Páscoa – Tempo de reflexão.

Desde os mais remotos tempos existem registros da religiosidade humana e sua prática em ofertar sangue aos seus deuses na tentativa de aplacar sua justiça ou manifestações da suas iras. O judaísmo não é diferente neste sentido. No Antigo Testamento podemos ver que o derramamento de sangue de animais está presente na liturgia do culto, seja no templo de Jerusalém seja em qualquer outro altar constituído para a adoração de Deus. 

A primeira reflexão que isto pode sugerir é que Deus não é tão diferente dos outros deuses. Na realidade ele é. Olhando para o por quê Deus permitiu estes sacrifícios inicialmente encontramos uma resposta: são símbolos imperfeitos que apontam para um sacrifício perfeito que estava por vir; debaixo desta perspectiva encontramos a resposta para as palavras registradas pelo profeta Oséias (6.6): Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”; não foi sem motivo que Jesus citou este texto para os fariseus (Mt 9.13) e e outra ocasião disse para este mesmo grupo:  “Mas, se vós soubésseis o que significa: misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes”; entendemos que esta segunda fala diz respeito à sua própria pessoa que seria entregue como um “sacrifício vivo” pelo bem de Israel (Jo 11.49-52 – leia, é importante!).

A segunda reflexão que podemos fazer sobre o sacrifício pascal é que ele não é perfeito. É realizado por pessoas imperfeitas – tanto o adorador quanto o sacerdote – e ano a ano se repetem sem, contudo, produzir um efeito duradouro (Hb 10.1 – leia, é importante!). Não existe oferta humana capaz de ser perfeita, e muito menos de tornar perfeitos os ofertantes. 

Isto nos conduz a uma terceira reflexão sobre a páscoa (que significa “passagem” e retrata a vinda temporária de Deus entre seu povo trazendo vida aos que crêem [tem o sinal do sangue], e morte aos descrentes) . Esta ponderação é retirada do registro da última ceia de Jesus celebrada em plena páscoa judaica; ali Jesus substitui o sacrifício do cordeiro por pão e vinho, cuja presença em celebrações futuras deve conduzir o adorador à compreensão de que o simbolismo latente em tais elementos evoca lembranças do sacrifício vicário do Cordeiro de Deus – sua carne e seu sangue – derramado em favor de muitos (não de todos) para a remissão de pecados (Mt 26.28); este é o único sacrifício verdadeiramente perfeito e aceitável aos olhos de Deus. 

Páscoa é tempo de reflexão. Páscoa é tempo de pensar sobre nossa religiosidade, nossos ritos e símbolos. Páscoa é tempo de lembrar que o único sacrifício válido aos olhos de Deus para perdoar nossos pecados é encontrado na cruz de Cristo. Páscoa é tempo para pessoas inteligentes reconhecerem a passagem de Deus no mundo, a vida que ele concede aos que crêem, e a morte que está e se fará presente aos incrédulos. 

Uma boa e abençoada páscoa a todos!

Rev. Joel

Nas mãos de Deus.

Porque eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo” – Is 41.13

 

O profeta Isaías registra um momento difícil para os filhos de Deus:  eles estavam com medo dos inimigos que se levantavam contra eles. Os assírios eram guerreiros implacáveis, e suas incursões em terras que não lhes pertenciam eram marcadas por grande violência e mortandade. 

Quero aqui criar um paralelo com nossos dias e dizer que temos um inimigo feroz, que ceifa vidas sem se importar com a idade ou sexo. Quem não tem uma história para contar a este respeito? Qual etnia ou mesmo grupo familiar tem passado incólume? 

No passado, muitos integrantes do povo de Deus recorreram aos ídolos pagãos em busca de proteção sobrenatural, e isto provocou a ira do Senhor; hoje muitos colocam suas esperanças na ciência como se esta fosse, de fato, criar uma redoma tal onde os “imunizados” não morram. 

Não quero polarizar nem polemizar absolutamente nada com este comentário, mas pontuar que nossa fé e esperança deveriam estar firmes no Senhor. Ele é quem dá a vida, e somente ele é quem tem o poder de tirá-la quando lhe aprouver e da forma que bem entender; somente ele pode de fato colocar seus anjos acampados ao nosso redor e nos livrar, assim como somente ele pode permitir que este vírus nos alcance e aflija. 

Se você ler os versos 9 e 10 encontrará algumas informações preciosas que certamente trarão ânimo para sua vida. 1) Deus diz que tomou das extremidades da terra os seus escolhidos, e que não os rejeitou; 2) Deus afirma que está ao lado dos seus; 3) Que por mais ferozes que sejam os inimigos e possam assustar, eles não são mais fortes nem mais ferozes do que o próprio Senhor que está ao lado; 4) Que o Senhor há de dar forças, ajudar e sustentar no calor da batalha com sua destra fiel, isto é, que vai estender sua mão direita e manter os seus amados firmes e seguros.  

Tais palavras em momento algum são falsas, ainda que em meio ao combate os escolhidos possam ser feridos e até mesmo mortos; elas refletem a real e verdadeira situação dos filhos de Deus, que não podem morrer eternamente, mas estão sempre amparados pela benéfica mão do Senhor. 

Sei que o medo tem se instalado em muitos corações. As notícias sobre o aumento da pandemia e o colapso da rede de saúde pública e privada estão cada vez mais alarmantes. Sei que estamos perdendo entes queridos, e nos afligindo por aqueles que apresentam os sintomas de quem foi infectado. No entanto, sei – e você também sabe – que Deus está ao nosso lado em todo o tempo, e não nos abandonará jamais. Somos ovelhas de Jesus e, como ele bem disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” – Jo 10.27-28. 

Estamos nas mãos de Deus. Vamos confiar e descansar no Senhor que cuida de nós. 

Uma boa e abençoada semana.

Rev. Joel

O Deus que responde.

“No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes” – Sl 86.7 

 

Um dos privilégios em servir ao Deus verdadeiro é receber respostas para as perguntas levantadas nos momentos de grande aflição. Em meio a tantas deidades que o mundo apresenta e reconhece como reais somente Deus é capaz de responder as orações de seus servos. Para exemplificar recorro ao episódio onde o profeta Elias, no cimo do monte Carmelo, enfrentava os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo (Aserá – uma deusa babilônica [Astarte] e cananéia [da fortuna e felicidade], a suposta esposa de Baal). Ele lançou um desafio justamente sobre qual Deus respondia as orações e, portanto, era o Deus verdadeiro (1Rs 18.24); seus adversários tentaram de todas as formas alcançar o favor de seus deuses com danças ao redor do sacrifício (v.26), gritos (v.28), e até mesmo derramando o próprio sangue (v.28), mas não obtiveram resposta. Elias zombou deles e das suas orações vazias (v.27). Findo o tempo dedicado a eles, Elias orou ao Senhor e ele respondeu com fogo do céu que consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a terra e secou a água que havia sido despejada sobre o altar. 

O tempo passa, mas a humanidade continua a mesma – decaída e pecadora – sempre em busca de falsos deuses. No tempo da angústia recorrem ao vento e querem ouvir sussurros nas brisas; nós, ao contrário, recorremos ao Senhor. É maravilhoso entender que não precisamos levantar o tom da nossa voz porque nosso Deus não é surdo e nem está longe do nosso clamor; da mesma forma com alegria  reconhecemos que não há necessidade de recorrer a entonações lamuriosas em busca do favor divino porque nosso Deus sabe muito bem do que precisamos antes mesmo que pronunciemos qualquer palavra (Mt 6.32). Nós simplesmente oramos ao Senhor numa conversa respeitosa, leal, sincera e aberta onde colocamos aos seus pés nossa fragilidade, falta de sabedoria e inquietações, e confiamos que Ele há de nos responder em seu tempo e da forma que bem escolher (pode ser pela sua Palavra, por um servo que compartilha a Palavra, por eventos que nos cercam, pelo Espírito que fala ao nosso espírito e confirma que somos filhos de Deus [Rm 8.16]). 

Nosso Deus não nos livra dos problemas e aflições que criamos e nem tampouco daqueles que ele mesmo nos reservou em sua presciência, mas está ao nosso lado o tempo todo, nos ouve com carinho e responde as nossas orações. 

Que diremos à vista destas coisas? Louvado seja Deus a quem recorremos e que responde as nossas orações!

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel 

 

Reconhecendo as próprias faltas.

Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas” – Sl 19.12.

 

Davi reconhecidamente era um homem de Deus (2Cr 8.14); no entanto isto não o isentava de cometer pecados. Neste salmo ele reconhece a grandeza de Deus, sua maravilhosa obra e sua Palavra perfeita; porém, mesmo tendo capacidade para enxergar estas coisas, revela-se como alguém incapaz de reconhecer os próprios pecados e iniqüidades (aqui descritas como faltas, e no original hebraico erro moral). Ele sabia que havia pecado por ato, pensamento, palavra ou omissão, apesar de não ter total consciência do quê especificamente.  

Não somos diferentes de Davi. Somos pecadores que desejamos fazer o bem, o certo, o que agrada a Deus, mas que acabamos por tropeçar em nossos pensamentos e sentimentos em busca da satisfação pessoal ou perpetrando o mal contra o nosso próximo. Como bem disse o apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). 

Louvado seja Deus que, no exercício de seu amor e misericórdia não nos abandona a própria sorte! Louvado seja Deus por Jesus Cristo, seu Cordeiro escolhido, que através de sua morte vicária nos trouxe vida e vida em abundância! Louvado seja Deus porque em Cristo há perdão para todos os nossos pecados. 

O perdão concedido por Deus e que nos alcançou em Cristo não deve nos conduzir a um sentimento de desleixo para com nossa condição decaída; pelo contrário, deve nos levar a uma constante confissão dos nossos erros e purificação da nossa alma. Davi sabia que o Senhor tinha consideração por ele, mas em momento algum entendeu que isto o isentava de uma vida de santidade; o mesmo se aplica a cada um de nós. 

Não permita que seu coração se endureça, ou que o inimigo de nossas almas o convença de que não há mais necessidade de confissão diante de Deus. O Senhor sabe dos nossos erros (até daqueles que não temos total consciência) e confessar os pecados não é algo que Deus precise ouvir, mas que nós precisamos tomar consciência, reconhecer que é errado, e desejar ardentemente não mais incorrer naquilo que aborrece ao Senhor. Confessar é algo que faz bem para nossa alma, nos torna mais sensíveis à voz do Espírito Santo, nos faz mais humildes e misericordiosos com os erros alheios. Reconhecer nossas falhas e erros diante uns dos outros é um bom exercício espiritual que produz cura (Tg. 5.16). 

Voltando ao texto inicial, que possamos incluí-lo em nossas orações: “Senhor, absolve-me das faltas que me são ocultas, daquelas que não reconheço como faltas, das que não consigo considerar como tais”.

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel

Igreja em tempos de pandemia.

Caros irmãos em Cristo:

Estes tempos pandêmicos tem exercido grande pressão sobre todas as pessoas. O distanciamento social tem afetado diretamente a saúde emocional e, não poucas vezes, conduzido pessoas à depressão – seja esta leve ou profunda.
A impotência diante da pandemia tem levado as pessoas a reagirem e, em muitos casos, de forma exacerbada e descabida, provocando pânico através de notícias inverídicas sobre um suposto calendário de vacinação ou notícias reais sobre o mau uso da máquina pública que desvia recursos da saúde; estas e outras matérias que são repassadas para polemizar, ainda que bem intencionadas em sua origem, são repassadas sem o devido crivo e sem prospecção de desdobramentos possíveis.
Ultimamente vozes tem se levantado para colocar a Igreja contra o Estado. Líderes denominacionais têm instruído seus membros a reagirem em busca de seus direitos (que julgam ter amparo constitucional) para se reunirem quando e como bem quiserem sob a égide do artigo de “liberdade religiosa”; de forma implícita ou explícita estão instigando à desobediência civil. O pressuposto básico do qual partem para defender esta tese é a de que seus direitos estão sendo cerceados, e que os decretos de restrição para o funcionamento das igrejas são abusivos.
Sem querer entrar no mérito dos “serviços essenciais”, o fato é que as restrições impostas não atingem somente as igrejas, mas também outras atividades como restaurantes, lojas e similares de funcionarem aos domingos. Isto posto, devemos entender as restrições como um esforço governamental para manter a sociedade em pé, e não uma ação deliberada para prejudicar o culto público ou individual. Devemos atentar sempre ao propósito primário que é conter o colapso da rede de saúde (pública e privada) cuja capacidade de atendimento está praticamente esgotada. Certamente você não quer chegar à situação em que um profissional da saúde irá “escolher” se você deve ser atendido ou não, se terá uma chance de recuperação hospitalizado ou irá para sua casa esperar unicamente pela graça do Senhor.
Observe que o problema em questão não é de “perseguição religiosa”, mas sim de saúde física, emocional e espiritual da população em geral. Sem dúvida alguma a fé é um fator preponderante neste momento de crise. Ela não é uma redoma infalível que protege e previne do Covid-19, mas ela é importante para manter a esperança em dias melhores e confirmar em nosso coração que nosso Senhor está cuidando de nós em cada momento; além disto, se formos infectados, a fé não se abalará e se fortalecerá para o enfrentamento deste inimigo real. Por ora devemos lembrar das nossas responsabilidades no trato com o próximo, tanto para não sermos infectados quanto para não nos tornarmos transmissores deste vírus que pode ser letal.
Não há dúvidas que existem pessoas mal intencionadas prontas para aproveitar deste momento para tentar restringir e, quiçá, suprimir os cultos de adoração ao Senhor; no entanto jamais esqueça que tais pessoas são incapazes de prejudicar nosso culto pessoal – aquele que podemos realizar a qualquer momento do dia. Quanto ao culto coletivo temos a liberdade de nos reunirmos pelos meios de comunicação disponíveis. Seria configurada a perseguição se estes meios fossem obstruídos ou impedidos de transmitirem conteúdo religioso – o que não de fato não acontece – e assim devemos entender que a liberdade de expressão religiosa está preservada. Certamente esta é a forma de culto que está ao nosso dispor (e pela qual somos gratos), mas para nós o ideal sempre será o culto presencial (que nosso coração almeja), com abraços, ósculo santo, conversas sem “máscaras”, ministração dos sacramentos, etc.
A pandemia vai passar. Outras vieram e passaram, e esta não será diferente; pode demorar este ano todo ainda, mas vai passar. Debaixo da graça de Deus nós vamos atravessar esta pandemia juntos, fiéis, coerentes, sem ver em cada ação do governo uma perseguição religiosa e dando graças pelos meios que Deus nos concede para prestar-lhe culto.
Um bom e abençoado dia!
Rev. Joel

Nossas dores.

Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre a sua alma” – Jó 14.22

 

Este verso faz parte das elucubrações de Jó a respeito da vida e da morte do homem. Fala das inquietações e da fragilidade humana, do tempo estabelecido por Deus para cada pessoa, da finitude desta existência terrena para a qual o homem não retornará e que não verá o que sucede aos seus filhos. Jó chega à conclusão de que a dor é uma experiência pessoal e intransferível, e que esta afeta não somente o corpo, mas também a alma do indivíduo. 

A dor física pode ser definida como uma sensação desagradável que é produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis a estímulos internos ou externos, e pode ser classificada conforme seu lugar, tipo, intensidade, periodicidade, difusão e caráter; já a dor da alma é instigada por pensamentos e sentimentos ruins, e provoca a sensação de penar, inquietação, angústia profunda. 

Não é agradável sofrer dores, nem tampouco ver alguém querido passar por este momento de aflição. Somos tomados por uma sensação de impotência e incapacidade para sanar ou mitigar a dor que nos alcança e fere. Ah, quem dera poder estender a mão e “arrancar” a dor… Ah, se pudéssemos passar esta vida sem esta experiência ruim… Como suportar a dor? Como entendê-la como instrumento de Deus para as nossas vidas?

Em última análise, a dor é uma criação de Deus e foi introduzida no mundo como elemento disciplinador ao pecado de Eva (Gn 3.16); por isto muitas pessoas julgam Deus como injusto ao imputar a dor aos descendentes de Adão. Não há dúvida de que a dor pode ser uma boa mestra. Ela tem a capacidade de mostrar nossas limitações e nos instiga a buscar o poder de Deus para saná-la ou suprimi-la; também tem a função de nos revelar que não somos inatingíveis ou que nossos corpos terão vigor constante. A dor se torna uma companheira na caminhada até a morte que nos faz mais próximos de Deus. Aliás, é importante lembrar que o próprio Senhor não se absteve de sofrer dores quando encarnou (Is 53.3-4 – leia porque é importante!) e assim encontramos conforto na hora da dor sabendo que nosso Deus sabe o que sentimos.  

Quando você sentir dor (e em algum momento vai sentir…) lembre-se do quanto você precisa de Deus; precisa do seu perdão, da sua graça, do seu amor. A dor – como todas as coisas deste mundo – tem um tempo determinado. Não há dor que sempre dure e por isto consolamos e somos consolados com a frase: “vai passar…”.  Lembre-se do que disse o profeta Isaías: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados“.

Um dia não haverá mais dor, nem luto, nem tristeza. Este será um dia de alegria, de cura, de libertação plena, um novo tempo que durará para sempre. Até lá vamos olhar para a dor como uma amiga indesejável (mas ainda assim uma amiga) nesta caminhada até a glória. 

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel  

Esperanças renovadas.
Hoje, em apenas 29 dias, mais de quatro milhões de brasileiros já receberam a 1ª dose da vacina contra o Covid-19. Diante do universo nacional (> 200 milhões de pessoas) parece quase insignificante, mas é o suficiente para insuflar a esperança em muitos corações.
A esperança tem muito poder. Pessoas que têm esperança se tornam mais resilientes e resistentes; são capazes de achar forças na dor e lançar para o futuro a possível restituição do mal ou dano sofrido. O mundo espera na ciência, nos avanços científicos e tecnológicos a resolução da mazela que hoje se vê. Esta é uma esperança a curto, médio e longo prazo, haja vista que esta doença é mais uma das muitas que vieram para ficar, e que na medida em que são desprezadas em sua prevenção através da vacinação, voltam a provocar dor e tristeza (como exemplo basta relembrar o recente surto de sarampo no Brasil onde estima-se que em 2020 o número de infectados foi maior que 8 mil casos).
Destas observações duas coisas devem ser levadas em consideração: 1) Deus concedeu ao homem sabedoria suficiente para lidar com estas doenças pandêmicas; 2) colocar a esperança nos homens é confiar no instrumento, e não no verdadeiro autor de toda a vida.
Jó, diante de toda a sua dor e perdas, chegou à conclusão que as veredas daqueles que se esquecem de Deus e colocam suas esperanças em si mesmos ou em outros homens chegará a um triste resultado: a morte (Jó 8.13). O livro de Salmos revela que a esperança do homem deve estar firme no Senhor (Sl 39.7; 62.5; 71.5; 119.116; 146.5). A esperança dos filhos do Senhor encontra sua fonte na Palavra de Deus e dela bebe a largos sorvos (Rm 15.4). O desejo de meu coração é que você renove suas esperanças no Senhor e somente no Senhor. A ciência e a tecnologia farão apenas aquilo que Deus permitir, pois elas, por si mesmas, são incapazes de produzir resultados que redundem em vida eterna. O profeta Jeremias nos fala sobre a felicidade daquele que confia e espera no Senhor: “Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (Jr 17.7-8).
Encerro esta mensagem com as palavras do salmista: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará” (Sl 37.5).
 
Uma boa e abençoada semana!
Rev. Joel
Dia do Pastor Presbiteriano.

Hoje 17 de dezembro comemoramos o Dia do Pastor Presbiteriano.

Queremos agradecer a Deus pela vida do nosso querido Rev. Joel Lino Lemes e aproveitar para dar as boas vindas ao Rev. Cristian Matos que está chegando para auxiliar nossa igreja.

Que vocês permaneçam firmes na fé e na caminhada com Deus.

Quando a esperança é frustrada.

“Ampara-me, segundo a tua promessa, para que eu viva; não permitas que a minha esperança me envergonhe”  – Sl 119.116

 

O hino 61 é muito bonito. É um hino de gratidão ao Senhor onde a vida, o futuro e o passado são entendidos como graças recebidas das dadivosas mãos de Deus. Exalta cada interferência divina no decurso da vida – para o bem ou para o mal – e aceita tudo com submissão e resiliência. 

As duas últimas linhas da segunda estrofe refletem a religiosidade humana e seu relacionamento com o Senhor: “Pela prece respondida / E a esperança que falhou“. Dar graças pelas respostas das orações é algo abrangente, pois refere-se tanto as respondidas de forma positiva quanto as negativas; porém, como entender “a esperança que falhou?” Pode a esperança falhar? 

Para entender melhor esta questão é preciso dissociar a vontade do homem da vontade de Deus. Durante nossa existência temos alguns desejos que são bons e lícitos, e pelos quais nos colocamos diante de Deus em oração. Eis alguns exemplos: uma promoção; a restauração dos laços familiares; a cura de uma enfermidade. Nossa esperança às vezes se prende a estas coisas temporais (necessárias, importantes e urgentes, mas ainda assim temporais, pois promovem prazer e alegria para esta vida) com tal intensidade que gera ansiedade em nossa relação com Deus. Passamos a esperar com intensidade e, quando tais esperanças não se concretizam (outro é promovido; o cônjuge se mostra irredutível em sua intenção de separação; a enfermidade progride e dá lugar à morte) nosso coração sofre um duro e terrível golpe. O que fazer nesta situação? romper com Deus? Afastar-se daquele que nos ama porque não atendeu nossas expectativas e esperanças? 

Abandonam o Senhor aqueles que não o conhecem intimamente e nem confiam em seus planos para suas vidas. As “esperanças” frustradas não mudam o fato de que Deus continua a ser Deus, que ele não está aí de prontidão para satisfazer todas as nossas esperanças em coisas temporais. A vida é muito complexa e dinâmica, e não temos como ver o quadro geral como o Senhor o vê. Ter esperanças temporais frustradas nada mais é do que uma contingência para quem está vivo, de quem têm sentimentos, de quem quer o melhor para si e para os seus; submeter-se a Deus nesta condição de frustração é acreditar que Ele sabe o que, de fato, é melhor para nossa vida temporal e eterna. A vontade soberana do Senhor vai prevalecer sempre – e aceitar isto dói menos do que se rebelar, pois como disse Jó: “São assim as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do ímpio perecerá” – (8.13); e como bem disse o profeta Jeremias: “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor” (Jr 17.7). 

Retornando ao hino 61, dê uma boa olhada na terceira estrófe: “Pela cruz e o sofrimento, / E, afinal, ressurreição, / Pelo amor, que é sem medida, / Pela paz no coração; / Pela lágrima vertida / E o consolo que é sem par, / Pelo dom da eterna vida, Sempre graças hei de dar”. 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

O ápice da vida cristã.

“Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui” – Is 58.8-9a.

 

Ápice é o ponto mais alto, o mais elevado, o pináculo atingível e desejado. Queremos uma vida cristã elevada, acima da mediocridade (média), que tenha significado e relevância para nós e para as pessoas que nos cercam. A descrição feita pelo profeta não é de sua autoria, mas do próprio Deus dizendo aos seus escolhidos que é possível chegar a fazer parte desta cúpula seleta. 

O que mais me impressiona no texto bíblico que isto é possível, mas não sem entendimento e comprometimento profundo com o próximo. Isaías 58 começa retratando a condição espiritual decadente do povo escolhido, das suas transgressões, e que insolentemente buscavam a Deus diariamente para saber os caminhos (mas não para andar neles), e que tinham a atitude hipócrita de se fazerem passar por pessoas que praticavam a justiça e o direito (v.1-2). Eram pessoas que apresentavam uma falsa religiosidade e ainda questionavam a Deus por sua total falta de descaso com o esforço deles em buscá-lo através de jejuns e orações (v.3a). 

Isaías revela que Deus estava observando atentamente os seus escolhidos. Via claramente o propósito do jejum, da dureza daqueles corações (v.3b-4a) e lhes diz abertamente que procedendo daquela forma seriam ignorados sempre (v.4b). Este não é o jejum que Deus espera, nem a atitude de quem se diz espiritual; nos versos 6 e 7 o Senhor diz especificamente o que ele espera dos seus filhos e que, quando assim procederem, então – e somente então – a luz romperá, a cura acontecerá, a justiça aparecerá, a glória de Deus resplandecerá, as orações serão atendidas e seu braço forte socorrerá. Além disto, também será necessário atender o que está previsto no verso 9b e 10a, então – e somente então – a luz nascerá nas trevas e o Senhor guiará continuamente, fartará sua alma, e você será como um jardim de delícias (v.11-12). 

Quer ser uma pessoa bem-aventurada? Quer ser feliz? Quer realmente que todas estas bênçãos aconteçam em sua vida? Faça o que Deus espera de você e então – somente então – você chegará lá! (leia o verso 14 – ele é muito interessante…).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

 

Sob nova direção.

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” – Cl 1.13

 

A frase título desta pastoral é muito conhecida. Vemos publicada em grandes cartazes diante de lojas, postos, restaurantes e em outros lugares para mostrar a todos que, daquele momento em diante, há um novo dono que implementará mudanças significativas. Além disso, em tempos de campanhas políticas vemos que esta frase está implícita nos discursos que propõe mudanças no atual governo estabelecido com promessas de que, sob nova direção, as coisas serão melhores, mais fáceis, mais produtivas, mais respeitosas.

No texto bíblico acima referido também há uma referência clara sobre a mudança de senhorio. Antes de conhecer a Cristo éramos escravos do pecado – sim, isto mesmo, “escravos”, pessoas que estão ligadas por opressão a uma autoridade, que atendem aos seus apelos, mandos e desmandos, que não conseguem quebrar seus grilhões (algemas) por si mesmos. Por mais que pareça que estas pessoas vivam em liberdade, de fato elas estão cativas de seus pecados e sob a influência do mal ainda que nem se dêem conta disto. 

O que o apóstolo Paulo apresenta é uma idéia desconcertante, pois fala de uma libertação para conduzir a outro cativeiro, sair debaixo de um império para ser vassalo sob outro rei e reino. Além disto, esta libertação nem mesmo foi requerida, solicitada, pedida pelas pessoas que estão no império das trevas  – até mesmo porque elas estão inclinadas a aceitar as coisas como são e estão acomodadas aos prazeres que lhe são concedidos. 

A graça de Deus não pede licença. A graça de Deus não é tolhida por qualquer escravo. A graça não é democrática. A graça é teocrática, é de Deus, o rei, o soberano absoluto, que faz o que lhe apraz – e neste caso é salvar alguns dentre os muitos que estão em trevas. Colocar em liberdade não significa deixar solto, largado aos próprios prazeres e domínio. Muda-se o dono, e a realidade também. Quem é servo, escravo de Deus encontra um governante amoroso, zeloso, protetor e provedor. Agora, sob nova direção, os salvos conseguem ver com clareza de onde foram tirados e para onde irão os que estão em trevas. 

Louvado seja Deus por nos fazer seus escravos! Louvado seja Cristo por nos acolher em seu reino eterno! Antes eu não tinha condições de bendizer e nem tampouco agradar ao Deus verdadeiro, mas agora, liberto do império das trevas, tenho a liberdade para cultuar somente ao Rei dos reis, Senhor dos senhores. 

Continuo como escravo, mas agora em uma condição diferenciada, como filho escolhido e amado, herdeiro do reino (De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus – Gl 4.7). 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

 

Orando e trabalhando pela progressão da Igreja.

Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” – Cl 1.9

 

O apóstolo Paulo visitou diversas igrejas e as fortaleceu na Palavra. Ele era um mestre por excelência, mas também era um pastor acima de tudo. Ele sabia o que estava ensinando, mas a aplicação da Palavra nos corações é obra do Espírito Santo de Deus que abre a mente para a compreensão das coisas espirituais; é por isto que Paulo se coloca em oração por aqueles irmãos para que a ação de Deus seja completa, o que transparece na referência ao conhecimento, sabedoria e entendimento. Estes três dizem respeito ao processo de entrada da informação na mente, o processamento dela e a valorização que se dará a esta informação ao incorporá-la ao caráter. O saber é a informação primária que vem pela pregação da Palavra e que irá produzir a fé (Rm 10.17). Paulo é o instrumento desta informação primária apresentando a eles a vida e obra de Cristo, sua morte e sua ressurreição. Digno de nota é que Paulo estava sob o poder do Espírito Santo e, movido por ele, instrui aquelas pessoas a respeito do reino. Ato contínuo, este mesmo Espírito passa a agir na vida daquele que ouve a Palavra trazendo um entendimento que vem do alto. Esta ação não acontece na vida de todas as pessoas que ouvem o evangelho – e por isto não terão condições de entender e receber a Cristo como seu Senhor e Salvador; apenas aqueles a quem o Senhor conceder esta graça é que entenderão, isto é, conseguirão processar a informação obtida na pregação e entendê-la como verdade absoluta; somente após este estágio é que o conhecimento de fato se estabelece como tal e promove intimidade com Deus ao ponto de saber qual é a sua vontade divina. É o conhecimento que revela o plano geral de Deus para a salvação dos eleitos de tal forma que eles não poderão se opor à graça divina; é o que Calvino chamou de “graça irresistível”. 

Destarte, duas coisas sobressaem deste texto e nos desafiam no dia de hoje: 1) Precisamos pregar o evangelho a toda criatura. Isto é ordem de Deus, e se não ouvirem, como crerão?  (Rm 10.14). 2) Precisamos orar ao Senhor para que haja verdadeiro entendimento da Palavra entre os irmãos, e que este produza conhecimento, isto é, intimidade com o Senhor e sua igreja.

Vamos repartir o conhecimento que possuímos com aqueles que nada têm? Vamos orar para que a graça e a misericórdia de Deus os alcance, que seu Santo Espírito os convença, e que haja verdadeira salvação?

Uma frase atribuída a Lutero diz: “Orae et laborae!” (ore e trabalhe). Vamos atender a este desafio?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel