Eleição irrecusável.

Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações” – Jr 1.5

 

Ser um escolhido de Deus tem seus privilégios. Andar com Deus, ouvir sua voz e transmitir sua mensagem perante o povo e perante as autoridades, ser separado antes mesmo do nascimento para tornar-se alguém que o mundo vai conhecer. 

Com poderes também vem grandes responsabilidades. Portar-se de modo digno do comissionamento recebido; suplantar seus próprios medos de fracassar e, assim, decepcionar o Todo Poderoso; esmerar-se por falar de forma clara, audível e inteligível com tal eloqüência que todos possam entender a mensagem dada. 

Como Jeremias, muitos dos escolhidos de Deus também querem fugir do privilégio e da responsabilidade em ser um filho amado e consagrado de Deus. Oferecem desculpas variadas como: não passo de uma criança (v.6) ou então fogem como Jonas e dizem: “eu sabia que o Senhor era misericordioso” (Jn 4.1  ele não queria que os ninivitas fossem salvos!). 

Não existe desculpa cabível, nem tampouco qualquer argumento válido para deixar de fazer aquilo que o Senhor determinou na eternidade. Para Deus a idade não é empecilho nem para falar, nem para ir. O medo também não é motivo lícito, pois o Senhor promete estar ao lado dos seus escolhidos em todo o tempo (v.8). A mensagem a ser proclamada não é uma invenção do profeta, mas algo que o próprio Deus coloca em seu coração e em seus lábios (a boca fala do que o coração está cheio – Lc 6.45); além disto não é possível escolher o “tema” do sermão a ser proferido – seja de paz ou de guerra (v.10).  

Como Jeremias, Jonas e tantos outros profetas, os filhos amados de Deus foram eleitos na eternidade e a cada um foi dada uma tarefa específica dentro do reino. Alguns serão pregadores, outros mestres, outros serão consoladores, e outros suprirão as necessidades que o reino exigir. Assim como a salvação eterna é uma graça irresistível, o serviço a que fomos chamados para prestar é irrecusável. 

Não sei qual o serviço Deus preparou para a sua vida, mas sei que ele quer filhos engajados no reino, atuantes e presentes. Nossa constituição da Igreja, quando se refere aos oficiais da igreja – pastores, presbíteros e diáconos – usa os termos: “assíduos e pontuais”, isto é, constantes e responsáveis no horário certo do cumprimento do seu dever. 

Faça uma auto-análise sincera e veja se você não está procrastinando (deixando para depois o que tem de fazer agora) ou fazendo “corpo mole” no cumprimento do seu dever como cristão.

Pare de tentar dar desculpas diante de Deus. Jeremias tentou, Jonas tentou, Moisés tentou, e nenhum deles conseguiu “escapar” daquilo que o Senhor havia determinado para suas vidas. Melhor é aceitar do que sofrer as conseqüências da rebeldia e “passar três dias dentro do ventre do peixe” até entender e aprender que com Deus não se brinca.

Você está desempenhando o serviço que Deus determinou para a sua vida? Ou está tentando fugir da presença de Deus?

Aceite que dói menos! O reino agradece.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

O princípio bíblico da eleição democrática.

E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar” – At 1.24-25

 

Estamos às vésperas de mais uma eleição municipal. Candidatos tentam de todas as formas chamarem a atenção das pessoas para conseguir angariar sua simpatia e, claro, seus votos. Como proceder nestes tempos de eleição segundo a orientação bíblica?

O livro de Atos dos Apóstolos é o registro do nascimento da igreja e sua estruturação como um corpo vivo e atuante. A primeira liderança foi estabelecida por Jesus ao escolher os doze apóstolos, mas era necessário colocar alguém no lugar de Judas. Pedro é quem toma a liderança do pleito e, reunida a assembléia da igreja (aproximadamente 120 pessoas – v.15), expõe a necessidade da eleição fundamentando-a no fato de que Judas era um deles no princípio (v.17), mas corrompeu-se e não merecia mais ser contado entre eles por sua conduta terrível (associou-se com “anticristos” [v.16] e deu mau testemunho [v.19]). Nada mais justo que outra pessoa assumisse seu encargo, alguém que fosse justo, correto, com bons e comprováveis antecedentes (v.20-22). Dos muitos que se apresentaram, apenas dois reuniram os requisitos necessários: José que reconhecidamente era um homem justo, e Matias. A assembléia lançou sortes (algo semelhante ao escrutínio secreto do judaísmo – o Urim e Tumim – que evidenciava a vontade de Deus) e o resultado foi que Matias foi eleito, e assumiu o lugar vago entre os apóstolos. Não foi uma eleição feita com promessas ou baseada em “simpatia” pessoal; foi um pleito claro, justo, honesto e visando o bem maior – o do reino de Deus. Além disto, foi regado à orações antes de iniciar a votação.  

Partindo destas observações, sugiro que você escolha bem seu candidato. Lembre-se que ele governará sobre você com seu aval e com a autoridade que você concedeu através do seu voto. Lembre-se dos “Judas” que se corromperam e que estão dispostos a serem reconduzidos ao poder apesar de seus maus antecedentes. Não tenha preguiça em pesquisar os candidatos, e nem tampouco conceda o “benefício da dúvida” àqueles que não preenchem os requisitos mínimos de honestidade e transparência; além disto, não seja condescendente com aqueles que não possuem as qualidades morais necessárias. Se sobrarem alguns depois desta “peneira”, ore pedindo a orientação do Senhor e vote segundo o que estiver proposto em seu coração. Sua parte é votar, a parte de Deus é evidenciar quem ele deseja que governe o povo, seja para a alegria de todos ou para a disciplina de todos. 

Vote com consciência e aceite o resultado como vontade ou permissão de Deus. 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Vida eterna, eleição e boas obras.

“… assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” – Jo 17.2

 

Este verso faz parte da chamada “oração sacerdotal” de Cristo, onde ele intercede diante do Pai pelos seus discípulos que estavam prestes a enfrentar as aflições próprias daqueles que são filhos de Deus. Jesus pede sua glorificação, ou seja, que seja cheio da glória, brilho, resplendor de Deus a fim de que os discípulos pudessem ver e entender que ele realmente era o Filho de Deus a quem foi conferida a autoridade sobre toda a carne. Isto o revelaria como Criador de todas as coisas, inclusive da igreja que haveria de nascer (Cl 1.15-18). Esta autoridade do Pai vista no Filho tem especificamente o poder de conceder salvação eterna às pessoas, mas não para todas: somente àqueles que foram escolhido desde a eternidade. Engana-se todo aquele que imagina que a doutrina da predestinação é de origem paulina. Jesus já a havia introduzido em suas prédicas (Mt 20.16, 22.14, 24.22, 31; Mc 13.27 e Lc 18.7) e a apresentou implicitamente quando instituiu a santa ceia (Mt 26.28 – “em favor de muitos“, o que equivale a dizer que não é para todos, mas somente os que acreditam em Jesus como o Deus encarnado). 

A vida eterna é uma concessão de Jesus. Não é por créditos adquiridos decorrentes de “boas obras” para que ninguém imagine que pelos seus próprios esforços será capaz de garantir um lugar nos céus (Ef 2.8-9). A vida eterna é dada para aqueles a quem Deus já estabeleceu. Provavelmente esta é a doutrina mais difícil para ser assimilada – verdadeiramente impossível para aqueles a quem Deus não a quer revelar. Está impregnado na alma humana o desejo de ter domínio de seu futuro, tanto material quanto espiritual. Há uma luta tremenda para aceitar o fato de que o futuro – todo ele – pertence somente a Deus, e que todos os nossos dias estão contados e escritos (Sl 139. 16). Tentam racionalizar dizendo: “se é assim, então não vale a pena ser bom”; “se meu destino já está traçado, então posso fazer o que quiser que nada vai alterá-lo”, “se a predestinação é um fato então somos meros ‘robôs’ diante de Deus”. Em resposta digo: 1) vale a pena ser bom porque todos serão julgados por suas próprias obras (Ap 20.12 – observe que existem dois livros distintos: o da Vida e o das Obras; Mt 16.27); é fato que as obras não salvam, mas determinam o galardão (salário, recompensa) eterna que cada um terá. 2) Quanto a fazer o que bem entender, as obras revelam quem é e quem não é filho de Deus (Mt 5.16; Jo 3.21, 9.4, 14.12; 2Co 11.15; Ef 2.10; Tt 1.16; Tg 2.14, 17; 1Pe 1.17; Ap 2.19, 14.13, 22.12. Leia! São importantes). 3) Quanto à salvação eterna, ela é atributo exclusivo de Deus e ninguém pode alterar; quanto a ser um robô, temos livre agência para escolher entre viver de forma que agrada a Deus ou aquela que vai desencadear a disciplina de Deus. 

Não sabemos quem são os eleitos até que eles se manifestem refletindo a glória de Deus em suas vidas, palavras e atitudes; é por isto que devemos pregar o evangelho a toda criatura. É nosso dever pregar, é prerrogativa de Deus escolher, de Cristo salvar e do Espírito santificar. Vamos fazer a parte que nos cabe, com fé e bom ânimo, e o mais o Senhor fará (Mt 6.33).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel