Morada de Deus.

Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” – Jo 14.23

 

A idéia de que Deus mora nos céus e de lá observa a todos os homens é bíblica (1Rs 8.39; 2Cr 20.6; Sl 2.4; 11.4; Ec 5.2; Mt 6.9; Mt 23.9; At 7.55; Ef 6.9; Ap 4.2, 11.19). No entanto, é provável que você tenha ouvido a frase: “atravessei os céus, olhei para os lados e não vi Deus”, que é atribuída a Yuri Gagarin, o primeiro cosmonauta a entrar na órbita terrestre em 1961; se isto é verdade, onde Deus mora?

A primeira informação que precisamos nos lembrar é que nem todas as pessoas conseguem ver Deus. Apesar de terem visão perfeita, não conseguem enxergar a presença de Deus na vida que está ao seu redor, seja ela carnal ou vegetal; também não conseguem ver isto na beleza das montanhas, nem no espetáculo dos céus iluminados nas noites escuras, nem tampouco no sol que brilha durante o dia ou na chuva que rega a terra. Tais pessoas preferem atribuir todas as coisas à obra do acaso, da evolução ou da ação do homem.

Outra informação que devemos considerar é que Deus é espírito (Jo 4.24) e como tal não possui um corpo físico visível, pois é etéreo (definição física: fluído imaterial hipotético que permeia todo o espaço). A doutrina da trindade nos revela que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito são um só, e em assim sendo, podemos entender que o Espírito de Deus que envolveu e fecundou a terra, e dela vez brotar a vida através de sua Palavra (Verbo divino) era o próprio Deus trino (Gn 1). 

O verso de hoje tem como pano de fundo a instrução de Jesus aos seus discípulos sobre sua manifestação pessoal mediante o amor que a pessoa devota a Jesus através da obediência aos seus mandamentos; quem assim procede é amado por Deus Pai e pelo Deus Filho, e a este – e tão somente a este – Jesus se manifestará como quem de fato ele é (Jo 14.21). O outro Judas (não o Iscariotes) perguntou-lhe de onde procedia esta informação (v.22), e a resposta de Jesus está no texto escolhido de hoje: do amor de Deus. Quem ama ao Senhor e a sua Palavra os têm em seu coração, e revela isto em cada palavra dita, em cada pensamento, em cada ação realizada. Na primeira carta de João ele desenvolve melhor este conceito dizendo: “Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” – 1Jo 2.5-6. 

Disse o profeta Isaías: Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos – Is 57.15. 

Concluímos, então, que Deus mora no coração daquele que sinceramente ama a Jesus e os seus mandamentos. 

Deus já fez morada em sua vida?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Órfãos acolhidos.

“Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” – Jo 14.18

 

Este pequeno verso contém muito mais informação do que aparenta. Seus pressupostos básicos precisam ser levados em consideração para se construir a verdade que ele apresenta. 

Em primeiro lugar é preciso definir a palavra “órfão”. Segundo o dicionário, significa aquele que perdeu pai e/ou mãe; e também pode significar aquele que perdeu alguém muito querido que o amparava e protegia. Em ambos os casos é presente a sensação de abandono, de desvalido.

Nas entrelinhas é possível entender que Jesus era como um pai para seus discípulos, e o discurso preparatório para seu martírio revela que eles se sentiam como crianças prestes a se tornarem órfãos. Não é difícil entender esta “paternidade” de Jesus sobre os que viriam a ser seus servos engajados na construção do novo reino, até mesmo porque Jesus se diz um com o Pai e, portanto, é o Pai revelado em carne aos seus escolhidos (Jo 10.30; Cl 1.15-23; Jo 14.20 – leia, é importante). 

Há uma promessa explícita neste verso sobre a ressurreição e os discípulos teriam a oportunidade de ver com seus próprios olhos a manifestação do poder de Deus (At 2.32; 3.15). Sua aparição inicial no cenáculo causou temor (Lc 24.37); depois apareceu outra vez no cenáculo onde Tomé foi confrontado com sua falta de fé (Jo 20.24-28); por fim, Jesus lhes concedeu a graça de estarem com ele por quarenta dias (At 1.3). Dali em diante todo o sentimento de abandono foi dissipado e agora eles tinham certeza de que o Senhor ressurreto estaria com eles até o fim (Mt 28.20). 

Apesar de não termos o privilégio de sermos testemunhas oculares da ressurreição de Cristo, certamente o somos da graça que ele nos proporcionou: éramos órfãos, almas cansadas e sobrecarregadas pelo peso do pecado, e ele nos transformou em filhos de Deus (Jo 1.12). Não somos mais órfãos porque fomos acolhidos, amados, ressuscitados em Cristo Jesus e desafiados a buscar as coisas lá do alto (Cl 2.12 e 3.1).

Você se sente órfão? Sente-se abandonado por Deus? Busque ao Senhor Jesus e se renda aos seus pés. Conheça aquele que ressuscitou para a salvação do pecador, e que vive no coração de todos a quem ele quer se revelar. Faça isto enquanto é tempo, pois em breve ele vai voltar definitivamente para buscar os seus. Você estará entre eles?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Consolador.

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” – Jo 14.16

 

A palavra “consolador” descreve alguém que está ao lado, que presta socorro, que dá apoio ou suporte em tempo de angústia. No original grego (parakletos) descreve também alguém que pleiteia a causa de alguém diante de um juiz ou outra pessoa, um assistente legal, ou intercessor. 

Não ha dúvidas que Jesus era visto como um consolador enviado por Deus para aliviar o sofrimento das pessoas através de curas, milagres e exorcismo de espíritos malignos que atormentavam o povo de Deus; além disto ele trouxe a esperança da instalação do reino de Deus entre os homens. Por diversas vezes os evangelhos descrevem o olhar misericordioso de Jesus que via o estado das pessoas: perdidas, alfitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36). 

Os discípulos estavam entre estas pessoas e acreditavam em Jesus como o Messias (Jo 6.67-69), mas estavam sem saber o que pensar ou fazer naquele momento. Jesus falava como quem iria deixá-los de forma definitiva – através do martírio – e eles não haviam contemplado tal possibilidade até aquele momento. Jesus sabia disto e exatamente por esta causa é que falou as palavras do verso em destaque. É nítido o paralelo que ele cria entre sua pessoa e a pessoa do Espírito Santo. A frase: “e eu rogarei ao Pai” o apresenta como um intercessor, alguém que está ao lado do supremo juiz para representar legalmente seus escolhidos. João entendeu bem esta questão e usa a mesma palavra em sua primeira carta, capítulo 2 verso 1, a qual foi traduzida como “advogado”.  A próxima frase: “e ele vos dará outro Consolador” revela que esta era uma causa ganha (uma outra pessoa para estar ao lado deles) e cujo resultado já deveriam considerar como efetivo. Por fim, a frase: “a fim de que esteja para sempre convosco” mostra que jamais seriam abandonados em momento algum do futuro ou de quaisquer discípulos que viessem depois deles. 

Nossos dias nos tem reservado muitas angústias e tristezas; no entanto é preciso lembrar sempre que não estamos sós: o Espírito Santo está ao nosso lado. Ele nos consola, ele nos fortalece, ele cuida do nosso futuro. Nele podemos nos apoiar e acreditar sempre.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Amor e obediência.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos” – Jo 14.15

 

A palavra “amor” está tão esvaziada de significado (conteúdo) e significância (valor) que dizer: “eu te amo” é tão fácil quanto falar: “vou ao mercado”. Na cultura atual o convite “vamos fazer amor?” não significa construir uma proposta de relacionamento para a vida, mas apenas para um momento de sexo. Diante disto lhe pergunto: o que “amor” significa para você? Pense um pouco a este respeito. Não tenha pressa e não continue a leitura sem fazer esta reflexão, pois se você não tem uma idéia bem definida sobre o que é amor, como poderá entender o que Jesus quer ensinar aos seus discípulos? Como poderá criar intimidade com Deus que é amor? (Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor – 1Jo 4.8).

Na bíblia, amor é muito mais do que um sentimento: é uma disposição mental, fruto de um desejo profundo e sincero de dedicar-se à alguém ou deidade ou objeto (p.ex.: amor ao dinheiro). Desta disposição decorrem duas atitudes que estão interligadas: pertencimento e comprometimento; a primeira manifesta a devoção, o propósito de servir àquilo que escolheu como objeto de seu amor por livre vontade, e a segunda revela a intensidade da relação que estabeleceu para si mesmo. 

Quem lê a Palavra entende perfeitamente que Deus é amor em sua forma mais sublime. Ele amou sua criação; amou e por isto escolheu a nação de Israel para ser seu povo santo; amou seus eleitos desde a eternidade e se dispôs a fazer o necessário para salvá-los: encarnar e morrer numa cruz. Deus ama de forma completa, absoluta e profunda. Quem sabe o que é amor entende o que Jesus queria dizer quando falou: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13)´; quem não sabe o que é amor fica preso sem ao menos se dar conta daquilo que seu coração escolheu para servir. Quantas pessoas amam tanto o seu próprio trabalho que sacrificam tudo por uma promoção? Horas de lazer ou descanso, casamento, filhos, saúde pessoal…, nada importa mais do que o trabalho. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, quantas pessoas amam seus vícios nesta mesma proporção? Quantas amam seus bens? Amam, mas não admitem; são escravas, mas se sentem plenas no exercício do seu amor; esquecem que onde está o coração está também o “deus” a que se dedicam e se entregam.

Não existe amor verdadeiro sem dedicação e entrega. Afirmar que ama a Deus sem se dispor a cumprir os seus mandamentos é ser mentiroso e desonesto não só com o Senhor e seu reino, mas consigo mesmo. Engana-se aquele que pensa que amar a Deus é ter por ele somente algum sentimento. Não há pertencimento sem o devido comprometimento assim como não existe amor onde não há dedicação. Jesus disse aos seus discípulos que o amor que diziam devotar-lhe deveria ser acompanhado de obediência –  uma atitude concreta que revelaria a posse e engajamento; e isto nos leva a uma pergunta muito pessoal: realmente amamos a Jesus?

Um bom e abençoado dia. 

Rev. Joel 

Em nome de Jesus.

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” – Jo 14.13-14

 

Muitas pessoas acreditam que orações são como fontes dos desejos: basta uma moeda de troca que todos os pedidos serão satisfeitos. Movidas por este pensamento (quando é racional e intencional) ou por sentimento (quando é emocional e ilógico) oram a Deus e fazem promessas que até estão dispostos cumprir, desde que os desejos ou as necessidades sejam supridas conforme as expectativas de quem faz a oferta. Algumas delas alcançam as bênçãos solicitadas e (como são pessoas de caráter) cumprem o que prometeram tornando-se pagadoras de promessas. Seria isto que Jesus queria ensinar aos seus discípulos? Seria isto que Deus espera dos cristãos?

Mais uma vez a resposta está no contexto. Os versos que antecedem dizem respeito a conhecer a Deus, a crer no Pai e no filho (v.11), a olhar para as obras realizadas por Jesus e entender que elas são de origem divina; este é o ponto que se deve levar em consideração para entender o que Jesus está falando (v.12): fé em Jesus para realizar as mesmas obras, e até maiores do que as que ele fez neste mundo. A questão aqui não são as necessidades ou desejos pessoais dos discípulos que devem ser levadas em consideração, mas sim as petições que fazem ao Senhor em busca dos recursos necessários – físicos, mentais e espirituais – para a realização da obra de Deus. O propósito final da obra é a glorificação do Pai através do Filho e, por isto, as orações devem ser feitas em nome de Jesus.

Orar é parte intrínseca da vida cristã. Alguns cristãos pedem conforto pessoal, prosperidade material e justiça contra seus inimigos; pedem em nome de Jesus e prometem que serão pessoas melhores se conseguirem suas petições. Outros pedem saúde para si, a queda de governos injustos, proteção para os bens que com tanto esforço amealharam. Outros pedem iluminação para cuidar dos seus problemas financeiros ou familiares (ou ambos), da direção para uma mudança de endereço ou de profissão. Muitas destas orações caem no vazio, ficam no “ar” e podem até amargurar a alma. Na carta de Tiago encontramos uma resposta para esta situação: “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3). 

É fato que não sabemos orar como convêm (Rm 8.26), no entanto temos uma diretriz a ser considerada: a glória de Deus. Assim sendo, antes de orar deveríamos perguntar a nós mesmos: Em quê isto glorifica a Deus? Como este meu pedido ajudará na obra e na expansão do reino? Como isto exaltará o nome de Cristo diante das outras pessoas? 

Tenho certeza que se você pedir paciência para suportar alguém que está entristecendo sua alma, Deus concederá porque servirá de bom testemunho para aqueles que estão ao seu redor; se você pedir orientação para seus relacionamentos, tenho certeza que o Senhor o iluminará através de sua Palavra e lhe dará o rumo certo para que tome as decisões corretas; se pedir intrepidez para pregar o evangelho tenho convicção que o Senhor o usará na expansão de seu reino, pois isto e todas as demais coisas semelhantes a estas engrandecem a Deus e fazem com que seu nome seja glorificado.

Deus ouve todas as orações. Ele não quer barganhar com ninguém, mas quer abençoar quem de fato deseja honrá-lo e glorificá-lo. Não deixe de orar, nem de suplicar por suas necessidades físicas, emocionais e espirituais. Deus sabe do que você necessita e, como bom Pai, não deixará você passar necessidade. Ore pedindo por sabedoria e outros dons que engrandeçam o nome de Deus através de sua vida. Seja bênção de Deus na vida das pessoas que estão ao seu redor.

Vamos orar em nome de Jesus?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Conhecendo o Pai.

Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto” – Jo 14.7

Em nossa vida temos diversos momentos que são divisores de “águas”, por exemplo: Quando aprendemos a ler e escrever deixamos de ser analfabetos; quando nos casamos deixamos de ser solteiros; quando recebemos nossa habilitação para dirigir nos tornamos motoristas credenciados, etc. 

Na vida espiritual também existe um momento de transição que é muito importante. Recebemos informações sobre religião (qualquer uma) desde a mais tenra idade. Elas nos chegam através de histórias contadas, desenhos animados, filmes, prédicas, acessos à internet, enfim, de diversas formas e fontes. Independentemente da qualidade das informações, nenhuma delas tem poder para mudar nosso “status” de criaturas de Deus e, assim, somos como todas as pessoas do mundo – pecadoras que carecem da graça do Espírito e da glória resplandecente de Deus para escolhê-las e salvá-las. Somente quando o Espírito Santo convence do pecado, da justiça e do juízo divino é que as pessoas podem efetivamente entender o que é ser filho de Deus (Jo 16.8; Jo 1.12). Este é o único conhecimento que transforma criaturas em filhos, pecadores destinados ao inferno em justificados para viver eternamente no reino. 

Retornando ao texto escolhido (Jo 14.7), podemos ver que Jesus falava aos seus discípulos sobre esta transição onde o conhecimento verdadeiro seria revelado. Até então eles andavam com Jesus, ouviam Jesus, serviam a Jesus, conversavam com Jesus, mas ainda assim não o conheciam como deveriam. Faltava-lhes algo importante: ligar “os pontos” entre a pessoa de Jesus e a pessoa de Deus para entender que eram a mesma pessoa. Jesus era e é o Deus encarnado (Mt 1.23; Jo 1.14; 10.30), mas seus discípulos ainda não conseguiam entender isto. 

Até o verso 7 João registrou a conversa com Tomé, e no verso 8 Filipe entrou e pediu a Jesus que mostrasse o Pai. A resposta de Jesus a Filipe nos versos 9 e 10 (leia! É importante!) deixa evidente que ele também não tinha entendido nada a este respeito. Numa conversa específica com Pedro o Senhor lhe deu uma importante tarefa que demonstrou claramente que eles ainda não haviam passado por esta conversão (metanóia – mudança de mentalidade): “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.32). 

Em nossos dias muitas pessoas também não conseguem ver em Jesus a pessoa do Pai, mesmo depois de presenciarem tantas obras maravilhosas, e de lerem as sagradas escrituras. Muitas pensam em Jesus como um homem especial, diferente, tocado pelo divino, um santo de Deus, mas são incapazes de reconhecer quem ele de fato é. Elas não têm intimidade com Deus o suficiente para reconhecê-lo em Cristo, e não tem intimidade suficiente com Cristo para enxergar o Pai em suas palavras e atos. 

A intimidade do Senhor, de fato, é para aqueles que o temem, para aqueles a quem o Senhor quiser revelar (Sl 25.14). Não há mérito ou esforço humano capaz de chegar a este entendimento sem a ação do Espírito Santo em suas vidas (Jo 16.26; At 10.45; 15.8; Rm 5.5; 1Co 12.3; Ef 1;13; Tt 3.5; 1Jo 5.6-7). 

Você conhece o Pai? Consegue vê-lo nas palavras e obras de Jesus?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Eu sou.

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” – Jo 14.6

 

Esta frase de Jesus contém muita informação nas entrelinhas. A primeira delas diz respeito a fazer uma definição de sua própria pessoa ao proferir: “Eu sou”.  Nos lábios de qualquer outra pessoa, iniciar uma frase com estas palavras apontaria para atitudes próprias de caráter pessoal e valores pessoais, como por exemplo: “eu sou cristão”, ou “eu sou acessível”, ou “eu sou bondoso”, ou ainda “eu sou rude”. No entanto, estas palavras ditas por Jesus têm um significado maior, mais profundo, mais antigo, pois remete ao Antigo Testamento, ao encontro de Moisés com Deus diante da sarça ardente, quando Moisés pergunta o nome de Deus e ele se revela dizendo: “Eu sou” (Ex 3.14; Jo 8.58). Mais do que uma definição de caráter, estas duas palavras apresentam Jesus como o Deus verdadeiro, o único Senhor, que era, que é e que há de ser (Ap 1.8). 

Uma vez que Jesus se apresentou como o Deus encarnado, o único e verdadeiro Deus, nada mais justo do que apresentar sua unicidade como caminho para a eternidade, como a verdade preexistente e a vida que dá vida. É por isto que João usa os artigos definidos para expressar que não existe outro caminho, nem outra verdade, muito menos outra fonte de vida. Quanto ao caminho, o livro de Atos dos apóstolos apresenta o cristianismo nascente como uma ramificação do judaísmo com a característica exclusiva de ser a “seita do Caminho” (At 9.22; 19.9, 23; 22.4; 24.14,22). Quanto à verdade, mais do que um princípio filosófico a ser estudado e debatido, Jesus é a encarnação da verdade que se revela e coloca em liberdade (Jo 8.32), verdade que é atribuição do Espírito Santo de Deus (Jo 15.26, 16.13) e do Verbo eterno que santifica (Jo 17.17), verdade que os homens, por mais inteligentes e poderosos que sejam, sem o auxílio divino jamais conhecerão (Jo 18.38). Quanto à vida, foi concedida por Cristo (Jo 1.1-4), sua eternidade está vinculada a Cristo (1Jo 5.11) e é concedida mediante o sacrifício vicário de Cristo (Jo 3.16; Ef 2.5,6; 1Jo 3.16). 

Voltando ao verso inicial (14.6), Jesus diz claramente que não existe outra forma ou meio de chegar-se à presença de Deus além da sua pessoa e obra. Jesus não é uma placa indicativa que aponta e diz: “siga neste caminho que achará seu destino”; sua proposta está mais para uma ponte que liga o homem a Deus e sem a qual seria impossível transpor o rio ou abismo que há entre eles. Podemos imaginar que este rio ou abismo é o pecado e que nenhuma atitude humana seria capaz de construir algo firme e estável para alcançar o outro lado. Basta lembrar-se de Adão e Eva que conheceram o seu pecado, que viram que estavam nus, que tentaram cozer folhas de figueira para “tampar” sua nudez e se deram conta de que isto jamais seria o suficiente para colocá-los novamente diante de Deus. Restava-lhes refugiar-se na mata, longe dos olhos do criador. Porém, sabedor de todas as coisas, Deus viu o pecado do homem e resolveu colocá-lo novamente em sua presença através de um sacrifício, de uma vida inocente, de quem fez roupas para Adão e Eva (Gn 3.7,8 e 21). Este inocente é Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

Jesus é o grande e único “Eu sou”. Somente ele é capaz de conduzir o homem pecador à presença de Deus e lhe dar vida e vida em abundância (Jo 10.10), vida e vida eterna (Jo 3.36). Isto é a mais pura verdade! Você crê nisto?

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel

 

Desatento.

Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?” – Jo 14.5 

 

É impressionante a quantidade de cristãos que não se dão conta sobre a vida e a morte; entre o Cristo crucificado e o Cristo ressurreto. Satisfazem-se com um conhecimento raso, insuficiente para nutrir a alma, incapaz de prover à própria alma o alento que vem da sabedoria que vem do alto (Tg 1.5, 3.17). 

O discípulo Tomé é um ícone da desatenção e do não entendimento a respeito aos ensinos e das palavras de Jesus. Quando Jesus propõe o retorno à Judéia para estar com Lázaro, “Tomé disse: Vamos também para morrermos com ele” (Jo 11.16). O contexto mostra que Jesus tinha recentemente “escapado” de um apedrejamento (Jo 10.31). A forma do registro aponta não para aceitação de um possível martírio, mas sim para uma tentativa de Tomé para dissuadir Jesus ou os discípulos desta jornada que considerava perigosa. Outro evento aconteceu quando Jesus apareceu no Cenáculo entre os discípulos pela primeira vez, fato este que Tomé não presenciou. Ao invés de acreditar em seus companheiros, Tomé disse categoricamente que não acreditaria até ver e tocar as feridas de Jesus (Jo 20.24-25). O próprio Senhor revelou o coração incrédulo de Tomé (Jo 20.27).

A frase: “não sabemos para onde vais” pode ser entendida apenas como uma dúvida pessoal que foi generalizada (por exemplo, a expressão: todo mundo disse… quando na verdade apenas uma ou outra pessoa falou), ou até mesmo expressasse o não entendimento do grupo sobre as palavras de Jesus. 

Na vida cristã existem vários momentos em que perdemos o “fio da meada”, a linha de raciocínio, o ponto específico que estava sendo tratado; no entanto, quando isto acontece, buscamos imediatamente saber mais, nos aprofundar na questão para que ela fique devidamente esclarecida em nossas mentes e corações. Dúvidas devem nos estimular ao conhecimento e não ao descaso ou à desatenção. Entendo que Tomé tinha motivos para não conseguir entender de imediato, mas nós hoje temos algo que os discípulos não tinham: os evangelhos, as cartas e o livro de apocalipse. Não saber para onde Jesus foi, ou desconhecer o caminho que todos deveríamos trilhar é algo inadmissível para os cristãos hodiernos. 

Tomé foi repreendido por Jesus devido sua desatenção ou incompreensão daquele conhecimento que já deveria dominar. Pelo que vimos até agora Tomé poderia crer mais, confiar mais, generalizar menos e se empenhar mais. 

Dizem que sábio é aquele que aprende com os erros dos outros. Vamos aproveitar este ensinamento?

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel. 

O caminho conhecido.

E vós sabeis o caminho para onde eu vou” – Jo 14.4

 

A prudência avisa para andar em caminhos conhecidos a fim de que não haja a mínima possibilidade de perder-se e não chegar ao destino desejado. Porém, enveredar por sendas corriqueiras pode trazer enfado à alma de algumas pessoas que desejam um pouco de aventura, de emoção; instigados por estes sentimentos, procuram atalhos para chegarem mais rápido, ou então caminhos desconhecidos para aumentar a adrenalina da viagem. Quem assim procede tende a vivenciar perigos desnecessários, e até mesmo ir ao encontro da morte. 

O caminho que Jesus conhecia e diz que tomaria certamente não era mais fácil, nem mais rápido, nem menos perigoso; pelo contrário, era justamente o caminho longo da dor, da angústia sufocante, da morte aos poucos. Seria a concretização das promessas dos líderes religiosos, daqueles que estavam em conluio para tirar-lhe a vida – eles em breve alcançariam seu macabro objetivo. 

Sem querer ser tétrico, mas sim realista, a morte espera a cada um de nós. É o seu abraço que abre as portas da eternidade e desencadeia a seleção do lugar eterno onde a alma passará a viver. Por mais paradoxal que possa parecer, a morte não é o fim, e sim o início de uma nova etapa; ela não acaba com a esperança, pois é o fim da jornada da vida neste mundo físico que aponta como uma seta orientadora para a eternidade proposta a cada um. 

Cada pessoa tem seu tempo determinado. O salmista diz que todos os dias foram escritos sem que qualquer um deles ainda existisse (Sl 139.16) e Jó assevera que dias e meses são limites impostos pelo criador, e deste limite ninguém passará (Jó 14.5). 

Não gostamos de falar da morte. Parece que atrai algo ruim como se fosse uma maldição antiga. No entanto, falar de morte deveria ser tão comum quanto falar da vida, pois elas estão interligadas: nascemos para morrer e morremos para viver eternamente.

A pandemia nos tem feito falar sobre a morte mais do que desejaríamos. O que antes acontecia no país do outro lado do globo agora acontece no país vizinho; o que acontecia em outros estados agora atingiu plenamente o nosso; o que acontecia somente em outros bairros agora acontece na casa ao lado ou mesmo em nossa casa. Como conviver com isto? Como aceitar estas coisas?

A resposta está no caminho que conhecemos. Jesus é este caminho que leva ao Pai. Caminho que tem percalços, que machucam os pés muitas vezes, caminho que provoca dor e aflição, mas é o único e verdadeiro caminho que leva aos céus. Nossos companheiros de estrada caem e não se levantam mais nesta vida porque já alcançaram os portões da eternidade. A linha de chegada não é no mesmo lugar para todos… mas ela é o limite que Deus colocou para cada um de nós. Morrer em Cristo é, portanto, cruzar esta linha, tornar-se um vencedor, preparar-se para receber os “louros” da vitória. Morte não é decréscimo, nem rebaixamento, nem demérito algum, pelo contrário: é ser promovido à glória celeste!

Nós sabemos o caminho. Sabemos o caminho que Cristo foi inaugurar, o que ele foi preparar, e o que nos está reservado quanto chegarmos lá. 

Meu limite já foi estabelecido. A “faixa” que devo cruzar já está estendida e pronta para minha chegada, ainda que não possa vê-la e nem tampouco saber o dia, a hora e o minuto que chegarei. Apenas sei que chegarei e para onde irei. E você? Tem certeza da sua salvação?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel.   

 

O retorno do Rei

E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” – Jo 14.3

 

Fazer uma viagem é algo que geralmente proporciona alegria e contentamento; porém, existem algumas que não gostaríamos de fazer. O contexto histórico deste verso revela que Jesus sofria perseguição por parte dos líderes religiosos e estava ameaçado de morte. Este ambiente pesado e preocupante afetava os discípulos e afligia suas almas com relação ao futuro próximo. Jesus os orienta a crer, pois é pela fé que nossa alma alcança paz e serenidade em tempos de aflição (Jo 14.1); além disto, os ensina que o Pai tem tudo sob controle, e que ele tem um lugar reservado para os seus amados (Jo 14.2). É debaixo deste contexto que devemos entender as palavras de Jesus avisando a eles que ele em breve partiria para o reino eterno de Deus.

Os discípulos deveriam estar atordoados com esta informação. Eles acreditavam que Jesus era o Messias prometido, o grande rei que viria libertar o povo de Israel e governar eternamente com justiça (Lc 24.19-21); como processar o anúncio de sua iminente morte?

Hoje podemos ver o quadro geral que eles não conseguiam enxergar. Sabemos que Jesus deveria ser sacrificado como uma oferta viva no altar de Deus, pois é ali que o sangue é derramado e a justiça é satisfeita, pois sem derramamento de sangue não há remissão dos pecados (Hb 9.22); Jesus, como cordeiro, se ofereceu voluntariamente aos sacerdotes (Jo 10.17-18) e teve sua sentença de morte proferida pelos lábios dos pecadores (Mc 15.12-15). A cruz foi a viagem fatídica, difícil e dolorosa, imprópria para o Rei dos Judeus e de toda a criação. 

Jesus sabia o que estava por vir e, por isto, deu aos discípulos um vislumbre do futuro próximo (sua partida deste mundo) e também do distante (seu glorioso retorno que ainda hoje aguardamos pela fé), através do qual reunirá todos os eleitos de Deus a si mesmo, pois lhes foi preparar um lugar especial, definido, dentro deste reino eterno.

Fé é o requisito fundamental para suportar o distanciamento físico do Senhor e promover a esperança do retorno iminente; fé em Deus Pai e no Deus Filho; fé que sustenta no tempo da angústia e da espera. 

Em breve o Rei voltará e com ele viveremos eternamente. Você crê nisto?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Na casa do Pai

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar” – Jo 14.2

 

João, o autor deste evangelho, usou algumas palavras cujo significado em grego oferece diferenciação entre espaços físicos. A primeira palavra é “oikia”, casa que acolhe familiares, edifício que dá abrigo àqueles que têm algum parentesco. A figura do Pai remete a um patriarcado onde todos os demais membros da família dependem física, emocional e espiritualmente do ancião que exerce o governo sobre todos. É privilégio do patriarca estabelecer os valores morais aceitáveis, definir privilégios sociais e controlar as propriedades. Ao referir-se a esta casa que pertence ao Pai, Jesus conduz seus discípulos a criar este paralelo entre o que eles já conheciam e viviam (sociedade patriarcal) com aquilo que desconheciam (o reino dos céus). 

A outra palavra que vai dar mais sentido e fundamento para este paralelismo é “mone”, traduzida como “moradas”. A ideia que Jesus oferece é a de que existe possibilidade de “entrar” no seio familiar e receber um quinhão (parte) por beneplácito (concessão) do ancião. É possível entender aqui a questão da “adoção” que o apóstolo Paulo expressou em Romanos 8.15 e 23, Gálatas 4.5 e Efésios 1.5, e fazer uma ponte com João 1.12 (Leia estes textos antes de continuar a leitura) onde, mediante a pessoa e obra de Cristo, o Espírito Santo confirma com nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16).

Por fim, a outra palavra é “topos”, traduzido como “lugar”; o sentido original é de uma porção separada, exclusiva, um espaço delimitado dentro de uma cidade ou vila próxima à cidade. A lógica do argumento está na coerência da proposição de Jesus, haja vista que nem todos poderão viver dentro da Jerusalém que descerá do céu, mas residirão no espaço reservado para as nações (Ap 21.10 e 24). 

Uma das regras da boa hermenêutica é que um texto não pode ser desvinculado do seu contexto. No verso 1 Jesus desafia seus discípulos a acreditarem em Deus Pai e nele mesmo. Fé é o requisito necessário para entender e aceitar que Deus é Rei soberano, e que somente através de Cristo é possível receber um lugar no reino eterno. Você já tem o seu lugar reservado?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Crer ou não crer, eis a questão!

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” – Jo 14.1

 

O título de hoje é uma releitura do ato III, cena I da tragédia “Hamlet”, um clássico de Willian Shakespeare. Parto do princípio que o “ser” é uma construção daquilo que se crê como verdade, e pela qual pautará a sua existência neste mundo. Por exemplo: Se alguém crê que honestidade é um valor a ser preservado e vivido, certamente será honesto em seus negócios e relacionamentos. 

Jesus propõe aos seus discípulos que eles creiam em Deus: que ele é a origem de todas as coisas visíveis e invisíveis; que é sustentador de toda a sua criação; que é soberano sobre absolutamente tudo o que existe. Mais do que um conhecimento geral (Jesus falou aos discípulos que eram judeus, e todo judeu que se preza acredita na existência de Deus) crer em Deus implicava na defesa desta verdade diante de qualquer pessoa, independentemente das circunstâncias em que esta apologia se fizesse necessária. Além disto, era preciso crer que este Deus também era pessoal, que se revelava ao indivíduo, que o transformava de criatura em filho amado. É neste ponto onde crer em Deus se estendia para crer também em Jesus, o autor e consumador da fé (Hb 12.2), o Cordeiro escolhido (Jo 1.29), a imagem visível do Deus invisível, o primogênito de toda a criação (Cl 1.15). 

Os discípulos conviviam com as constantes ameaças dos principais líderes religiosos contra a vida de Jesus; eram dias de incertezas e angústias.  Jesus apresentou-lhes a fé como fonte de paz e de sossego para a alma aflita e ansiosa, capaz de depositar toda esperança em Deus e em Jesus, onde confiavam que o futuro estava previsto e determinado desde a eternidade (Sl 139.16). 

Crer ou não crer era e é o que define o futuro eterno de cada pessoa. Quem crê está salvo, quem não crê já está condenado porque não creu no Filho de Deus (Jo 3.18); quem crê revela Cristo através do seu viver (Gl 2.20), quem não crê permanece debaixo da ira de Deus (Jo 3.36). 

Nossos dias não são melhores do que aqueles vividos pelos discípulos de Jesus: dias de incertezas e angústias. As palavras de Cristo devem ecoar nos ouvidos dos seus amados e os conclama a sossegar a alma na certeza da fé em Deus e nele próprio. Ouça a voz do Senhor e abandone-se aos seus cuidados, pois ele tem cuidado dos que nele crêem (1Pe 5.7).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel