Gente boa.

“Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe. Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude” – Lucas 18.21 

 

Imagino que você conheça muitas pessoas que se enquadrariam na condição acima: são pessoas boas e corretas que querem seguir os mandamentos de Deus e ter uma consciência limpa diante da sociedade. 

O contexto de onde foram retirados estes versos narram o encontro de um homem de posição social (alguém com algum destaque entre seus pares) com Jesus. Sua preocupação era em relação à vida eterna. Podemos partir do pressuposto que esta questão era significativa naquele momento da sua vida. Sua pergunta também transparece a idéia de estar no comando do seu destino, de controlar o que acontece nesta vida e ordenar isto de tal forma que possa garantir a entrada no paraíso. A pergunta de Jesus sobre a observância dos mandamentos lhe ofereceu subsídios para imaginar que estava no caminho certo, e prontamente respondeu que tudo isto observada desde sua juventude, isto é, desde que se tornou um homem e deixou as coisas de criança para trás. 

Não há porque duvidar da sinceridade daquele homem; ele não teria nenhuma vantagem em tentar enganar a Jesus ou as pessoas que ali estavam e presenciavam aquele encontro. Aos olhos daquele homem Jesus era um homem santo e, portanto, capaz de reconhecer uma mentira desta natureza. Seria extremamente vergonhoso ser desmascarado como alguém hipócrita (mentiroso, falso) – o que poderia ocorrer se suas ações não fossem coerentes  com suas palavras. O fato é que Jesus podia ver dentro do seu coração e não o evidenciou como alguém falso ou hipócrita; o que viu foi uma pessoa que realmente queria uma resposta sincera para a pergunta que lhe angustiava a alma. 

Se por um lado Jesus lhe deu alguma esperança ao perguntar sobre a prática dos mandamentos referentes às relações pessoais entre os homens, inevitavelmente destruiu esta possibilidade ao revelar-lhe que precisava dar um passo a mais – o passo da fé – e desapegar daquilo que realmente ocupava o lugar de Deus em sua vida (o que se refere aos primeiros mandamentos). No caso deste homem o problema era o apego ao dinheiro, à sua posição, aos seus recursos de forma em geral, e ele não estava disposto a abrir mão de nenhum deles. Saiu triste da presença de Jesus porque sabia que este era um preço elevado demais para “pagar” pela vida eterna que tanto almejava. 

Não basta ser “gente boa” para entrar no céu. Por maior que seja  a misericórdia dentro do seu coração, por mais forte que seja sua convicção em ser uma pessoa honesta e correta, por mais intenso que seja seu desejo em viver eternamente ao lado de Deus, o fato é que nada disto é suficiente. Por favor, não imagine que quero destruir seus sonhos e esperanças, mas sim que quero apresentar a verdade – unicamente a verdade: o céu não é por merecimento ou por desejo pessoal – é uma dádiva de Deus. Jesus colocou aquele homem diante de um fato contra o qual ele não podia argumentar: seu amor pelo dinheiro. Aquele homem entendeu a impossibilidade de alcançar a salvação pelos próprios méritos ou recursos. Era visível a tristeza e a decepção ao ponto de Jesus usar isto para ensinar seus discípulos a este respeito (Lc 18.24). Diante do ocorrido perguntaram a Jesus: “Sendo assim, quem pode ser salvo?”. E a resposta de Jesus permanece válida para todos aqueles que almejam a salvação: “os impossíveis dos homens são possíveis para Deus”. Isto significa que somente Deus pode salvar, só ele pode conceder a entrada no paraíso e isso não vem por mérito algum por parte dos homens, mas é exercício da graça de Deus que escolhe quem quer salvar. A este respeito Paulo escreveu citando o livro de Êxodo: “Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Rm 9.15).

Do texto de hoje concluímos que não basta ser “gente boa” para ter um lugar reservado no céu. O que realmente importa é receber a graça e o entendimento do Senhor para que o impossível aconteça.

Louvado seja o Senhor Todo Poderoso pela salvação em Cristo Jesus!

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Morada de Deus.

Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” – Jo 14.23

 

A idéia de que Deus mora nos céus e de lá observa a todos os homens é bíblica (1Rs 8.39; 2Cr 20.6; Sl 2.4; 11.4; Ec 5.2; Mt 6.9; Mt 23.9; At 7.55; Ef 6.9; Ap 4.2, 11.19). No entanto, é provável que você tenha ouvido a frase: “atravessei os céus, olhei para os lados e não vi Deus”, que é atribuída a Yuri Gagarin, o primeiro cosmonauta a entrar na órbita terrestre em 1961; se isto é verdade, onde Deus mora?

A primeira informação que precisamos nos lembrar é que nem todas as pessoas conseguem ver Deus. Apesar de terem visão perfeita, não conseguem enxergar a presença de Deus na vida que está ao seu redor, seja ela carnal ou vegetal; também não conseguem ver isto na beleza das montanhas, nem no espetáculo dos céus iluminados nas noites escuras, nem tampouco no sol que brilha durante o dia ou na chuva que rega a terra. Tais pessoas preferem atribuir todas as coisas à obra do acaso, da evolução ou da ação do homem.

Outra informação que devemos considerar é que Deus é espírito (Jo 4.24) e como tal não possui um corpo físico visível, pois é etéreo (definição física: fluído imaterial hipotético que permeia todo o espaço). A doutrina da trindade nos revela que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito são um só, e em assim sendo, podemos entender que o Espírito de Deus que envolveu e fecundou a terra, e dela vez brotar a vida através de sua Palavra (Verbo divino) era o próprio Deus trino (Gn 1). 

O verso de hoje tem como pano de fundo a instrução de Jesus aos seus discípulos sobre sua manifestação pessoal mediante o amor que a pessoa devota a Jesus através da obediência aos seus mandamentos; quem assim procede é amado por Deus Pai e pelo Deus Filho, e a este – e tão somente a este – Jesus se manifestará como quem de fato ele é (Jo 14.21). O outro Judas (não o Iscariotes) perguntou-lhe de onde procedia esta informação (v.22), e a resposta de Jesus está no texto escolhido de hoje: do amor de Deus. Quem ama ao Senhor e a sua Palavra os têm em seu coração, e revela isto em cada palavra dita, em cada pensamento, em cada ação realizada. Na primeira carta de João ele desenvolve melhor este conceito dizendo: “Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” – 1Jo 2.5-6. 

Disse o profeta Isaías: Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos – Is 57.15. 

Concluímos, então, que Deus mora no coração daquele que sinceramente ama a Jesus e os seus mandamentos. 

Deus já fez morada em sua vida?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel