Páscoa – Tempo de reflexão.

Desde os mais remotos tempos existem registros da religiosidade humana e sua prática em ofertar sangue aos seus deuses na tentativa de aplacar sua justiça ou manifestações da suas iras. O judaísmo não é diferente neste sentido. No Antigo Testamento podemos ver que o derramamento de sangue de animais está presente na liturgia do culto, seja no templo de Jerusalém seja em qualquer outro altar constituído para a adoração de Deus. 

A primeira reflexão que isto pode sugerir é que Deus não é tão diferente dos outros deuses. Na realidade ele é. Olhando para o por quê Deus permitiu estes sacrifícios inicialmente encontramos uma resposta: são símbolos imperfeitos que apontam para um sacrifício perfeito que estava por vir; debaixo desta perspectiva encontramos a resposta para as palavras registradas pelo profeta Oséias (6.6): Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”; não foi sem motivo que Jesus citou este texto para os fariseus (Mt 9.13) e e outra ocasião disse para este mesmo grupo:  “Mas, se vós soubésseis o que significa: misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes”; entendemos que esta segunda fala diz respeito à sua própria pessoa que seria entregue como um “sacrifício vivo” pelo bem de Israel (Jo 11.49-52 – leia, é importante!).

A segunda reflexão que podemos fazer sobre o sacrifício pascal é que ele não é perfeito. É realizado por pessoas imperfeitas – tanto o adorador quanto o sacerdote – e ano a ano se repetem sem, contudo, produzir um efeito duradouro (Hb 10.1 – leia, é importante!). Não existe oferta humana capaz de ser perfeita, e muito menos de tornar perfeitos os ofertantes. 

Isto nos conduz a uma terceira reflexão sobre a páscoa (que significa “passagem” e retrata a vinda temporária de Deus entre seu povo trazendo vida aos que crêem [tem o sinal do sangue], e morte aos descrentes) . Esta ponderação é retirada do registro da última ceia de Jesus celebrada em plena páscoa judaica; ali Jesus substitui o sacrifício do cordeiro por pão e vinho, cuja presença em celebrações futuras deve conduzir o adorador à compreensão de que o simbolismo latente em tais elementos evoca lembranças do sacrifício vicário do Cordeiro de Deus – sua carne e seu sangue – derramado em favor de muitos (não de todos) para a remissão de pecados (Mt 26.28); este é o único sacrifício verdadeiramente perfeito e aceitável aos olhos de Deus. 

Páscoa é tempo de reflexão. Páscoa é tempo de pensar sobre nossa religiosidade, nossos ritos e símbolos. Páscoa é tempo de lembrar que o único sacrifício válido aos olhos de Deus para perdoar nossos pecados é encontrado na cruz de Cristo. Páscoa é tempo para pessoas inteligentes reconhecerem a passagem de Deus no mundo, a vida que ele concede aos que crêem, e a morte que está e se fará presente aos incrédulos. 

Uma boa e abençoada páscoa a todos!

Rev. Joel

A soma dos nossos dias.

Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade” – Sl 39.4

 

Parece insanidade querer saber o dia da própria morte, mas é exatamente isto que o salmista está pedindo ao Senhor. Ele queria saber quanto tempo ainda lhe restava para, de alguma forma, chegar ao conhecimento de algo maior, mais profundo, mais intenso. 

O que você faria se tivesse este conhecimento? Se Deus revelasse a “soma dos seus dias”, em que isto o beneficiaria? Pecadores não transformados estariam propensos a fazer grandes festas, contrair imensas dívidas e vivem nababescamente seus últimos dias; já os redimidos se dedicariam em valorizar o tempo com seus entes queridos e a ajudar o próximo, bem como a colocarem em ordem a sua casa de tal maneira que nada ficasse inacabado ou por dizer. 

A reflexão sobre a soma dos seus dias levou o salmista à compreensão que a vida é tão “rápida” neste mundo, e por isto comparou o tempo restante ao comprimento de alguns palmos, e a validade do prazo como algo “curto” demais; além disto, a sensação de firmeza e longevidade considerou como “pura vaidade” (v.5) e os bens adquiridos como propriedades que serão dissipadas sem seu conhecimento e consentimento. (v.6).

É assustador refletir sobre o tempo que nos resta. Provavelmente é por isto que as pessoas de um modo geral não pensam a este respeito – principalmente porque uma parcela significativa da humanidade não sabe para onde irá após a morte. Não fazem perguntas para não ouvirem respostas que não desejam…

O salmista não sofria deste mal. No verso 7 ele deixa claro que toda a sua esperança estava depositada no Senhor, e no verso 12 suplica ao Todo Poderoso que ouça suas preces, veja suas lágrimas e considere sua condição de forasteiro e peregrino neste mundo. O verso 13 revela que o salmista desejava que Deus desviasse dele o olhar; este olhar a que se refere diz respeito ao olhar de juiz, de quem vê o íntimo do coração e perscruta os recônditos mais escuros da alma. O olhar de juiz o salmista queria que lhe fosse desviado, porém desejava ardentemente o olhar misericordioso, aquele que oferece alento, que renova as forças, que dá esperança para que seus dias neste mundo fossem úteis antes que viessem a acabar. 

É fato que Deus determinou para cada pessoa um tempo definido (Sl 139.16; Jó 14.1-6), e isto significa que eu e você também estamos com nossos dias contados. A grande pergunta é: o que você tem feito com o tempo que Deus lhe concede?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

 

A paz que tanto almejo.

Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação” – Lc 2.29-30

 

Dia 29/09 nosso irmão Guilherme Krelling foi promovido à glória eterna. Em uma das últimas conversas com ele perguntei se estava tranquilo com a proximidade da morte. Ele tinha conhecimento da sua condição de saúde (talvez não da gravidade dela), mas estava sereno com a situação. Não tinha dores, somente uma tontura constante que ora era mais branda, outras vezes mais intensa. A resposta dele foi: estou em paz

Paz é um sentimento extremamente importante. Quem tem paz está de bem com Deus, está com sua vida equilibrada, sente-se envolto por um sentimento de gratidão. A grande pergunta é: como podemos ter a verdadeira paz? Sim, aquela que independe das circunstâncias que vivemos, das dores que possuímos, da saúde que Deus permite? Paz que permanece inalterada  mesmo em meio de perigos e conflitos; paz que as pessoas buscam e nem sempre conseguem. Onde está esta paz? Como alcançá-la?

O verso citado faz parte de uma história de vida onde o personagem é Simeão. Ele era um homem idoso, justo e piedoso. Sua vida toda foi caracterizada por estas qualidades que são forjadas desde a mais tenra idade; sabedores disto entendemos que caráter e fé são os fundamentos para se ter esta paz verdadeira. 

Simeão era um homem à beira da morte porque estava idoso e cansado, coisas próprias de quem viveu muitos dias. Apesar disto, o fim da vida não lhe tirava a paz nem tampouco esmaecia sua fé nas promessas de Deus – ele acreditava que veria o Cristo, o Enviado, o Messias esperado. Simeão aguardava a consolação de Israel. Ele vivia num tempo onde o Messias era apenas uma promessa que ainda não havia sido manifestada ao povo de Deus. 

Da história deste homem fica visível seu relacionamento pessoal e íntimo com  o Espírito Santo de Deus. Simeão ouvia sua voz e acreditou nas promessas que lhe foram feitas.  Havia uma sensibilidade, um caminhar constante. Quem ouve a voz de Deus não perde o sossego ao saber que sua vida em breve se findará; não perde a paz porque sabe que a morte não é uma inimiga (apesar de revelar nossa finitude e impotência), mas sim uma amiga que conduz à nova vida ao lado de Deus. 

Outro fato bastante relevante é que ao ouvir a voz de Deus Simeão foi conduzido ao templo para ver a glória revelada. Não seria revelado em casa, na rua, na praça ou em qualquer outro lugar que não fosse o templo, a casa de Deus, o lugar onde a graça se torna real, material e eficaz. Observe que a idade e a saúde não foram empecilhos para que Simeão não atendesse à voz do seu Senhor. Quem quer alcançar a paz ouve a voz de Deus e vai para a igreja.

Simeão teve a oportunidade de ter em seus braços a esperança de Israel. Ele viu a concretização das promessas divinas e se sentiu realizado nisto. Com sua atitude Simeão deixou uma mensagem de boas novas para as pessoas da sua e da nova geração. Ele profetizou a respeito do menino Jesus, revelou quem ele haveria de ser no futuro, e trouxe esperança para o coração de José e Maria. Repartiu com todos a sua esperança e sua fé.

Simeão orou ao Senhor dizendo-lhe que agora já poderia despedir em paz o seu servo. Entendeu que sua vida poderia seguir em frente, ir para um outro plano – o plano eterno ao lado do Senhor que tanto amava. Seu coração e sua alma estavam em paz. 

Desta pastoral ficam algumas perguntas para que você responda diante de Deus: Você está em paz? Se agora fosse a hora de sua partida, estaria preparado para deixar este tempo cronológico e adentrar no tempo da eternidade com a sensação de dever cumprido, de que foi útil até o fim? 

Que Deus o abençoe e lhe dê a paz que tanto almeja.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Os valentes também caem.

Como caíram os valentes, e pereceram as armas de guerra!” – 2Sm 1.27

 

Quanto mais a pandemia perdura, mais vítimas fatais ela faz. O mundo contabiliza quase 1 milhão de mortos e dentre eles muitos cristãos fiéis ao Senhor. Como entender – e aceitar – estas baixas no cristianismo? Seria falta de fé? Desobediência? Pecados não confessados?

Nenhuma das três hipóteses se aplica a este momento. O primeiro fato relevante que devemos contemplar é que esta pandemia não é uma disciplina do Senhor para corrigir especificamente seus filhos e ceifar suas vidas neste mundo. Outro fato é que esta pandemia não está vinculada à fé – ou a falta dela -, mas é uma permissão divina para revelar ao mundo que o homem não está no controle, apesar dele desejar ardentemente “brincar de Deus” e manipular elementos genéticos fazendo prospecções dos seus resultados a curto, médio e longo prazo. Não há dúvida que esta pandemia existe por causa do pecado do homem, mas ela apenas serve de instrumento nas mãos de Deus para propósitos que os homens não conseguem alcançar. 

Voltando aos valentes de Deus que tombam no processo, qual seria o motivo? Foram eles “colhidos” antes do tempo? Não! A palavra de Deus é clara em afirmar que todos nós temos um tempo determinado pelo Senhor e que, findo este, independentemente se achamos que é pouco ou muito, Deus recolhe aos tabernáculos eternos os que são seus. A forma como isto acontece – seja uma enfermidade, idade avançada, acidente, violência urbana, falência de órgãos ou qualquer outro meio – pertence exclusivamente ao Senhor. 

Se nossa morte já está definida e determinada (Sl 139.16; Jó 14.5), porque angustiar-se ao vê-la se aproximar? A angústia vem por causa da dor e do sofrimento que muitas vezes a acompanha. Ninguém gosta de sofrer ou ter dores, nem tampouco de ver aqueles que amamos passando por este processo. Porém, quando a morte se instala devemos recebê-la como a amiga que recepciona e nos abre o portal da eternidade, que põe fim ao mundo cronológico como conhecemos e nos introduz no mundo eterno de Deus onde habitaremos para sempre. É normal e aceitável que os que ficam sintam falta, saudades, sintam tristeza e um aperto no peito porque desejam que seus entes queridos permaneçam mais um pouco; porém, os que são cristãos de fato contam com a consolação do Espírito Santo que confirma em seus corações a graça e as promessas de acolhimento do Senhor. 

Precisamos lembrar sempre que cristianismo não é “vacina” contra pandemia ou outra doença qualquer, nem tampouco é uma redoma que protege o fiel de todo e qualquer perigo a que esteja exposto. Ser cristão é estar preparado para encontrar-se com o Criador a qualquer momento, seja qual for o motivo e a idade que possua, com paz e tranqüilidade de quem está na presença do Pai amoroso que abriga em seus ternos e eternos braços. 

Você está preparado para encontrar-se com o seu Criador?

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel