Oração de Moisés, homem de Deus – Salmo 90

Essa oração encontrada em Salmo 90 qual faz parte do quarto livro dos salmos, é atribuído a Moisés. Este salmo contrasta a “eternidade de Deus” com a “brevidade do homem”, os temas propostos em algumas versões são esses; A fraqueza do homem e a providência de Deus (Corrigida); A eternidade de Deus e a transitoriedade do homem (Atualizada); A eternidade de Deus e a brevidade da vida do homem (Almeida, Século 21); Oração de Moshe, o homem de Deus (Bíblia Judaica Completa). Para a pastora usaremos como título a Oração de Moisés, homem de Deus como proposto na versão Judaica Completa.
Moisés foi um grande profeta, escolhido por Deus, seus atos, feitos, e as leis enviada do nosso Deus aos homens estão relatadas em Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio que somando ao Gênesis formam o Pentateuco.
Este texto demonstra que Deus sempre existiu, desde a eternidade é o Deus, único e eterno. O Senhor em sua benevolência, amor, misericórdia deixou que nós o conhecêssemos e chamou-nos para louvor e adoração ao Seu Santo nome, ao Deus Eterno, pelo que Ele é.
Moisés considerava Deus como “refúgio”, e isso era muito importante considerando as dificuldades enfrentadas pelo povo. Esse refúgio era o Deus eterno, cuja existência era anterior a qualquer coisa na face da terra. Tudo foi criado por Deus, bastou o Senhor ordenar para que tudo se criasse. Moisés demonstra que o Senhor é seu refúgio e não há outro lugar para abrigo a não ser no Senhor, que é forte, a nossa fortaleza, a alma de Moisés tinha sede de Deus. Moisés nos versículos primeiro e segundo demonstra Deus, como O Eterno.
Moisés também sabe que o homem é frágil, nos versículos terceiro ao décimo segundo retrata o homem, como um ser frágil, pecador, que não pode ser comparado com o Deus eterno. Deus tem todo poder, é justo, puro, perfeito em tudo o que faz, e o homem é fraco com falhas pois não consegue agradar ao Pai. O homem não é eterno em si, o homem é pó, sua vida passa como um sono ou como uma planta que, rapidamente, murcha e desaparece. O homem precisa do Senhor para que tenha vida, sem o Senhor ele está morto, perdido, condenado.
Além de ser frágil, é também pecador, cuja vida se desenvolve perante os olhos do Deus eterno. Todos os seus pecados são vistos e testemunhados por Deus, que está aguardando o dia final para descarregar sua ira e maldição contra os quebradores de sua Lei. Porque tudo passa rapidamente, mais cedo do que o homem imagina, estará diante de Deus e se defrontará com sua ira. O Senhor ira comparar nossa vida com a dEle, nossos atos com os dEle, pois em sua perfeição, não merecemos nada além de sua ira eterna, por sermos pecadores, indignos de seu amor. Contudo, Moisés clama a Deus, pedindo por sua compaixão e benignidade. O mesmo pecador que está na mira da ira de Deus pode experimentar dias alegres na presença do Senhor. Observe atenciosamente os versículos nono e décimo quarto, encontramos a frase “todos os nossos dias”. O nono mostra que somos alvo da ira de Deus, enquanto no décimo quarto versículo, “todos os nossos dias”, são de alegria diante do Senhor. Então, o mesmo Deus que descarrega sua ira contra o pecado, é também aquele que abençoa o pecador. A obra da graça de Deus faz isso.
A graça de Deus é maravilhosa, ela alcança aqueles a quem aprouve o Senhor de chamar, quando o Senhor chama, seu chamado é eficaz, inerrante, inviolável, irrevogável. Por esse motivo que a alegria está expressa, pois estaremos na presença do nosso Senhor por toda a eternidade.
Deus é o nosso refúgio!
A luz desse texto, somos ensinados que devemos reconhecer nossa fragilidade, a vida passa rapidamente, ao comparar nossa vida terrena com à eternidade, percebemos que sem o Senhor, somos um ponto pálido colocado no meio do universo, sem Cristo, estamos frágeis.
Se reconhecermos nossa fragilidade, em Jesus Cristo reconheceremos nossa pecaminosidade, nossos pecados estão diante dos olhos de Deus. Por causa de nosso pecado somos alvos da ira de Deus. Ira justa, perfeita aos olhos do Senhor. Contudo, Deus é misericordioso e benigno, e providencia salvação. Fez isso na pessoa de seu Filho, Jesus Cristo. Em Cristo o pecador experimenta grande alegria e grande satisfação em Deus.
Que o Senhor alcance molde os corações de seus filhos amados para que nossa satisfação plena, esteja no Senhor.
Que o Senhor abençoe nossas vidas, que a graça maravilhosa de Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão com o Espírito Santo, esteja sobre nós.
Louvaremos ao Senhor, hoje e por toda a eternidade na alegria plena, única e verdadeira, que está no Senhor, Jesus Cristo, nosso Salvador.

Uma semana abençoada a todos!

Rev. Cristiam Matos

Desertos: entre a sede e a água.

Tendo partido toda a congregação dos filhos de Israel do deserto de Sim, fazendo suas paradas, segundo o mandamento do SENHOR, acamparam-se em Refidim; e não havia ali água para o povo beber” – Ex 17.1

 

Uma coisa aprendi sobre desertos: eles são obras de Deus e têm sua razão para existirem. O texto nos mostra que o Senhor conduziu seu povo ao deserto e estabeleceu os lugares exatos onde deveria parar e esperar, mesmo sabendo que naquele lugar não havia água para dessedentá-los. Refidim era o lugar ideal para pararem de caminhar com Deus e voltarem em direção ao Egito. Tudo cooperava para o momento em que o povo, como uma só alma, surgisse diante de Moisés e exigisse água. 

Sede é uma condição onde o corpo padece e o espírito fica atormentado. Não há boa coisa a se esperar daquele que sofre com a sede. A língua seca não tem limites para murmurar e alguém precisa ser culpado e condenado para que, de alguma forma, haja um mínimo de saciedade. A sede faz com que sejam cometidas loucuras, e ela mesma provoca miragens – visões irreais que enganam e levam a morte. 

O povo murmurou contra Moisés. Ele era o líder, o representante de Deus, o guia desta viagem utópica para alcançar a terra maravilhosa que mana leite e mel; ninguém havia falado de desertos, privações, ou das provações durante o percurso. O povo se sentia enganado, manipulado, lesado pelo conceito de liberdade que tirara deles o teto e os alimentos oferecidos pelos egípcios. Caminhar com Deus mostrava-se um desafio grande demais, longo demais, sofrido demais; maná diário era um fastio insuportável (Nm 2.5), mesmo sendo o fruto da divina providência  – o pão nosso de cada dia. 

Deus sabe que a sede não é boa conselheira. Deus sabia o que o povo sentia e o perigo de apedrejamento que Moisés corria (Ex 17.4). Deus sabia que em Horebe estava a resposta para a falta da água e ordenou a Moisés e alguns anciãos que fossem até lá aonde veriam a graça de Deus se manifestar no meio da rocha – no meio da mais dura e difícil realidade – e testemunhariam que o Senhor estava presente e proveria o necessário. 

Como Moisés entendo perfeitamente quando algumas pessoas dizem que estão atravessando desertos, que estão cansadas de caminhar, que estão esfaimadas e sedentas, “secas” por uma manifestação divina que lhes proveja o necessário para sair daquela situação. Entendo quando estão com medo, com suas esperanças no fim, inquietas com a possibilidade de que Deus as tenha abandonado à própria sorte; porém ouço a voz do Senhor a revelar que perto está a salvação, que mais um pouco e tudo será resolvido, que logo haverá saciedade para os famintos e sedentos. Ainda que hoje seja dia de Massá (tentação) e Meribá (conflito ou contenda), sei que o Senhor permanece no meio do seu povo escolhido ainda que sua presença seja imperceptível aos olhos dos que estão sofrendo. 

Aos que atravessam desertos digo: Animem-se! Não desistam! Horebe está logo ali.

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel