O poder do evangelho.

Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” – At 2.41 

 

O livro de Atos dos Apóstolos registra a história da igreja nascente, da ação poderosa do Espírito Santo (este livro bem poderia ser chamado de Atos do Espírito Santo…), do impacto profundo e transformador da pregação do evangelho puro e simples. Este é um livro inspirador, que faz nossa mente se deleitar com a graça revelada de Deus entre os homens. Quem não fica encantado ao ler como Deus usou poderosamente seus apóstolos para pregarem uma mensagem tão transformadora? Quantos não desejam ver algo desta natureza, onde um grupo enorme de pessoas recebem a Cristo como seu Senhor e Salvador? Qual era a condição “especial” para que tais resultados de conversão acontecessem?

O princípio fundamental que se deve levar em conta ao ler este livro é o cuidado de Lucas (o autor) em registrar o início da igreja fundamentado na Palavra revelada, na mensagem pregada, no ensino das escrituras. Ele parte do fato que Jesus Cristo, o ressurreto, ficou com seus discípulos por quarenta dias e os ensinou a respeito do reino (At 1.3).  Este conhecimento adquirido do Senhor é a fonte do “poder” pelo qual a presença do Espírito Santo se revela em cada indivíduo (Rm 10.17) – promessa feita no AT e cumprida no dia de Pentecostes (2.4). No fim do capítulo 1 aparece o registro da recomposição do grupo apostólico com a eleição de Matias. Este é o pano de fundo para que a promessa se cumpra: Sã doutrina, oração e obediência aos preceitos do Senhor. Isto se aplica à igreja coletivamente, e também para cada indivíduo. A manifestação do Espírito sempre tem um propósito geral, e não particular, haja vista que ao se apresentar no indivíduo ele se transformará em um agente espargidor da graça de Deus.

A narrativa da descida do Espírito Santo demonstra esta realidade. Estavam reunidos = coletividade; pousou sobre cada um deles = individualidade; falaram outros idiomas = muitas pessoas ouviram as grandezas de Deus em suas línguas pátrias (2.6,8,11).  Lucas faz questão de registrar que o poder do Espírito faz uma separação imediata entre os que estão propensos a ouvir e aqueles cujos corações são endurecidos (v.12 e 13). Da predisposição em ouvir, Deus inspira o apóstolo Pedro para pregar o evangelho: uma mensagem simples, clara, objetiva, constrangedora. Primeiro defendeu o fato de que os “cheios do Espírito” não estavam embriagados, mas lhes refrescou a memória, pois era uma promessa de Deus (v. 17-21). Toda pregação precisa estar ancorada num texto bíblico e este contextualizado com o momento. Depois centrou a mensagem em Jesus – o homem de Deus aprovado em milagres, sinais e prodígios, os quais foram realizados no meio deles e dos quais eles mesmos eram testemunhas. Este Jesus é o mesmo que Deus havia preparado na eternidade, o Cristo, o qual foi morto por mãos humanas onde todos estão representados – seja por ação direta ou por omissão. Ele foi morto por pecadores, mas ressurgiu dos mortos (v.22-24). Depois sua proposição com um texto bíblico que eles bem conheciam e reverenciavam: Sl 16.8-11. Por fim, faz sua interpretação e aplicação sobre a vida e obra de Cristo, afirmando ser ele Jesus, o nazareno, consolidando com outro texto bíblico (Sl 110.1). Sua conclusão é dura, sem rodeios, sem medo do que seus ouvintes poderiam pensar – acusou-os de assassinos. 

Não há dúvida que a mensagem do evangelho de hoje é diferente. Quem se agradaria da mensagem de Pedro? Quem se disporia a ouvir um evangelho tão focado, centrado e acusador? Porém este é o evangelho: duro, despido de segundas intenções e inquietante. Se não for assim, é lícito duvidar da sua procedência. Palavra de Deus que não desafia, não faz pensar, não chama ao arrependimento não é palavra de Deus. É preciso relembrar os milagres vistos e testemunhados, das graças reveladas, da sentença injusta, da omissão cometida para que um sentimento venha a tona: culpa! Culpa no individual, no particular, não necessariamente no coletivo.  Este sentimento inquietante de quem sabe que está errado, que fez algo errado, que fala distorcidamente, que encobre seus maus caminhos e pensamentos precisa ser reconhecido como pecado e, na qualidade de pecador, buscar o perdão daquele a quem ofendemos. As pessoas que o Senhor inclinou o coração para ouvir se sentiram acusados e acuados, e sem saber o que fazer buscaram a orientação petrina e dos demais apóstolos que lhes direcionaram à confissão de pecados, a quedarem-se aos pés de Jesus e arrependerem-se das suas más obras. Somado a isto deveriam ter uma atitude visível de decisão – deveriam submeterem-se ao batismo cristão, ao senhorio de Jesus, a fim de receberem o tão esperado e necessário perdão dos pecados (v.37-38). 

Há urgência no evangelho. Pedro os exorta a “se salvarem” desta geração perversa, uma clara referência aos valores deste mundo que devem ser abandonados de pronto (v.20). Atender ao apelo era é ainda é necessário. É preciso sair da zona de conforto, abandonar a proteção oferecida pela capa da religiosidade, colocar-se em evidência diante de seus amigos e parentes como alguém redivivo em Cristo Jesus. Naquele momento histórico quase 3.000 pessoas foram batizadas; quase 3.000 pessoas abandonaram seus pecados, foram lavadas pelos sangue de Jesus, foram transformadas pelo poder do Espírito. Ainda que hoje não haja um ajuntamento semelhante, creio que milhares de cristãos espalhados pelo mundo estão pregando este mesmo evangelho, puro, simples, duro e transformador; evangelho que acusa, que aponta o dedo e nos chama de pecadores, mas também que nos chama ao arrependimento, ao abandono do pecado, a sair da zona de conforto, a nos expor diante das pessoas como crentes em Jesus. Não importa se pensadores do passado e do presente dizem que a religião é o “ópio do povo”, não importam as milhares de pessoas que desprezam a mensagem e nos chamam de “ébrios”, não importa até mesmo aqueles que usam de violência para tentar nos calar a respeito de nossa fé em Jesus. É tempo de crer, tempo de fé, tempo de testemunhar através de vidas verdadeiramente transformadas, tempo de falar e andar no poder do Espírito Santo. Vamos fazer deste nosso tempo um ato de honra e glória ao Senhor Jesus?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Selados com o Espírito Santo da Promessa.

“…em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa…” – Ef 1.13

 

Acho muito significativo o selo de uma carta comum ou um selo de um documento oficial. Desde cedo aprendi que um selo traz à carta ou ao documento uma autoridade e uma promessa de inviolabilidade: somente o destinatário tem o direito de abrir o selo, e qualquer outra pessoa que o fizer cometerá crime federal. 

Selar documento é uma prática antiga. Nos primórdios o signatário usava um brasão indicativo de procedência em alto relevo e o pressionava sobre um pouco de cera derretida nas bordas da dobradura do papel que “fechavam” a correspondência oficial (Ester 8.10). 

Paulo tinha conhecimento desta prática dos correios. Muito provavelmente ele mesmo tinha um selo que usava para lacrar sua correspondência. Como era algo de conhecimento geral, utilizou-se desta metáfora para que seus leitores entendessem bem o que queria dizer com “selados” pelo Espírito Santo, isto é, para indicar aqueles que foram agraciados com a “marca” do Espírito para a salvação.

O princípio do verso aponta para a pessoa que tornou tudo isto possível: Jesus Cristo; e também para a forma como isto aconteceu: pelo ouvir a palavra da verdade; a pregação do evangelho santo nada mais é do que a história de amor e redenção da parte de Deus Pai ao enviar seu Filho Jesus para cumprir toda a justiça. Somente para aqueles que entendem o evangelho (e isto pela graça de Deus que concede a fé necessária para isto – Ef 2.8-9), a fé se mostra como a cera que dá forma ao selo do Espírito, esta marca indelével que absolutamente nada pode remover. Em outras palavras, podemos dizer que cada cristão que foi alcançado pela graça tornou-se uma “carta viva” que, selada e protegida pelo Espírito Santo, segue seu caminho rumo à eternidade para ser lida pelo Senhor na glória. 

Sempre apreciei cartas e o fato de que sem a devida quantidade de selos elas retornavam ao remetente. Como mantive por muito tempo amizade com um amigo querido, que depois veio a me apresentar sua irmã que hoje é minha esposa, e com a qual antes de casar mantive farta produção de cartas, minha maior preocupação era a quantidade de selos necessários conforme o peso da correspondência para que em hipótese alguma uma única carta fosse devolvida. Hoje, na qualidade de “carta viva do Senhor Jesus” tenho a certeza de que não irei para outro destino a não ser àquele ao qual estou endereçado – a vida eterna – porque estou muito bem “selado” pelo Espírito Santo de Deus.

E você? Já foi “selado” pelo Espírito Santo? Tem certeza absoluta de qual é o seu destino eterno?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel