Esperanças renovadas.
Hoje, em apenas 29 dias, mais de quatro milhões de brasileiros já receberam a 1ª dose da vacina contra o Covid-19. Diante do universo nacional (> 200 milhões de pessoas) parece quase insignificante, mas é o suficiente para insuflar a esperança em muitos corações.
A esperança tem muito poder. Pessoas que têm esperança se tornam mais resilientes e resistentes; são capazes de achar forças na dor e lançar para o futuro a possível restituição do mal ou dano sofrido. O mundo espera na ciência, nos avanços científicos e tecnológicos a resolução da mazela que hoje se vê. Esta é uma esperança a curto, médio e longo prazo, haja vista que esta doença é mais uma das muitas que vieram para ficar, e que na medida em que são desprezadas em sua prevenção através da vacinação, voltam a provocar dor e tristeza (como exemplo basta relembrar o recente surto de sarampo no Brasil onde estima-se que em 2020 o número de infectados foi maior que 8 mil casos).
Destas observações duas coisas devem ser levadas em consideração: 1) Deus concedeu ao homem sabedoria suficiente para lidar com estas doenças pandêmicas; 2) colocar a esperança nos homens é confiar no instrumento, e não no verdadeiro autor de toda a vida.
Jó, diante de toda a sua dor e perdas, chegou à conclusão que as veredas daqueles que se esquecem de Deus e colocam suas esperanças em si mesmos ou em outros homens chegará a um triste resultado: a morte (Jó 8.13). O livro de Salmos revela que a esperança do homem deve estar firme no Senhor (Sl 39.7; 62.5; 71.5; 119.116; 146.5). A esperança dos filhos do Senhor encontra sua fonte na Palavra de Deus e dela bebe a largos sorvos (Rm 15.4). O desejo de meu coração é que você renove suas esperanças no Senhor e somente no Senhor. A ciência e a tecnologia farão apenas aquilo que Deus permitir, pois elas, por si mesmas, são incapazes de produzir resultados que redundem em vida eterna. O profeta Jeremias nos fala sobre a felicidade daquele que confia e espera no Senhor: “Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (Jr 17.7-8).
Encerro esta mensagem com as palavras do salmista: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará” (Sl 37.5).
 
Uma boa e abençoada semana!
Rev. Joel
Filhos da ira.

“… entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” – Ef 2.3

 

Todas as pessoas do mundo que já existiram, existem e ainda virão a existir são criaturas de Deus. Ele é quem dá forma desde o ventre materno, e concede o espírito para que tornem-se alma vivente (Gn 2.7). 

Nem todas as pessoas aceitam esta realidade como um fato pacífico. Preferem acreditar que são obra do acaso, da evolução das espécies, ou qualquer outra hipótese que exclua Deus da equação. Não conseguem explicar o vazio que existe dentro delas, o anseio por algo mais, por algum lugar eterno onde esperam ser acolhidos. Para quem crê na Bíblia, a resposta está em Eclesiastes 3.11: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim“; ou seja, ainda que não consigam entender, existe algo “incrustrado” na mente e na alma que confirma existir um plano real além da “dimensão” que se descortina diante de nossos olhos. O apóstolo Paulo anunciou isto clamamente aos atenienses dizendo: “… de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração” (At 17.26-28). 

Há uma razão para que as pessoas não queiram aceitar a existência de Deus: Se ele existe (e de fato existe), então haverá juízo sobre aqueles que o desprezam ou ignoram. É preferível viver segundo os desejos do coração, dar provimento aos desejos da carne, colocar a mente à serviço da própria satisfação; e nessa caminhada não existe um justo sequer, ninguém que tenha vivido ou vive sem, de alguma forma, insultar a Deus por seus atos, palavras, pensamentos e até mesmo por suas omissões; assim podemos entender as palavras de Paulo aos cristãos de Éfeso afirmando que todos – indistintamente – são filhos da ira. 

Não existe como escapar da ira de Deus mediante boas ações ou sacrifícios pessoais; nenhuma “meritocracia” é capaz de tornar o ser humano digno de escapar da ira de Deus. É por isto que Deus Pai enviou seu Filho – Jesus – para conceder gratuitamente a vida eterna àqueles que o receberem na condição que ele verdadeiramente é. Jesus não é apenas o melhor homem do mundo, o mais santo e o mais justo, mas é de fato a manifestação carnal do próprio Deus que por amor a si mesmo veio ao mundo para cumprir a sua justiça, e desta forma prover salvação eterna aos que crêem. 

Esta mensagem faz sentido para você? Louvado seja Deus porque isto somente é possível pela sua graça, pela ação do Espírito Santo para abrir sua mente e lhe revelar a verdade. 

Se porventura estas palavras são incompreensíveis, ilusórias, utópicas e inacreditáveis aos seus olhos e ouvidos, então você é mais um entre os muitos que continuarão a viver suas vidas segundo a inclinação da carne, vivendo para seus próprios prazeres, excluindo Deus da equação da sua vida. Que o Senhor tenha misericórdia e lhe conceda, um dia, o entendimento necessário para deixar de ser um filho da ira para ser, de fato, um filho de Deus.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Selados com o Espírito Santo da Promessa.

“…em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa…” – Ef 1.13

 

Acho muito significativo o selo de uma carta comum ou um selo de um documento oficial. Desde cedo aprendi que um selo traz à carta ou ao documento uma autoridade e uma promessa de inviolabilidade: somente o destinatário tem o direito de abrir o selo, e qualquer outra pessoa que o fizer cometerá crime federal. 

Selar documento é uma prática antiga. Nos primórdios o signatário usava um brasão indicativo de procedência em alto relevo e o pressionava sobre um pouco de cera derretida nas bordas da dobradura do papel que “fechavam” a correspondência oficial (Ester 8.10). 

Paulo tinha conhecimento desta prática dos correios. Muito provavelmente ele mesmo tinha um selo que usava para lacrar sua correspondência. Como era algo de conhecimento geral, utilizou-se desta metáfora para que seus leitores entendessem bem o que queria dizer com “selados” pelo Espírito Santo, isto é, para indicar aqueles que foram agraciados com a “marca” do Espírito para a salvação.

O princípio do verso aponta para a pessoa que tornou tudo isto possível: Jesus Cristo; e também para a forma como isto aconteceu: pelo ouvir a palavra da verdade; a pregação do evangelho santo nada mais é do que a história de amor e redenção da parte de Deus Pai ao enviar seu Filho Jesus para cumprir toda a justiça. Somente para aqueles que entendem o evangelho (e isto pela graça de Deus que concede a fé necessária para isto – Ef 2.8-9), a fé se mostra como a cera que dá forma ao selo do Espírito, esta marca indelével que absolutamente nada pode remover. Em outras palavras, podemos dizer que cada cristão que foi alcançado pela graça tornou-se uma “carta viva” que, selada e protegida pelo Espírito Santo, segue seu caminho rumo à eternidade para ser lida pelo Senhor na glória. 

Sempre apreciei cartas e o fato de que sem a devida quantidade de selos elas retornavam ao remetente. Como mantive por muito tempo amizade com um amigo querido, que depois veio a me apresentar sua irmã que hoje é minha esposa, e com a qual antes de casar mantive farta produção de cartas, minha maior preocupação era a quantidade de selos necessários conforme o peso da correspondência para que em hipótese alguma uma única carta fosse devolvida. Hoje, na qualidade de “carta viva do Senhor Jesus” tenho a certeza de que não irei para outro destino a não ser àquele ao qual estou endereçado – a vida eterna – porque estou muito bem “selado” pelo Espírito Santo de Deus.

E você? Já foi “selado” pelo Espírito Santo? Tem certeza absoluta de qual é o seu destino eterno?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Escolhidos por Deus.

“… assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…” – Ef 1.4 

 

Existe uma doutrina bíblica que muitos cristãos não aceitam ou entendem: a predestinação. A resistência está no fato de que este termo é usado apenas pelo apóstolo Paulo, e que a palavra original tem como significado “decidido de antemão, preordenado” e, por isto entendem que é apenas uma linha geral, um “esboço” e não algo definido e definitivo.  Ainda que estas observações estejam corretas, o mesmo não se pode dizer da argumentação sobre a possibilidade de um futuro indeterminado ou exposto às casualidades ou imprevisibilidades. 

Querendo admitir ou não, a Bíblia registra que Deus determinou a vida de cada pessoa (Sl 139.16; Jó 14.5). Precisamos lembrar que Deus é onisciente (conhece tudo), onipresente (está presente em tudo e em todo tempo) e é onipotente (tem todo o poder). Neste último ponto, se Deus pudesse ser surpreendido pelo acaso ou se dependesse de uma ação humana ele não seria Deus, e sim um arremedo como tantas outras divindades criadas pelos homens. 

O apóstolo Paulo não criou uma “nova doutrina”, mas reafirmou aquilo que está nas escrituras e usou uma palavra grega que não tinha equivalência na língua hebraica. No entanto Paulo inseriu uma informação nova que não estava explícita no Antigo Testamento: que as pessoas alcançadas pela graça foram escolhidas em Cristo Jesus. O verbo “escolheu” oferece a idéia de uma ação consciente e específica onde esta escolha não recai sobre todos, e é uma ação exclusiva da parte de Deus Pai que, através da mediação de Cristo, define quem serão aqueles que desfrutarão da eternidade ao seu lado. É uma escolha para si mesmo, destituída de meritocracia, cujos integrantes comporão o seleto grupo dos eleitos (Tg 2.5). 

Qual o propósito de Deus em escolher alguns para a salvação eterna? Paulo, incluído neste grupo, afirma que é para serem “santos” (separados com exclusividade) e andar em santificação de tal maneira que sejam “irrepreensíveis” perante Deus. Paulo fala sobre ser moralmente sem defeito, sem mancha, como um sacrifício perfeito ao Senhor. 

Esta perfeição é inatingível para qualquer humano, a não ser que esteja sob os cuidados e proteção de Cristo Jesus, cujas obras e sangue aperfeiçoam para uma vida inculpável e purificam de todo o mal – o que justifica que a eleição é feita por intermédio de Jesus (nos escolheu nele…).

Seria insensatez querer resumir a totalidade desta doutrina tão importante neste pequeno texto, mas tem este a finalidade de instigá-lo a estudar mais sobre este assunto cujo resultado pode ser a vida ou a morte eterna. 

Você é um dos eleitos de Deus? Tem convicção a respeito disto? Poderia dar razões lógicas da sua fé?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Confiança em tempos de aflições.

Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação” – Habacuque 3.17-18

 

O livro do profeta Habacuque tem apenas três capítulos onde ele narra uma única história: A chegada dos babilônios para conquistar Israel. O profeta diz que Deus permitiu a vinda deles porque o seu povo tornou-se violento, iníquo e corrupto (Hab 1.4). Como resposta a esta situação, Deus enviou os caldeus, povo numeroso e terrível, ferozes e devoradores (Hab 1.5-11). 

A primeira evidência de fé em Deus no livro de Habacuque está em 1.12. Retrata a eternidade do Senhor e a esperança de que Israel como nação não será de toda destruída na dura disciplina que sofrerá. 

A próxima promessa de Deus é que, apesar da disciplina estar prestes a chegar (e de forma avassaladora – Hab 2.3), o justo viverá pela sua fé (2.4). Em outras palavras: as aflições chegam para todos, mas os que confiam no Senhor serão preservados.

Habacuque revela que os caldeus não ficarão impunes apesar de serem usados como instrumentos de Deus. A violência, a maldade, o prazer pela matança, tudo será cobrado em tempo oportuno (Hab 2.6-20).

Dentro deste contexto aflitivo de saber o futuro próximo e as dores que trará, o profeta fica alarmado e clama ao Senhor que desperte o seu povo e o converta de seus maus caminhos (Hab 3.2). Habacuque olha para o horizonte e já vê a aproximação do inimigo e a aflições enchem a sua alma de amargor (Hab 3.3-16). 

Por fim, o profeta enche-se de esperança e a deposita aos pés do Senhor Todo Poderoso. Pela fé afirma que por mais duras que sejam as aflições, que haja escassez de alimentos, que o despojo seja total, ainda assim ele confiará no Senhor, Deus da sua salvação (Hab 3.17-18).

Não sei quais são suas aflições, e não sei por que você está passando por isto. Se porventura suas aflições são tão intensas ao ponto de tornar seus dias cinzentos, e praticamente anular sua possibilidade de se livrar delas, sugiro que leia com atenção o livro de Habacuque e saiba que aquilo que está reservado para sua vida vai acontecer – tanto o que é bom quanto o que é ruim – e o que importa realmente é que você permaneça justo, viva pela fé, jamais duvide de que Deus tem um propósito para todas as coisas e que Ele tem planos eternos para sua vida. 

Como bem disse o salmista: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” – Sl 37.5

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel  

As aflições do justo.

Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra” – Sl 34.19

 

Existem algumas pessoas que tem uma noção totalmente distorcida do que é ser filho de Deus. Vemos que isto não é algo novo, pois no Antigo Testamento os sacerdotes acreditavam que o templo era o sinal visível da presença de Deus e que, enquanto ele estivesse edificado, o povo de Israel seria abençoado e próspero, mesmo se não fossem “tão fiéis” assim ao Senhor. 

Como se chega a esta convicção? Geralmente usando alguns textos específicos que falam da proteção de Deus fora do seu real contexto. Por exemplo: Neste mesmo salmo, no verso 7, encontramos uma das afirmações mais alentadoras: “o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra”. É indiscutível a sensação de bem-estar que este verso provoca em nós. Como é bom saber que Deus nos protege desta maneira! É como se ele colocasse uma redoma sobre nós que impede que o mal nos toque, nos ameace, nos ofereça qualquer perigo iminente. Isto leva à conclusão que os “cercados” pela graça não têm com o que se preocupar. O v. 9 afirma que nenhum bem vai faltar aos que buscam ao Senhor; o verso 15 que os olhos do Rei estão atentos, e seus ouvidos abertos para atendem os pedidos dos seus súditos; o verso 22 que o Senhor resgata (compra, toma para si) a alma dos seus servos e que eles não serão condenados! Que maravilha! Porém este salmo tem outros versículos. O verso 4 fala de temores, o verso 6 de aflições e tribulações, o verso 8 deixa implícita a necessidade de se refugiar, isto significa que havia uma perseguição, um perigo iminente e real, os versos 13 e 14 tratam do procedimento esperado daqueles que são filhos de Deus, o verso 15 de que os justos tem necessidades que os fazem clamar, isto é, levantar sua voz pedindo justiça (o que significa que eram alvos de injustiças), o verso 17 fala de muitas tribulações.

Ser um filho de Deus é passar por dificuldades, tribulações e angústias como qualquer outra pessoa. Quando Deus diz que vai “livrar” não significa que irá impedir que tais problemas sobrevenham aos seus escolhidos, mas que é uma promessa pessoal de que estará ao lado e que, no momento certo, fará cessar toda dor, toda tristeza, toda a amargura através do seu amor e do seu cuidado. 

Passar por dificuldades não é uma questão de falta de fé como alguns apregoam por aí. Isto é uma contingência da própria vida, das circunstâncias temporais que passamos e as quais muitas vezes independem da nossa vontade ou mesmo da nossa ação – simplesmente acontecem! O importante é fazer a nossa parte, é permanecer na condição de justos (mais especificamente justificados em Cristo Jesus), é “aceitar” o que o Senhor nos oferece que dói menos; dele vem o nosso consolo, a nossa paz, a certeza de que tudo ficará bem no tempo que ele determinar.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Bendirei o Senhor em todo o tempo.

Bendirei o SENHOR em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” – Sl 34.1

Este é, sem dúvida, um ano atípico. Em virtude da pandemia mundial que nos assolou, projetos ficaram em suspenso, viagens foram desmarcadas, férias foram prejudicadas, empregos foram ameaçados, o “pão nosso de cada dia” pode ter sido racionado em alguns momentos. Os pessimistas de plantão dizem que não há motivo algum para agradecer a Deus ou para louvá-lo em virtude do que está acontecendo. 

Quero gentilmente discordar dos pessimistas. Por maior que tenha sido a dificuldade enfrentada, o Senhor abriu “portas” para que o sustento viesse. Não vi nenhuma notícia no Brasil sobre alguém que tenha morrido de fome por causa da pandemia. Com fartura ou não, saborosa ou insossa, o fato é que o Senhor alimentou a todos. 

Pessoas morreram por causa deste vírus especificamente. Até o presente momento mais de 130 mil vidas foram “colhidas” em virtude desta enfermidade. No entanto, outras doenças que também matam como gripes, dengue, pneumonia, acidentes, problemas cerebrovasculares e outras figuram em números menores do que as registradas em anos anteriores. 

As igrejas não perderam seus membros. Ainda que não seja possível retornar aos trabalhos presenciais como é o anseio geral, cada denominação tem produzido material “on-line” para dar suporte aos seus fiéis em todas as áreas: emocional, material e espiritual. Ouve um investimento maciço na produção de “lives”, de encontros virtuais, de estudos bíblicos dirigidos, de cultos pela internet. 

As famílias cristãs estão melhores do que antes. É fato que o isolamento social produziu estresse nos integrantes da família; porém, com criatividade, carinho e amor os obstáculos foram superados em sua grande maioria. Os vínculos afetivos se tornaram mais fortes, e todos se tornaram “parceiros” para enfrentar a situação. Não podemos nos enganar dizendo que não existiram, e nem tampouco que não acontecerão “baixas” nesta luta – infelizmente temos conhecimento que algumas famílias se desestruturaram -, porém o “estrago” foi muito menor do que os pessimistas previam. 

De forma geral, apesar dos pesares, creio que posso fazer exatamente como o salmista e bendizer ao Senhor por todo o tempo que estamos atravessando, pois vejo inequivocamente a mão maravilhosa de Deus cuidando, sustentando e fortalecendo os seus amados. Tenho motivos de sobra para louvá-lo de todo o meu coração e com toda a minha alma.

E você? Pode bendizer e louvar ao Senhor em todo o tempo?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

 

Em busca da vontade de Deus.

“…a fim de que o SENHOR, teu Deus, nos mostre o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer” – Jr 42.3

 

Este verso é parte de uma assembléia constituída do povo de Judá, “desde o menor até ao maior” (v.1), onde eram representantes os capitães dos exércitos. Eles pediram uma espécie de “audiência com o profeta Jeremias (que também era sacerdote por hereditariedade por ser filho do sacerdote Hilquias). Judá estava sob o domínio dos caldeus e sob o comando de Nabucodonosor. Gedalias era o governador designado pelo rei (587 a.C), mas um homem da linhagem real judaica, Ismael, levantou-se conta a administração de Gedalias e o matou. Agora temiam a represália de Nabucodonosor e estavam propensos a ir para o Egito em busca de asilo. Seria esta a melhor solução? Era isto que Deus queria? Por isso foram até Jeremias e lhe rogaram que consultasse ao Senhor. 

Existem momentos em nossa vida que nos vemos em situação semelhante a esta e queremos saber o que Deus tem predeterminado para nossa existência. Não nos importa o porquê vivemos a situação difícil, mas o quê exatamente Deus quer de nós. 

Nas palavras ditas ao profeta Jeremias vemos claramente que há um problema de essência: eles pedem que o profeta consulte ao “seu” Deus. O povo de Judá era o detentor da promessa de que não faltaria rei descendente de Davi, e que o Todo Poderoso os abençoaria em toda a jornada. Porém, de alguma maneira, eles perderam a fé, a esperança e o amor por Deus. Estavam totalmente desatinados e precisavam de ajuda, e o profeta Jeremias prontamente atendeu à súplica. Disse-lhes que oraria ao Senhor “vosso” Deus – já na clara tentativa de resgatá-los dos caminhos tenebrosos que trilhavam – e que lhes declararia absolutamente tudo, sem ocultar nada (v.4). Ali estabelecem um pacto de ouvir e seguir a palavra que o Senhor enviasse, mas ainda insistem que era o Deus de Jeremias (v.5), e que fosse ela boa ou má obedeceriam sem pestanejar (v.6). 

Até aqui podemos entender o que se passava naqueles corações desejosos de saber o que Deus lhes reservava. Nos momentos em que nos sentimos amedrontados e sem saber para onde correr, a palavra de um homem designado por Deus (significado do nome de Jeremias) parece ser a solução ideal para nossa aflição.

O único problema é que ao ouvirem que Deus os queria onde estavam, que por mais que Nabucodonosor se irritasse com o ocorrido, o Senhor estaria ao lado deles e eles prosperariam em sua terra (v.11), os moradores de Judá não acreditaram e chamaram o profeta de mentiroso (43.2), e com isto todos desobedeceram a voz de Deus (43.4) com terríveis conseqüências no futuro próximo (43.11). 

Existem preciosas lições a serem extraídas desta história. 1) Deus fala através de seus designados (não qualquer pessoa que se diz pastor ou profeta) Pode não ser no tempo que desejamos (foram 10 dias de espera! 42.7), mas Deus responde; 2) A resposta de Deus pode não ser o que queremos ouvir, mas é o melhor para a nossa vida; 3) buscar uma resposta e não obedecer é trazer castigo sobre si mesmo. 

Sei que você quer conhecer a vontade de Deus para a sua vida, mas você realmente quer obedecer À voz do Senhor? Quer se comprometer de corpo e alma àquele que quer o melhor para sua vida?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Tudo provém de Deus.

Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo” – Sl 104.27

 

É difícil para muitas pessoas reconhecerem que precisam de Deus para absolutamente tudo. Parece ser mais fácil acreditar no acaso, na força da natureza, em coincidências ou sorte e azar do que entenderem que do Senhor procede todas as coisas. Somente uma coisa elas não perdem jamais: a esperança de que haverá subsistência para o dia de hoje. Sem uma explicação lógica, continuam a acreditar que viverão o presente dia, que terão alimento para sustentar a energia de seus corpos, que haverá uma nova oportunidade para viver um novo dia amanhã. É um sentimento, uma esperança, quase uma certeza que provém do âmago de suas almas como se isto estivesse incrustado em seus DNA’s. Assim como o recém nascido instintivamente confia em sua mãe para suprir seu alimento, assim são as pessoas neste mundo a esperar por Deus sem, contudo reconhecerem o que ele faz.

A reflexão do salmista nos versos seguintes ao citado apresenta isto de forma simples e coerente: “Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó“. Observe que a origem de todas as coisas é a graça de Deus que dá conforme seu propósito; a partícula condicional “se” atribui ao Senhor a ação de dar ou não, de sustentar a quem ele bem entende e na quantidade que bem lhe apraz (v.28); A ausência da sua graça (ocultar o rosto) gera inquietude, instabilidade e incerteza tal que ficam perturbados, e também estão no controle de Deus os dias de todos os homens, pois somente o Senhor é capaz de tirar a vida, por mais que o homem sinta-se inclinado a encerrar sua carreira neste mundo (v.29). Quantos já tentaram o suicídio e sobreviveram! Quantos já atentaram contra a vida alheia e o Senhor os salvou! Ninguém morre na véspera e nem tampouco depois do tempo determinado. A forma, o modo, as condições em que a morte chega estão debaixo da permissão divina, mas jamais fora do seu controle. 

Seria a morte o fim de tudo? A mensagem do salmista é que a vida continua, não por reencarnação (esta doutrina é antibíblica – Hb 9.27), mas por novas criaturas que substituem as que morreram (v.30). Para os que crêem em Cristo, estas palavras também podem ser entendidas como a ressurreição final onde o Espírito chamará à vida todas as pessoas para o derradeiro juízo onde alguns serão destinados a viver eternamente com Deus e outros para uma eternidade de trevas e ranger de dentes (Ap 20.11-15). 

Você já pensou de onde provém seu alimento? Suas vestimentas? Sua vida? Sua morte? E sua vida eterna?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Ansiedade.

Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” – Mt 6.25

 

Não tem sido fácil lidar com a ansiedade. O mal que assola o mundo inquieta todos os corações com dúvidas terríveis: Será que vamos ser contaminados? Se formos, iremos sobreviver? Haverá recurso médico disponível se precisarmos ser hospitalizados? Nossos familiares estarão seguros? Se a pandemia persistir até o próximo ano, como iremos nos sustentar até lá? São perguntas válidas cujas respostas não são conclusivas. 

Medo e ansiedade andam de mãos dadas; criam um ciclo vicioso do qual é difícil de escapar. Não é a toa que as farmácias e os supermercados aumentaram seus faturamentos neste tempo de incertezas. 

Ansiedade não é algo novo. Jesus já lidava com esta questão desde o início de seu ministério. A narrativa aqui tem como pano de fundo as instruções dadas aos discípulos que o seguiam, e que já estavam ansiosos para saber como se manteriam e como sustentariam suas famílias se acompanhassem a Jesus. Não havia garantia alguma de recursos pecuniários, de nenhuma espécie de sustento financeiro. Tudo repousaria somente na fé em que Deus haveria de prover o necessário em todo o tempo (v.26). 

Os anos passaram, mas a Palavra de Deus permanece a mesma; milhares de décadas e os discípulos que vieram permaneceram na mesma esperança de cuidado; milênios separam os primeiros discípulos de nós, mas a fé ainda é a mesma. Para vencer a ansiedade precisamos ter fé, confiar no poder de Deus e em sua divina providência porque ele tem cuidado de nós. 

Sei que todos lidam com a ansiedade, mas o remédio ainda é o mesmo: ter fé que nada nos faltará.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Vida eterna, eleição e boas obras.

“… assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” – Jo 17.2

 

Este verso faz parte da chamada “oração sacerdotal” de Cristo, onde ele intercede diante do Pai pelos seus discípulos que estavam prestes a enfrentar as aflições próprias daqueles que são filhos de Deus. Jesus pede sua glorificação, ou seja, que seja cheio da glória, brilho, resplendor de Deus a fim de que os discípulos pudessem ver e entender que ele realmente era o Filho de Deus a quem foi conferida a autoridade sobre toda a carne. Isto o revelaria como Criador de todas as coisas, inclusive da igreja que haveria de nascer (Cl 1.15-18). Esta autoridade do Pai vista no Filho tem especificamente o poder de conceder salvação eterna às pessoas, mas não para todas: somente àqueles que foram escolhido desde a eternidade. Engana-se todo aquele que imagina que a doutrina da predestinação é de origem paulina. Jesus já a havia introduzido em suas prédicas (Mt 20.16, 22.14, 24.22, 31; Mc 13.27 e Lc 18.7) e a apresentou implicitamente quando instituiu a santa ceia (Mt 26.28 – “em favor de muitos“, o que equivale a dizer que não é para todos, mas somente os que acreditam em Jesus como o Deus encarnado). 

A vida eterna é uma concessão de Jesus. Não é por créditos adquiridos decorrentes de “boas obras” para que ninguém imagine que pelos seus próprios esforços será capaz de garantir um lugar nos céus (Ef 2.8-9). A vida eterna é dada para aqueles a quem Deus já estabeleceu. Provavelmente esta é a doutrina mais difícil para ser assimilada – verdadeiramente impossível para aqueles a quem Deus não a quer revelar. Está impregnado na alma humana o desejo de ter domínio de seu futuro, tanto material quanto espiritual. Há uma luta tremenda para aceitar o fato de que o futuro – todo ele – pertence somente a Deus, e que todos os nossos dias estão contados e escritos (Sl 139. 16). Tentam racionalizar dizendo: “se é assim, então não vale a pena ser bom”; “se meu destino já está traçado, então posso fazer o que quiser que nada vai alterá-lo”, “se a predestinação é um fato então somos meros ‘robôs’ diante de Deus”. Em resposta digo: 1) vale a pena ser bom porque todos serão julgados por suas próprias obras (Ap 20.12 – observe que existem dois livros distintos: o da Vida e o das Obras; Mt 16.27); é fato que as obras não salvam, mas determinam o galardão (salário, recompensa) eterna que cada um terá. 2) Quanto a fazer o que bem entender, as obras revelam quem é e quem não é filho de Deus (Mt 5.16; Jo 3.21, 9.4, 14.12; 2Co 11.15; Ef 2.10; Tt 1.16; Tg 2.14, 17; 1Pe 1.17; Ap 2.19, 14.13, 22.12. Leia! São importantes). 3) Quanto à salvação eterna, ela é atributo exclusivo de Deus e ninguém pode alterar; quanto a ser um robô, temos livre agência para escolher entre viver de forma que agrada a Deus ou aquela que vai desencadear a disciplina de Deus. 

Não sabemos quem são os eleitos até que eles se manifestem refletindo a glória de Deus em suas vidas, palavras e atitudes; é por isto que devemos pregar o evangelho a toda criatura. É nosso dever pregar, é prerrogativa de Deus escolher, de Cristo salvar e do Espírito santificar. Vamos fazer a parte que nos cabe, com fé e bom ânimo, e o mais o Senhor fará (Mt 6.33).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Desatento.

Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?” – Jo 14.5 

 

É impressionante a quantidade de cristãos que não se dão conta sobre a vida e a morte; entre o Cristo crucificado e o Cristo ressurreto. Satisfazem-se com um conhecimento raso, insuficiente para nutrir a alma, incapaz de prover à própria alma o alento que vem da sabedoria que vem do alto (Tg 1.5, 3.17). 

O discípulo Tomé é um ícone da desatenção e do não entendimento a respeito aos ensinos e das palavras de Jesus. Quando Jesus propõe o retorno à Judéia para estar com Lázaro, “Tomé disse: Vamos também para morrermos com ele” (Jo 11.16). O contexto mostra que Jesus tinha recentemente “escapado” de um apedrejamento (Jo 10.31). A forma do registro aponta não para aceitação de um possível martírio, mas sim para uma tentativa de Tomé para dissuadir Jesus ou os discípulos desta jornada que considerava perigosa. Outro evento aconteceu quando Jesus apareceu no Cenáculo entre os discípulos pela primeira vez, fato este que Tomé não presenciou. Ao invés de acreditar em seus companheiros, Tomé disse categoricamente que não acreditaria até ver e tocar as feridas de Jesus (Jo 20.24-25). O próprio Senhor revelou o coração incrédulo de Tomé (Jo 20.27).

A frase: “não sabemos para onde vais” pode ser entendida apenas como uma dúvida pessoal que foi generalizada (por exemplo, a expressão: todo mundo disse… quando na verdade apenas uma ou outra pessoa falou), ou até mesmo expressasse o não entendimento do grupo sobre as palavras de Jesus. 

Na vida cristã existem vários momentos em que perdemos o “fio da meada”, a linha de raciocínio, o ponto específico que estava sendo tratado; no entanto, quando isto acontece, buscamos imediatamente saber mais, nos aprofundar na questão para que ela fique devidamente esclarecida em nossas mentes e corações. Dúvidas devem nos estimular ao conhecimento e não ao descaso ou à desatenção. Entendo que Tomé tinha motivos para não conseguir entender de imediato, mas nós hoje temos algo que os discípulos não tinham: os evangelhos, as cartas e o livro de apocalipse. Não saber para onde Jesus foi, ou desconhecer o caminho que todos deveríamos trilhar é algo inadmissível para os cristãos hodiernos. 

Tomé foi repreendido por Jesus devido sua desatenção ou incompreensão daquele conhecimento que já deveria dominar. Pelo que vimos até agora Tomé poderia crer mais, confiar mais, generalizar menos e se empenhar mais. 

Dizem que sábio é aquele que aprende com os erros dos outros. Vamos aproveitar este ensinamento?

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel.