O Deus que responde.

“No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes” – Sl 86.7 

 

Um dos privilégios em servir ao Deus verdadeiro é receber respostas para as perguntas levantadas nos momentos de grande aflição. Em meio a tantas deidades que o mundo apresenta e reconhece como reais somente Deus é capaz de responder as orações de seus servos. Para exemplificar recorro ao episódio onde o profeta Elias, no cimo do monte Carmelo, enfrentava os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo (Aserá – uma deusa babilônica [Astarte] e cananéia [da fortuna e felicidade], a suposta esposa de Baal). Ele lançou um desafio justamente sobre qual Deus respondia as orações e, portanto, era o Deus verdadeiro (1Rs 18.24); seus adversários tentaram de todas as formas alcançar o favor de seus deuses com danças ao redor do sacrifício (v.26), gritos (v.28), e até mesmo derramando o próprio sangue (v.28), mas não obtiveram resposta. Elias zombou deles e das suas orações vazias (v.27). Findo o tempo dedicado a eles, Elias orou ao Senhor e ele respondeu com fogo do céu que consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a terra e secou a água que havia sido despejada sobre o altar. 

O tempo passa, mas a humanidade continua a mesma – decaída e pecadora – sempre em busca de falsos deuses. No tempo da angústia recorrem ao vento e querem ouvir sussurros nas brisas; nós, ao contrário, recorremos ao Senhor. É maravilhoso entender que não precisamos levantar o tom da nossa voz porque nosso Deus não é surdo e nem está longe do nosso clamor; da mesma forma com alegria  reconhecemos que não há necessidade de recorrer a entonações lamuriosas em busca do favor divino porque nosso Deus sabe muito bem do que precisamos antes mesmo que pronunciemos qualquer palavra (Mt 6.32). Nós simplesmente oramos ao Senhor numa conversa respeitosa, leal, sincera e aberta onde colocamos aos seus pés nossa fragilidade, falta de sabedoria e inquietações, e confiamos que Ele há de nos responder em seu tempo e da forma que bem escolher (pode ser pela sua Palavra, por um servo que compartilha a Palavra, por eventos que nos cercam, pelo Espírito que fala ao nosso espírito e confirma que somos filhos de Deus [Rm 8.16]). 

Nosso Deus não nos livra dos problemas e aflições que criamos e nem tampouco daqueles que ele mesmo nos reservou em sua presciência, mas está ao nosso lado o tempo todo, nos ouve com carinho e responde as nossas orações. 

Que diremos à vista destas coisas? Louvado seja Deus a quem recorremos e que responde as nossas orações!

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel 

 

Orando e trabalhando pela progressão da Igreja.

Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” – Cl 1.9

 

O apóstolo Paulo visitou diversas igrejas e as fortaleceu na Palavra. Ele era um mestre por excelência, mas também era um pastor acima de tudo. Ele sabia o que estava ensinando, mas a aplicação da Palavra nos corações é obra do Espírito Santo de Deus que abre a mente para a compreensão das coisas espirituais; é por isto que Paulo se coloca em oração por aqueles irmãos para que a ação de Deus seja completa, o que transparece na referência ao conhecimento, sabedoria e entendimento. Estes três dizem respeito ao processo de entrada da informação na mente, o processamento dela e a valorização que se dará a esta informação ao incorporá-la ao caráter. O saber é a informação primária que vem pela pregação da Palavra e que irá produzir a fé (Rm 10.17). Paulo é o instrumento desta informação primária apresentando a eles a vida e obra de Cristo, sua morte e sua ressurreição. Digno de nota é que Paulo estava sob o poder do Espírito Santo e, movido por ele, instrui aquelas pessoas a respeito do reino. Ato contínuo, este mesmo Espírito passa a agir na vida daquele que ouve a Palavra trazendo um entendimento que vem do alto. Esta ação não acontece na vida de todas as pessoas que ouvem o evangelho – e por isto não terão condições de entender e receber a Cristo como seu Senhor e Salvador; apenas aqueles a quem o Senhor conceder esta graça é que entenderão, isto é, conseguirão processar a informação obtida na pregação e entendê-la como verdade absoluta; somente após este estágio é que o conhecimento de fato se estabelece como tal e promove intimidade com Deus ao ponto de saber qual é a sua vontade divina. É o conhecimento que revela o plano geral de Deus para a salvação dos eleitos de tal forma que eles não poderão se opor à graça divina; é o que Calvino chamou de “graça irresistível”. 

Destarte, duas coisas sobressaem deste texto e nos desafiam no dia de hoje: 1) Precisamos pregar o evangelho a toda criatura. Isto é ordem de Deus, e se não ouvirem, como crerão?  (Rm 10.14). 2) Precisamos orar ao Senhor para que haja verdadeiro entendimento da Palavra entre os irmãos, e que este produza conhecimento, isto é, intimidade com o Senhor e sua igreja.

Vamos repartir o conhecimento que possuímos com aqueles que nada têm? Vamos orar para que a graça e a misericórdia de Deus os alcance, que seu Santo Espírito os convença, e que haja verdadeira salvação?

Uma frase atribuída a Lutero diz: “Orae et laborae!” (ore e trabalhe). Vamos atender a este desafio?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Pessoas de oração.

Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai” – Ef 3.14


O apóstolo Paulo era um homem de ação e isso é facilmente observável nas páginas sagradas do livro de Atos dos Apóstolos. Este homem usado por Deus também se dedicava ao estudo e à oração. Através da Bíblia ele conhecia mais a Deus, e através da oração ele mantinha viva a chama da fé, renovava suas forças no Senhor e fortalecia seu caráter cristão. Esta prática piedosa é extremamente necessária se queremos ser homens e mulheres de Deus. 

Paulo escreveu para os irmãos de Éfeso e, dentro dos muitos assuntos abordados, ele revela seu ministério pastoral e sua amizade sincera ao orar por aqueles amados irmãos que estavam longe de seus olhos, mas perto de seu coração. Os versos seguintes (3.15-19) apresentam algumas informações que alegram e fortalecem a alma dos filhos de Deus, as quais quero compartilhar com os amados:

1) Deus cuida dos crentes de hoje e dos que já estão na glória. Todos fazem parte da grande família da fé onde o Pai zela com amor e carinho. 2) Paulo ora ( e nós devemos orar também!) para que todos os irmãos sejam fortalecidos com tal poder espiritual que sejam habitação para o Filho de Deus e os laços fraternos se entrelacem cada vez mais. 3) A intercessão também abrange as faculdades mentais para que os cristãos possam crescer no conhecimento de Deus em todos os sentidos (v18) e ter intimidade com este grande amor de Cristo (19). 

Bem sei que os amados oram ao Senhor. Sei que oram por si mesmos e por aqueles a quem amam. Sei que oram pela igreja e por estes mesmos motivos que Paulo orou. Continuem a orar porque Deus tem cuidado de nós, tem nos fortalecido em Cristo e nos tem dado a oportunidade de aprofundar nossos laços com ele e uns com os outros. 

Louvado seja Deus pela vida de cada um dos irmãos; rogo ao Senhor que continue a ouvir suas orações e atendê-las conforme sua graça e misericórdia, para nossa alegria e para sua honra e glória. 

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel.

Intocáveis.

Homem de grande ira tem de sofrer o dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo” – Pv 19.19

 

Não, não é sobre aquele filme famoso que quero falar. Estou pensando nas milhares (senão milhões) de pessoas que se sentem acima das regras, da moral e da ética. Não são intocáveis porque são extremamente fortes, hábeis combatentes, prontos para meter medo no mais corajoso homem da lei; são intocáveis porque lhes foi permitido serem assim.

Os intocáveis surgem na infância. Diferente das outras crianças, algumas são agressivas, gritalhonas, insuportáveis de aturar. Para acalmá-las usa-se o método mais simples e eficaz: ceder aos caprichos da criança. Assim ela faz o que quer, quando quer, da forma que bem entende; e assim domina todos os que estão ao seu redor. Infelizmente o número de crianças assim tem crescido exponencialmente, até mesmo por conta da filosofia de ensino moderno onde a criança não pode ser frustrada para não crescer com traumas emocionais ou psicológicos. Por mais estranho que pareça o resultado final é justamente o contrário: o que mais se vê nos consultórios psiquiátricos ou clínicas psicológicas são pessoas “traumatizadas” porque, mesmo tendo conseguido tudo o que queriam, jamais amadureceram: vivem a síndrome de “peter pan”  ou sofrem do complexo de “cinderela” (quer um príncipe, uma família maravilhosa, filhos obedientes – tudo num passe de mágica! – mas também querem bailes e prazeres carnais sem responsabilidades). 

Diz um ditado antigo que “é de pequeno que se torce o pepino”. A origem deste vem da lida agrícola, da forma com que se cultiva este fruto que precisa de atenção nos seus primeiros dias de desenvolvimento. Voltando ao ditado, ele é aplicado à criança pequena com a intenção de corrigi-la na mais tenra idade para que mais tarde não se torne uma pessoa amarga e difícil de lidar. 

Uma vez criado o devido “pano de fundo” ou contextualização, podemos retornar ao verso de Provérbios. Lá está expresso claramente que o homem (ou criança) de grande ira, que tem rompantes de violência física, psicológica ou verbal precisa ser devidamente corrigido, confrontado, responsabilizado por seus atos. Não importa se os resultados da ira são grandes ou pequenos, justificáveis ou não; o que precisa acontecer é a disciplina – o ato pelo qual o infrator é devidamente “enquadrado” pela lei, pela moral e pela ética. Não é fácil fazer isto em tempos onde a filosofia do mundo apela para que todos “pensem e ajam fora do quadrado” (não se assuste: esta é a nova proposição para quebrar paradigmas antigos e estabelecer novos horizontes de liberdade [ou seria melhor dizer “libertinagem”?]). Pensar fora do quadrado é sair do cercado, do conhecido, daquilo que oferece uma estrutura segura para aventurar-se no desconhecido. Quanto mais pensar e agir fora da caixa for algo a ser incentivado e desejado, maior serão os malefícios para a sociedade em geral. Por exemplo: parlamentares pensam fora da caixa e por isto possuem “caixa 2” (para campanha eleitoral futura), “caixa 3” (para fazer um “pé de meia” sem pagar impostos ou cair na malha fina) e às vezes um “caixa 4” (mensalinhos ou coisas semelhantes). Como a justiça é ineficiente para coibir, mais e mais parlamentares passam a pensar fora da caixa (dando nomes criativos para substituir o que suas ações são de fato: roubos), e assim produzem profundos prejuízos ao erário público que, em última análise, é o seu e o meu dinheiro de impostos e taxas que já consideramos abusivos. 

Sejam crianças, sejam adultos, o provérbio é sábio em alertar: Se nada for feito eles vão continuar a fazer aquilo que irrita, que lesa, que prejudica. 

Você tem filhos? Discipline-os com amor para que não se tornem pessoas ruins no futuro.  Você se depara com pessoas iracundas, que querem ganhar tudo no grito? Oponha-se gentilmente reforçando os valores éticos, morais, legais e espirituais para que tais pessoas saibam que com você o procedimento deles “não cola”. Você tem o poder para denunciar os maus? Então faça isto como uma expressão de amor por aqueles que estão sendo explorados, e para que os maus não prosperem. 

No mais, oração e jejum são grandes instrumentos da parte de Deus. Orem por estes inimigos do povo, por estes opressores, por estes indisciplinados que querem levar vantagem em tudo. Ore para que o Senhor os converta de seus maus caminhos. 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel