Presos na lei.

Porventura, ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem toda a sua vida?” – Rm 7.1

 

Paulo está coberto de razão em sua argumentação, pois é inegável que desde o nascimento (inclusive o tempo dentro do ventre materno) a lei impera sobre nossas vidas. Leis que definem direitos e deveres, atenuantes e agravantes, “certo” e “errado” nas querelas entre os homens (no direito penal o mesmo que queixa-crime, e por extensão de sentido significa conflito de interesses, contenda, pendências – palavra de origem latina cujo significado é queixa, lamentação, reclamação). 

Partindo do fato de que o ser humano está sob o gládio (espada) da lei, e que este abrange todos os relacionamentos, Paulo usa em seguida o casamento como ilustração para dar luz ao seu objetivo principal. Todo casamento tinha (e tem) leis para garantir a estabilidade de vida para a viúva e, por isto, ela estava vinculada ao seu marido até a morte (v.2). Naquele tempo de poligamia era assegurado ao homem o direito de ter mais de uma esposa, mas a esposa deveria pertencer a um só marido. Somente a morte do esposo a retirava debaixo desta lei e lhe facultava a oportunidade de colocar-se sob novo regime marital. Metaforicamente falando, Paulo queria que seus leitores entendessem que eles estavam sob o regime da lei do pecado, e este, como “marido” vivo, não poderia ser abandonado senão quando morresse. É desta forma que o verso 4 deve ser entendido: Jesus deu fim ao pecado aniquilando-o na cruz, e agora estamos livres para contrair novo matrimônio ao nos unirmos à sua noiva – a igreja amada (v.7). Já livres de viver sob o regime do pecado – um marido lascivo, infiel, violento, entregue aos vícios, glutonarias e bebedices, não estamos mais condenados à morte, mas sim à vida eterna (v.5). 

Seria constrangedor a viúva viver sob a influência do marido morto, como se precisasse ficar atrelada a ele e suas normas, como se penoso fosse abandonar aquela forma de vida que, bem ou mal, oferecia algum prazer e satisfação; mais estranho seria se desprezasse a oportunidade de acesso ao maravilhoso noivo que está prestes a consumar seu casamento em seu definitivo retorno. Nosso prazer e alegria estão em servi-lo de coração, com todas as nossas forças, para honra e glória de Deus Pai; servimos em novidade de espírito e não na caduquice da lei do pecado (v.6).

Quando você ouvir que agora não está mais sob o regime da lei lembre-se que isto não tem referência ao Antigo Testamento e suas normas, mas sim decreto eterno da justiça de Deus em resposta ao pecado que seduz, enreda e destrói quaisquer criaturas de Deus. Pela misericórdia do Senhor estamos debaixo da graça do noivo que em breve retornará, e ele espera encontrar sua igreja pura, imaculada e fiel. Vamos servir fielmente ao Senhor?

Um bom e abençoado dia!

 Rev. Joel