Pastores para uma geração enclausurada.

Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” – Jo 10.11

 

Não há como negar que a presente geração é muito diferente da anterior. Minha geração viu transformações e avanços significativos. Objetos que antes era de uso comum hoje são vistos apenas em museus ou nas residências que ainda insistem em manter alguma memória. Por exemplo: o aparelho telefônico de disco. Muitos jovens só conhecem isto através de imagens da internet ou filmes de época. Minha geração era aquela que gostava de sair, conversar ao ar livre, de participar de acampamentos rústicos (muitas vezes sem água quente nos chuveiros); a presente geração gosta de ficar no seu canto, de conversar via whatsapp e mandar emojis, de “acampar” em hotel. 

O que estas gerações têm em comum? O fato de que somos todos pecadores e carecemos da graça e da glória de Deus. Se antes os pastores (homens escolhidos por Deus, salvos por Cristo e santificados pelo Espírito e imbuídos da sublime tarefa de ser guia espiritual) precisavam atender as demandas e anseios das gerações que estavam no mundo “físico”, agora precisam atender àqueles que estão no mundo chamado “virtual”. Ilude-se quem imagina que o trabalho do pastor tornou-se mais fácil ou simples; pelo contrário, pois as pessoas continuam tão carentes quanto antes e precisam de atenção, de envolvimento, de calor humano que uma máquina não pode oferecer. Só tem dimensão do poder de um abraço aquele que está com hipotermia, cuja vida depende da regularização da temperatura corporal. Talvez esta fala tenha ainda maior significado (conteúdo) e significância (valor) nestes tempos de “afastar-se de abraçar” (Ec 3.5). 

Sei que você precisa de um bom pastor. Um que seja conforme o exemplo de Cristo, um que ame você e seus irmãos ao ponto de entregar a própria vida, que a desgaste no serviço do Senhor, que apascente com conhecimento e inteligência segundo o coração de Deus (Jr 3.15). 

Sei que não existe pastor perfeito. Todos são homens falhos, sujeitos à tentação, muitas vezes sobrecarregados mental, emocional e espiritualmente. 

Sei que pastor não é “adivinho” (até mesmo porque a adivinhação é proibida por Deus) e não consegue saber exatamente o que você precisa se você não compartilhar seus sentimentos e pensamentos; ele não “sabe” quando você adoece se não for avisado, e não pode orientar se não tem idéia de que você está perdido e onde está perdido. O bom pastor não dá ouvido a boatos ou fofocas porque precisa de fonte confiável, de “primeira mão” para ser verdadeiramente útil. 

Sei que você espera um pastor que vá até você, e que você se ressente quando ele não faz isto. Sei que você faz parte desta geração que tem carências e está acostumada a ser tratada como cliente, que exige respeito e atendimento na hora da necessidade. Em momento algum imagino que um bom pastor seja ausente porque decidiu ser assim ou porque despreza ou ignora a dor do seu rebanho; o que sei é que ele não é multitarefa e nem tampouco é onipresente. 

Creio que a solução está no meio do caminho. O pastor deve se dispor a quebrar alguns paradigmas e entender a nova geração sem deixar de atender a geração anterior. Da mesma forma as ovelhas devem sair da clausura e vir ao seu encontro, oferecer informações e, se for o caso, até mesmo sua ajuda para atender outras pessoas. A internet pode ser uma boa aliada e não necessariamente um estorvo para este encontro. Sei que os bons pastores amam suas ovelhas, e sei também que as ovelhas devem amar seus pastores; e nesta relação de amor todos saem ganhando. No final, tudo se resume ao amor.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel