ( Fl 2.13).

Não havendo a mínima possibilidade de uma ação pessoal que seja transformadora em sua essência, o ser humano e tudo o que foi corrompido pelo pecado precisa de uma ação misericordiosa da parte de Deus, e é sobre isto que o salmista se refere ao falar desta misericórdia: a) que ela é eterna; b) que ela é sobre os que o temem; c) que ela é concedida de geração em geração. Sobre esta ação de misericórdia de Deus é preciso entender duas questões: 1) A graça comum; 2) A graça especial. A primeira é a manifestação da misericórdia sobre todas as pessoas, misericórdia que se revela na vida, na saúde, na renovação de cada dia, no abençoar dos frutos da terra ou dos dividendos oriundos do trabalho que, em última análise, Deus permite. A graça comum está afeta a todas as pessoas e se restringe ao tempo presente. Já a graça especial é a manifestação específica de Deus a determinados indivíduos aos quais ele escolheu e elegeu como seus filhos, os quais passarão a eternidade ao seu lado. Esta é a graça que traz o esclarecimento necessário à mente para entender quem é Jesus e o que significa a obra que ele fez na cruz. Redenção, justificação, purificação, santificação entre outras doutrinas são inteligíveis e incorporáveis plenamente somente àqueles que foram escolhidos para tal entendimento e vida. A vida eterna não é para todos (Ex 33:19), e a fé para entender e aceitar como verdade absoluta vem do Senhor (Ef 2. 4-10).

O que resta aos homens? Podem fazer algo para alcançar a misericórdia? Ou algo para incrementá-la ou completá-la? Não há nada a ser feito, pois tudo o que era necessário foi realizado por Cristo. Se houvesse algo a ser feito pelo homem não seria mais “misericórdia” na acepção da palavra (Lm 3:22). Diante de tamanha misericórdia, resta aos homens curvarem-se perante o Senhor da glória e obedecerem a sua augusta vontade (Sl 103.19). 

O mundo em que vivemos, esta “aldeia global” ou sociedade mundial quer convencer as pessoas de que não são pecadoras. Uma vez desconstruído o conceito de “pecado” entregam-se aos seus prazeres e desejos revelando seu propósito para que todos recebam a mesma condenação no último tempo: a morte eterna. De fato, como bem disse o apóstolo Paulo, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23), e que o salário não é considerado como favor, mas sim como dívida a ser paga integralmente (Rm 4.4). 

Precisamos nos lembrar constantemente de que sem Cristo não somos em nada diferentes das demais pessoas e que, por isto, Cristo é a expressão maior da misericórdia de Deus.  Em Cristo, por Cristo e com Cristo somos agraciados e nossas famílias são abençoadas na exata medida em que continuamos firmes e fiéis ao Senhor e aos seus preceitos. Por isto devemos nos render cada vez mais, nos submeter com mais consciência, nos entregar com mais empenho no altar do Senhor todos os dias de nossa vida (Rm 12.1-2).  

Uma sugestão: leia todos os endereços bíblicos que foram apresentados.

Um bom a abençoado dia!

Rev. Joel 

Proteção.

Guarda-me como a menina dos olhos, esconde-me à sombra das tuas asas” – Salmo 17.8

 

Gosto do livro de Salmos pelo conjunto da obra. Sua estrutura poética, suas metáforas, a maneira como os salmistas abrem suas almas diante de Deus e dos homens; identifico-me com seus sentimentos de raiva e impotência, suas explosões de alegria, suas dores entranhadas; digo “amém” à invocação do único e verdadeiro Deus, às súplicas, aos pedidos de ajuda – tudo inspira para o momento de oração solitária na presença do Senhor (Mt 6.6). 

O verso acima transcrito retrata a intensidade do temor que o salmista sentiu em algum momento de sua vida e seu desejo de reparti-lo com a comunidade de Israel para fins educacionais.  A autoria deste salmo é atribuída ao rei Davi e pode retratar o período em que fugia da presença de Saul. No entanto, como eram muitos os seus inimigos (inclusive seu filho Absalão), bem poderia se referir a qualquer outro momento do seu reinado. 

De forma geral, esta oração serve para qualquer pessoa que se vê perseguido, oprimido, e que imagina estar cercado por pessoas que desejam o seu mal; é para todo aquele que se vê preso, sem saída e sem a menor possibilidade de fazer algo por si mesmo além de confiar no socorro divino. 

Retornando ao verso em questão, o autor usou duas metáforas lógicas e de conhecimento geral: a reação imediata das pálpebras para proteger o olho, e o acolhimento que a ave faz aos seus filhotes em perigo. Davi transformou palavras em imagens inteligíveis e, assim, ofereceu profundidade ao que desejava compartilhar. Sua profissão de fé na ação de Deus é principalmente visível no verso 15: “Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança“, onde fica evidente que ele confiava no Senhor durante a vida física e depois dela.

É muito agradável pensar e crer que Deus age desta forma em relação aos seus amados: na hora da dificuldade ele protege, e no momento do temor ele acolhe em seus ternos e eternos braços. 

Você confia na proteção do Senhor?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel