A paz que tanto almejo.

Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação” – Lc 2.29-30

 

Dia 29/09 nosso irmão Guilherme Krelling foi promovido à glória eterna. Em uma das últimas conversas com ele perguntei se estava tranquilo com a proximidade da morte. Ele tinha conhecimento da sua condição de saúde (talvez não da gravidade dela), mas estava sereno com a situação. Não tinha dores, somente uma tontura constante que ora era mais branda, outras vezes mais intensa. A resposta dele foi: estou em paz

Paz é um sentimento extremamente importante. Quem tem paz está de bem com Deus, está com sua vida equilibrada, sente-se envolto por um sentimento de gratidão. A grande pergunta é: como podemos ter a verdadeira paz? Sim, aquela que independe das circunstâncias que vivemos, das dores que possuímos, da saúde que Deus permite? Paz que permanece inalterada  mesmo em meio de perigos e conflitos; paz que as pessoas buscam e nem sempre conseguem. Onde está esta paz? Como alcançá-la?

O verso citado faz parte de uma história de vida onde o personagem é Simeão. Ele era um homem idoso, justo e piedoso. Sua vida toda foi caracterizada por estas qualidades que são forjadas desde a mais tenra idade; sabedores disto entendemos que caráter e fé são os fundamentos para se ter esta paz verdadeira. 

Simeão era um homem à beira da morte porque estava idoso e cansado, coisas próprias de quem viveu muitos dias. Apesar disto, o fim da vida não lhe tirava a paz nem tampouco esmaecia sua fé nas promessas de Deus – ele acreditava que veria o Cristo, o Enviado, o Messias esperado. Simeão aguardava a consolação de Israel. Ele vivia num tempo onde o Messias era apenas uma promessa que ainda não havia sido manifestada ao povo de Deus. 

Da história deste homem fica visível seu relacionamento pessoal e íntimo com  o Espírito Santo de Deus. Simeão ouvia sua voz e acreditou nas promessas que lhe foram feitas.  Havia uma sensibilidade, um caminhar constante. Quem ouve a voz de Deus não perde o sossego ao saber que sua vida em breve se findará; não perde a paz porque sabe que a morte não é uma inimiga (apesar de revelar nossa finitude e impotência), mas sim uma amiga que conduz à nova vida ao lado de Deus. 

Outro fato bastante relevante é que ao ouvir a voz de Deus Simeão foi conduzido ao templo para ver a glória revelada. Não seria revelado em casa, na rua, na praça ou em qualquer outro lugar que não fosse o templo, a casa de Deus, o lugar onde a graça se torna real, material e eficaz. Observe que a idade e a saúde não foram empecilhos para que Simeão não atendesse à voz do seu Senhor. Quem quer alcançar a paz ouve a voz de Deus e vai para a igreja.

Simeão teve a oportunidade de ter em seus braços a esperança de Israel. Ele viu a concretização das promessas divinas e se sentiu realizado nisto. Com sua atitude Simeão deixou uma mensagem de boas novas para as pessoas da sua e da nova geração. Ele profetizou a respeito do menino Jesus, revelou quem ele haveria de ser no futuro, e trouxe esperança para o coração de José e Maria. Repartiu com todos a sua esperança e sua fé.

Simeão orou ao Senhor dizendo-lhe que agora já poderia despedir em paz o seu servo. Entendeu que sua vida poderia seguir em frente, ir para um outro plano – o plano eterno ao lado do Senhor que tanto amava. Seu coração e sua alma estavam em paz. 

Desta pastoral ficam algumas perguntas para que você responda diante de Deus: Você está em paz? Se agora fosse a hora de sua partida, estaria preparado para deixar este tempo cronológico e adentrar no tempo da eternidade com a sensação de dever cumprido, de que foi útil até o fim? 

Que Deus o abençoe e lhe dê a paz que tanto almeja.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

A paz de Deus.

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” – Jo 14.27

 

Por mais estranho que pareça, Jesus reconhece que o mundo busca a paz. Qualquer governo se empenha para que exista paz entre seus patrícios e em seus territórios. Um povo insatisfeito tende a promover revoltas e confrontos com as autoridades policiais, o que gera instabilidade e desassossego generalizado. Basta lembrar as recentes manifestações nos EUA em virtude da violência atribuída aos policiais “brancos” contra as pessoas de cor. 

A paz que o mundo oferece é efêmera, aparente e inconstante. Muitas vezes os governos justificam o uso da força militar (e os rebeldes também o da força paramilitar) para o que chamam de “manutenção” da paz.  Tanto uns quanto outros querem a paz, mas estão dispostos a fazer guerra para consegui-la – este é o paradoxo da paz que o mundo está disposto a oferecer. 

A paz que Jesus se refere é pessoal, concedida especificamente para um indivíduo que tem um relacionamento com o Senhor. É uma paz que invade a alma, que preenche o coração, que dá sentido a própria vida (Sl 85.8; Fl 4.7; 1Ts 5.23), que faz confiar em Deus mesmo em tempos difíceis (Sl 27.3). 

Nosso tempo é marcado por inseguranças, violências e incertezas. Mais do que nunca a paz de Deus se faz necessária aos seus filhos. Jesus concede esta paz gratuitamente, como expressão de sua graça e seu amor. Não é uma paz conquistada, mas sim outorgada e, portanto, entregue voluntariamente. Jesus demonstrou sua boa vontade para conosco na cruz do Calvário, e em sua palavra nós podemos confiar.

Você já tem esta paz que Jesus oferece?

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel