Reconhecendo as próprias faltas.

Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas” – Sl 19.12.

 

Davi reconhecidamente era um homem de Deus (2Cr 8.14); no entanto isto não o isentava de cometer pecados. Neste salmo ele reconhece a grandeza de Deus, sua maravilhosa obra e sua Palavra perfeita; porém, mesmo tendo capacidade para enxergar estas coisas, revela-se como alguém incapaz de reconhecer os próprios pecados e iniqüidades (aqui descritas como faltas, e no original hebraico erro moral). Ele sabia que havia pecado por ato, pensamento, palavra ou omissão, apesar de não ter total consciência do quê especificamente.  

Não somos diferentes de Davi. Somos pecadores que desejamos fazer o bem, o certo, o que agrada a Deus, mas que acabamos por tropeçar em nossos pensamentos e sentimentos em busca da satisfação pessoal ou perpetrando o mal contra o nosso próximo. Como bem disse o apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). 

Louvado seja Deus que, no exercício de seu amor e misericórdia não nos abandona a própria sorte! Louvado seja Deus por Jesus Cristo, seu Cordeiro escolhido, que através de sua morte vicária nos trouxe vida e vida em abundância! Louvado seja Deus porque em Cristo há perdão para todos os nossos pecados. 

O perdão concedido por Deus e que nos alcançou em Cristo não deve nos conduzir a um sentimento de desleixo para com nossa condição decaída; pelo contrário, deve nos levar a uma constante confissão dos nossos erros e purificação da nossa alma. Davi sabia que o Senhor tinha consideração por ele, mas em momento algum entendeu que isto o isentava de uma vida de santidade; o mesmo se aplica a cada um de nós. 

Não permita que seu coração se endureça, ou que o inimigo de nossas almas o convença de que não há mais necessidade de confissão diante de Deus. O Senhor sabe dos nossos erros (até daqueles que não temos total consciência) e confessar os pecados não é algo que Deus precise ouvir, mas que nós precisamos tomar consciência, reconhecer que é errado, e desejar ardentemente não mais incorrer naquilo que aborrece ao Senhor. Confessar é algo que faz bem para nossa alma, nos torna mais sensíveis à voz do Espírito Santo, nos faz mais humildes e misericordiosos com os erros alheios. Reconhecer nossas falhas e erros diante uns dos outros é um bom exercício espiritual que produz cura (Tg. 5.16). 

Voltando ao texto inicial, que possamos incluí-lo em nossas orações: “Senhor, absolve-me das faltas que me são ocultas, daquelas que não reconheço como faltas, das que não consigo considerar como tais”.

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel