O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal

Isaías 9.1-7

O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal, ou seja, a chegada do messias, e começa quatro domingos antes da comemoração natalina, sendo entre 27 de novembro a 24 de dezembro. Advento vem do latim “ad-venio”, que quer dizer “vir, chegar”.

A pratica desta tradição nasce junto com a Reforma Protestante, as luzes do Advento. Embora o seu surgimento exato não seja conhecido, a tradição afirma que a prática vem do próprio Martinho Lutero.

No Calendário Cristão, o Advento significa chegada, surgimento, é um tempo de preparação, de expectativa pela vinda de Cristo, neste sentido, é a preparação para a comemoração de sua primeira vinda, no Natal, e também a ardente expectativa pela sua segunda vinda, em glória, para restaurar toda a Criação. Que dia Glorioso será esse!

As luzes do Advento podem tomar diferentes formas, como coroas ou guirlandas, lâmpadas ou velas, são um instrumento didático para marcar a chegada da Luz do Mundo no Natal. Na sua origem, era um arranjo decorativo de velas que eram acesas no fim da tarde, no momento do Culto doméstico, para mostrar às crianças quanto tempo faltava para o Natal.

Conforme os dias avançavam mais luzes eram acesas, até que, na Noite de Natal, a maior de todas era acesa também, o arranjo atingia o seu maior brilho, e assim permanecia durante os Cultos das duas semanas seguintes, em que a Igreja também se lembra da visitação de Jesus pelos magos do Oriente, guiados pelo brilho da estrela, conforme registro no evangelho de Marcos 2.1-12, e o seu Batismo por João, no qual os céus se abriram e o Espírito Santo desceu sobre o Senhor na forma de uma pomba, conforme registro no evangelho segundo Mateus 3.16-17.

A tradição das luzes do Advento surgiu no Culto doméstico, algum tempo depois foi incorporada também ao Culto comunitário da Igreja Luterana, e dela passou também para outras tradições protestantes, sendo adotada, séculos depois, até mesmo pela Igreja Católica Romana. É importante enfatizar, que a origem dessa tradição, assim como a das árvores Natalinas, é totalmente protestante. O Calendário Cristão começa pelo Advento, em que comemoramos 505 anos da Reforma, ou seja, aconteceu no dia 31 de outubro de 1517.

Isaías o profeta, cerca de 700 anos antes, soa o toque da alvorada espiritual anunciando a vinda de uma grande luz ao mundo. O profeta Isaías 9.1-7 apresenta o anúncio profético da vinda do Messias Prometido. Esse anúncio aponta para o extraordinário significado do Natal. O anúncio profético de Isaías tem três pontos importantes:

  1. As luzes do Natal anunciam um tempo de esperança, Isaías entrega um brado de esperança para todos os desconsolados, que se acham mergulhados em densas trevas. A luz que brilha sobre este mundo é o Jesus Cristo, O Salvador prometido por Deus para trazer a salvação a todos. Jesus é a única e verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem, somente Jesus Cristo pode conceder esperança. As luzes do Natal nos convidam a renovar a esperança em Jesus, a verdadeira luz. Nossa Esperança está em Jesus Cristo.
  2. As luzes do Natal anunciam a intervenção divina no mundo, nos dias do profeta Isaías, o povo vivia sob grandes dificuldades, tanto político como também espiritual. O cativeiro da Babilônia, deixou o povo em condições de vida extremamente desconfortável. Os babilônicos tentaram desconstruir a cultura e a fé do povo do Senhor. Ao serem levados para o cativeiro eles estavam, longe de sua terra e longe de Deus, o povo sofria o peso da opressão. Algo extraordinário acontece na vida deles, quando o profeta Isaías no 9.3-6, anuncia à intervenção divina. A luz que dissipa as trevas do pecado e do desespero brilha na visão de Isaías, que anuncia ao povo a intervenção divina. As luzes do Natal anunciam que o Senhor se lembrou de nós e veio para afugentar as trevas que impõem pavor, angústia e desespero. Somente em Cristo encontramos paz e alegria, Ele é a intervenção no mundo. Louvado é Jesus Cristo!
  3. As luzes do Natal anunciam a chegada de um tempo de perdão, Jesus Cristo significa o perdão sobre a culpa, o libertador do castigo qual merecemos. As luzes do Natal sugerem a esperança de uma nova vida, uma nova caminhada garantida pelo perdão que o Salvador trouxe ao mundo. O Nascimento de Jesus Cristo é o acontecimento sublime, os pastores ao ver a luz, foram conduzidos para o encontro do Senhor, aquele bebê, foi o próprio Deus encarnado, qual trouxe esperança, de um dia reinarmos com Ele por toda a eternidade. A Luz veio para dissipar a escuridão e dar-nos esperança da salvação no Senhor.

A luz desta pastoral tiraremos três lições importante:

  1. Saiba como as luzes do Natal, a promessa da nossa salvação, viabilizada na Pessoa de Cristo. Olhar para Jesus Cristo o ajuda a deixar de lado as obras das trevas, às coisas vãs deste mundo. A luz anuncia a esperança! Essa esperança encontramos em Jesus Cristo!
  2. Entenda que agora é o momento em que o anuncio da chegada de Jesus Cristo, o Deus vivo e encarnado, leva nossos lares e corações para festejar. Somos iluminados por Jesus, recebemos por intermédio de Jesus Cristo o perdão e a bênção da salvação!
  3. O que devemos fazer a luz de tudo isso, convidar amigos, para ouvir a mensagem do Senhor, colocar-nos nos caminhos do Senhor e deixar que em nossas comemorações, Cristo Jesus reine, para que todas as pessoas, amigos, ouçam o evangelho da salvação encontrada em Jesus Cristo!

Desejamos um Natal Abençoado e que todos sejam alcançados por Cristo Jesus.

Que Deus esteja derramando as mais ricas bênçãos sobres todos.

Rev. Cristiam Matos

Armadura de Deus – Parte 8

“…e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” – Ef 6.17b

 

Todas as peças de uma armadura que são presas ao corpo são para proteção. A função é manter intactos os órgãos internos e os membros superiores e inferiores para que o soldado permaneça vivo e atuante.

Outras duas peças servem tanto para defesa quanto para desferir golpes: o escudo e a espada. Sobre o escudo discorremos numa pastoral anterior; hoje trataremos sobre porque o apóstolo Paulo fez da analogia entre esta última e a Palavra de Deus. 

Quem conhece um pouco da história da humanidade entende que cada povo forjava espadas conforme o tipo de combate. Elas podiam ser longas e retas ou longas e curvadas, finas ou grossas, largas ou estreitas, afiadas em um ou dois lados. Os escritores do Novo Testamento usavam duas palavras para espada: “machaira”, uma faca grande ou espada curta para combate corpo a corpo; e “rhomphaia”, uma espada longa geralmente para uso a cavalo. Paulo faz referência à primeira, visualizando o gládio romano, uma espada curta com lâmina de 65 a 95 centímetros, afiada em ambos os lados e com ponta afilada. O cabo consistia em um punho com um pomo metálico para contrapeso. Era eficiente para cortar tanto no avanço do golpe como em seu retrocesso, e sua ponta era forte o suficiente para penetrar uma armadura e produzir algum ferimento.

A analogia de Paulo é muito esclarecedora. Ele atribui ao
Espírito Santo a propriedade da espada, o que a torna um instrumento divino, cheio de vida e de vontade própria. Podemos entender nas entrelinhas que não é o soldado que está no controle dela, mas sim o Espírito Santo a quem ela pertence. Assim é a Palavra de Deus: uma arma poderosa para o uso do cristão, cuja eficácia dos “golpes” depende do Espírito Santo. Jesus fez uso da Palavra ao confrontar-se com Satanás no deserto (Leia Mateus 4.1-11). Ao ser tentado para transformar pedras em pão e assim saciar sua própria necessidade, Jesus respondeu: “está escrito…”; Satanás tentou lutar com as mesmas armas e “deu” amparo com textos bíblicos para sua sedução (v.6), e Jesus permaneceu firme defendendo-se com a Palavra (v.7); por fim Satanás fez uma última investida tentando alterar os desígnios eternos de Deus e proporcionar um atalho para Jesus onde não haveria necessidade de dor,  sofrimento e humilhação na cruz (v.9); e Jesus mais uma vez se manteve impávido sob a égide da espada da Palavra como um defensor da justiça divina (v.10). 

O autor de Hebreus, referindo-se a Palavra, diz: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” – Hb 4.12. 

Você tem em suas mãos uma espada afiada, precisa e letal contra as hostes do inimigo da sua alma. Ela serve tanto para sua defesa quanto para rechaçar os ataques do maligno. Leia a Bíblia! Conheça o seu poder espiritual! Sinta a vida que o Espírito Santo dá a ela! Levante-a bem alto, com fé e com vigor. Disponha-se para lutar bem preparado, bem vestido com toda a armadura de Deus, com todas as armas que estão ao seu alcance. Acima de tudo, lembre-se: Em Cristo somos mais que vencedores! (Rm 8.37).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Armadura de Deus – parte 7

“Tomai também o capacete da salvação…” – Ef 6.17

 

De todas as partes de uma armadura provavelmente a mais desconfortável é o capacete. É uma peça pesada que é presa por baixo do maxilar, o que provoca uma sensação de sufoco. Se a correia estiver frouxa, o capacete “dança” na cabeça quando o militar está andando, e pode cair se fizer um deslocamento rápido. Por mais incômodo que seja, qualquer soldado envolvido numa guerra necessita de um capacete, e todo o oficial consciente exige seu uso.

O principal objetivo do capacete é preservar o funcionamento do cérebro do militar em ação porque traumas oriundos de golpes de espada ou quaisquer outros instrumentos de metal ou madeira podem provocar tontura, cegueira, surdez, paralisia parcial ou total do corpo. Em qualquer caso, o soldado ferido estará incapacitado para o combate. 

Paulo usou este objeto como analogia da salvação eterna e, consequentemente, da importância da preservação da alma do cristão. A palavra usada em grego para salvação é “soterion”, e significa aquele ou aquilo que salva, que traz salvação, que livra de perigo iminente; e quando falo em “alma” estou me referindo àquela parte intrínseca ao ser humano, porém imaterial, produto final do raciocínio que processa e imprime todas as lembranças, informações e experiências físicas e metafísicas e as usa na construção da personalidade e do caráter de cada indivíduo tornando-o único, exclusivo, totalmente diferente de qualquer outra pessoa. Paulo entendia que a salvação eterna abrangia a alma do eleito, e que a mente do cristão precisava de uma proteção especial na dura batalha proporcionada pelo maligno. 

O capacete de Deus permanece uma analogia válida para nossos dias. O eleito do Senhor deve ter conhecimento e apropriar-se da salvação eterna proposta por Cristo Jesus na cruz consciente de que isto “blinda” sua alma dos vis ataques de Satanás e garante sua sanidade mental e espiritual. 

Você tem usado o capacete que Deus lhe concedeu?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Armadura de Deus – Parte 6

Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” – Ef 6.16

 

Independente do material que o escudo era confeccionado (madeira, couro ou metal) sua estrutura interna consistia de duas tiras de couro onde uma vestia o antebraço e outra era segurada pela mão. Até hoje é uma arma impressionante, que serve tanto para defesa como para desferir golpes no oponente. Algumas possuíam uma ponta metálica central semelhante as das lanças que poderia perfurar armaduras ou o rosto dos adversários. Nossa geração tem em seu favor a produção de filmes e documentários que mostram o uso dos escudos na prática. Quem já não viu a formação “tartaruga” aperfeiçoada pelos romanos? Aquela onde os escudos eram colocados lado a lado e também por sobre a cabeça dos soldados? Quem não assistiu filmes como “gladiador”, “tróia” ou “coração valente” onde os escudos protegiam da “chuva” de flechas? O apóstolo Paulo bem sabia quão importante era este instrumento para o combatente romano, e como ele era capaz de salvar a vida no calor intenso da batalha. 

Paulo conclama seus leitores a usar e aproveitar bem esta arma de defesa e ataque que o Senhor concedeu aos seus santos: a fé em Cristo Jesus. Fé é um equipamento poderoso que protege das flechas incendiárias do inimigo de nossas almas. Na galeria dos heróis da fé estão homens e mulheres que lutaram bravamente pelo evangelho fortalecidos pelo amor de Cristo, e alcançaram a vitória esperada: a vida eterna (Rm 8.35-39. Leia! É importante). 

Sei que parece estranho Paulo falar sobre dardos inflamados, mas a analogia é muito pertinente. As tentações são estas flechas que tem alvo definido: o nosso coração. Cada tentação é uma seta em chamas capaz de ferir profundamente e proporcionar uma dor indescritível. Devido à velocidade que as flechas alcançam, as chamas passam despercebidas; o que se ouve é o silvo delas rasgando o ar e anunciando o perigo iminente. Somente um bom escudo é capaz de evitar a tragédia; somente a fé é capaz de resistir a tentação.

Este escudo protetor faz parte da armadura que Deus preparou para sua vida. Usá-lo é sinal de sabedoria e prudência. Você já embraçou este armamento?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel  

Armadura de Deus – Parte 5

Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz” – Ef 6.15

 

Uma das partes mais importantes do uniforme ou “armadura” para um soldado é, sem dúvida,  aquela que diz respeito aos seus pés. Eles precisam estar bem acondicionados, protegidos e confortáveis para que o soldado possa caminhar por muitos quilômetros ou fazer pequenos deslocamentos acelerados, seja qual for o terreno que tenha de percorrer. 

Conta-se que na segunda guerra mundial, a Força Expedicionária Brasileira impressionou por sua resistência diante do clima hostil que enfrentavam. As tropas aliadas sofriam com o frio e a neve, pois os pés constantemente úmidos causavam diversos problemas, e entre eles a amputação de dedos por causa da gangrena. Os brasileiros, mal aparelhados e com uniformes mais leves do que o tempo recomendava, não tinham tanta dificuldade. A solução encontrada pelos pracinhas foi “forrar” roupas e coturnos com folhas de jornais, e isto os mantinha quentes e secos. 

O apóstolo Paulo, descrevendo a armadura romana, teve o cuidado de referir-se ao calçado e criou um paralelo de importância com a “preparação” do evangelho da paz. Como no militarismo romano, todo bom soldado deve estar sempre pronto para cumprir ordens e, portanto, devidamente trajado para qualquer situação; nada deve impedi-lo de cumprir suas ordens, seja dia ou noite, calor ou frio intenso, clima seco ou úmido. 

Creio que não há dúvidas sobre o intento de Paulo neste verso, pois todo cristão engajado nas fileiras do Senhor precisa estar preparado para dar razão de sua fé. Há uma grande possibilidade do apóstolo referir-se ao profeta Isaías que disse: “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! – Is 52.7. 

Todo crente deveria estar preparado para falar do evangelho de Cristo, das boas novas de salvação, da promoção da paz entre Deus e os homens mediante o sacrifício de Jesus. Você está?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel