Por que a Cruz?

A cruz é o elemento central da obra de Cristo, a Bíblia toda aponta para a cruz. O apóstolo Paulo em sua primeira carta aos Coríntios no segundo capítulo e segundo versículo afirma: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.”
Toda a Bíblia Sagrada aponta para Jesus Cristo, sua morte e ressurreição. Sua vida não foi marcada pelo pecado, ou seja, Cristo foi perfeito, não cometeu erros, não caiu em tentações. Seus extraordinários ensinamentos, milagres, foi importantíssimo, mas o ponto nevrálgico do seu ministério foi sua morte na cruz. Mas o que torna a morte de Cristo na cruz tão importante?
Jesus foi o substituto, morreu a nossa morte, entregou sua vida em nosso lugar. No primeiro livro da Escritura Sagrada encontramos a substituição que Ele faria, conforme vamos aprofundando nos livros, essa evidência se torna cada vez mais forte.
No livro escrito por Moises encontramos, Deus pedindo para Abraão oferecer Isaque, seu filho, como sacrifício. Ele obedece a voz do Senhor e no último instante o próprio Deus impediu Isaque de ser morto em sacrifício. Deus lhe mostrado um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos, como está registrado no livro do Gênesis no vigésimo segundo capítulo e décimo terceiro versículo; “tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.”
Observe que Deus pediu para Abraão oferecer seu filho a Deus, assim como Deus ofereceria seu próprio Filho em lugar de Abraão.
No décimo segundo capítulo e décimo terceiro versículo do Êxodo, os primogênitos do Egito foram mortos quando Deus enviou a décima praga, os primogênitos do povo de Deus não foram mortos porque um cordeiro foi morto em lugar deles, cujo sangue foi utilizado para marcar a porta das casas dos israelitas.
O profeta Isaías registra em seu livro no quinquagésimo terceiro capítulo, no quinto e sextos versículos, palavras extraordinárias tão profundas retratando o que aconteceria com Jesus Cristo, é como se ele estivesse diante da cruz quando, lei com atenção suas palavras: “Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos.”
Quando entramos no Novo Testamento encontramos a completa a ideia da substituição feita por Cristo, ao afirmar: “Carregando, Ele mesmo em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados.” Encontramos essas palavras em primeira Pedro capítulo primeiro no vigésimo quarto versículo.
Jesus nos substituiu na cruz. A morte de Cristo na cruz foi a nossa morte. Qual nós merecíamos, porém, jamais suportaríamos tamanho sacrifício.
Jesus foi condenado em nosso lugar, a morte de Cristo não foi nenhuma fraude, nem foi resultado de um erro jurídico, Deus nunca erra e seu julgar é perfeito, neste sentido Sua morte foi o cumprimento do propósito de Deus em condenar o pecado, aplicando juízo e justiça contra os condenados.
Imagina o momento que Jesus clamou em alta voz; “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, este registro encontramos no evangelho segundo Mateus no vigésimo sétimo capítulo, quadragésimo sexto versículo, quão difícil deve ter sido aquele momento. Aquele foi o momento em que Deus deixou Cristo sozinho, experimentando o peso do pecado ‒ Deus Pai virou as costas para o Deus Filho, seu amado Filho, porque estava se tornando condenado em lugar do pecador.
O apóstolo Paulo em sua carta aos Gálatas no terceiro capítulo e décimo terceiro versículo escreve; “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele próprio maldição em nosso lugar – porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro.”
O profeta Moises escrevo o livro de Deuteronômio, no vigésimo primeiro capítulo e vigésimo terceiro versículo encontramos as palavras; “o Seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus; assim, não contaminarás a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá em herança.”
A condenação de Cristo na cruz foi a nossa condenação.
Jesus é nosso Salvador, O Salvador, a obra de Cristo na cruz foi perfeita, plena, completa. Os nossos pecados foram despedaçados, destruídos, isso significa que a nossa dívida foi paga, quitada, não há mais qualquer débito em nossa conta diante do justo Juiz.
Jesus Cristo foi morto, morreu a morte de Cruz, foi sepultado, mas no terceiro dia Ele ressuscitou, venceu a morte, venceu o mau, venceu as trevas e nos resgatou, Glórias ao Nome do Nosso Senhor e Salvador. A ressurreição de Jesus Cristo e seu retorno para a glória, assentando-se à direita do Pai, garante a nossa ressurreição e nossa ida para a glória eterna. Louvado seja o Senhor!
Mas, para que Jesus se tornasse o Salvador, a cruz era o caminho inegociável, Cristo Jesus sabia disso. Ele não evitou a cruz, não correu da Cruz, muito pelo contrário, Ele foi em direção à cruz.
Nós evitamos a cruz, mas o lugar correto de encontrar o Salvador é na cruz, onde Ele nos substituiu e onde Ele foi condenado em nosso lugar ‒ a cruz é o lugar do encontro com Deus, onde nossos pecados foram pagos.
Tão somente aguardamos o Salvador, esse grande dia, e dia maravilhoso será quando Ele aparecerá entre as nuvens para nos levar à glória eterna com o Pai. Louvado é o Senhor! Que maravilhoso será esse dia.
A carta que o apóstolo Paulo escreve aos Colossenses no segundo capítulo e décimo quarto versículo está escrito; “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz.”
Neste sentido de forma extraordinária entendemos que somente aquele que, pela graça de Deus, aprendeu a gloriar-se na morte de Cristo é capaz de verdadeiramente, gloriar-se em sua ressurreição. A cruz e a coroa não podem ser separadas.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe a todos e vivamos para Cristo.

Rev. Cristiam Matos

Páscoa – Tempo de reflexão.

Desde os mais remotos tempos existem registros da religiosidade humana e sua prática em ofertar sangue aos seus deuses na tentativa de aplacar sua justiça ou manifestações da suas iras. O judaísmo não é diferente neste sentido. No Antigo Testamento podemos ver que o derramamento de sangue de animais está presente na liturgia do culto, seja no templo de Jerusalém seja em qualquer outro altar constituído para a adoração de Deus. 

A primeira reflexão que isto pode sugerir é que Deus não é tão diferente dos outros deuses. Na realidade ele é. Olhando para o por quê Deus permitiu estes sacrifícios inicialmente encontramos uma resposta: são símbolos imperfeitos que apontam para um sacrifício perfeito que estava por vir; debaixo desta perspectiva encontramos a resposta para as palavras registradas pelo profeta Oséias (6.6): Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”; não foi sem motivo que Jesus citou este texto para os fariseus (Mt 9.13) e e outra ocasião disse para este mesmo grupo:  “Mas, se vós soubésseis o que significa: misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes”; entendemos que esta segunda fala diz respeito à sua própria pessoa que seria entregue como um “sacrifício vivo” pelo bem de Israel (Jo 11.49-52 – leia, é importante!).

A segunda reflexão que podemos fazer sobre o sacrifício pascal é que ele não é perfeito. É realizado por pessoas imperfeitas – tanto o adorador quanto o sacerdote – e ano a ano se repetem sem, contudo, produzir um efeito duradouro (Hb 10.1 – leia, é importante!). Não existe oferta humana capaz de ser perfeita, e muito menos de tornar perfeitos os ofertantes. 

Isto nos conduz a uma terceira reflexão sobre a páscoa (que significa “passagem” e retrata a vinda temporária de Deus entre seu povo trazendo vida aos que crêem [tem o sinal do sangue], e morte aos descrentes) . Esta ponderação é retirada do registro da última ceia de Jesus celebrada em plena páscoa judaica; ali Jesus substitui o sacrifício do cordeiro por pão e vinho, cuja presença em celebrações futuras deve conduzir o adorador à compreensão de que o simbolismo latente em tais elementos evoca lembranças do sacrifício vicário do Cordeiro de Deus – sua carne e seu sangue – derramado em favor de muitos (não de todos) para a remissão de pecados (Mt 26.28); este é o único sacrifício verdadeiramente perfeito e aceitável aos olhos de Deus. 

Páscoa é tempo de reflexão. Páscoa é tempo de pensar sobre nossa religiosidade, nossos ritos e símbolos. Páscoa é tempo de lembrar que o único sacrifício válido aos olhos de Deus para perdoar nossos pecados é encontrado na cruz de Cristo. Páscoa é tempo para pessoas inteligentes reconhecerem a passagem de Deus no mundo, a vida que ele concede aos que crêem, e a morte que está e se fará presente aos incrédulos. 

Uma boa e abençoada páscoa a todos!

Rev. Joel