Nas mãos de Deus.

Porque eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo” – Is 41.13

 

O profeta Isaías registra um momento difícil para os filhos de Deus:  eles estavam com medo dos inimigos que se levantavam contra eles. Os assírios eram guerreiros implacáveis, e suas incursões em terras que não lhes pertenciam eram marcadas por grande violência e mortandade. 

Quero aqui criar um paralelo com nossos dias e dizer que temos um inimigo feroz, que ceifa vidas sem se importar com a idade ou sexo. Quem não tem uma história para contar a este respeito? Qual etnia ou mesmo grupo familiar tem passado incólume? 

No passado, muitos integrantes do povo de Deus recorreram aos ídolos pagãos em busca de proteção sobrenatural, e isto provocou a ira do Senhor; hoje muitos colocam suas esperanças na ciência como se esta fosse, de fato, criar uma redoma tal onde os “imunizados” não morram. 

Não quero polarizar nem polemizar absolutamente nada com este comentário, mas pontuar que nossa fé e esperança deveriam estar firmes no Senhor. Ele é quem dá a vida, e somente ele é quem tem o poder de tirá-la quando lhe aprouver e da forma que bem entender; somente ele pode de fato colocar seus anjos acampados ao nosso redor e nos livrar, assim como somente ele pode permitir que este vírus nos alcance e aflija. 

Se você ler os versos 9 e 10 encontrará algumas informações preciosas que certamente trarão ânimo para sua vida. 1) Deus diz que tomou das extremidades da terra os seus escolhidos, e que não os rejeitou; 2) Deus afirma que está ao lado dos seus; 3) Que por mais ferozes que sejam os inimigos e possam assustar, eles não são mais fortes nem mais ferozes do que o próprio Senhor que está ao lado; 4) Que o Senhor há de dar forças, ajudar e sustentar no calor da batalha com sua destra fiel, isto é, que vai estender sua mão direita e manter os seus amados firmes e seguros.  

Tais palavras em momento algum são falsas, ainda que em meio ao combate os escolhidos possam ser feridos e até mesmo mortos; elas refletem a real e verdadeira situação dos filhos de Deus, que não podem morrer eternamente, mas estão sempre amparados pela benéfica mão do Senhor. 

Sei que o medo tem se instalado em muitos corações. As notícias sobre o aumento da pandemia e o colapso da rede de saúde pública e privada estão cada vez mais alarmantes. Sei que estamos perdendo entes queridos, e nos afligindo por aqueles que apresentam os sintomas de quem foi infectado. No entanto, sei – e você também sabe – que Deus está ao nosso lado em todo o tempo, e não nos abandonará jamais. Somos ovelhas de Jesus e, como ele bem disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” – Jo 10.27-28. 

Estamos nas mãos de Deus. Vamos confiar e descansar no Senhor que cuida de nós. 

Uma boa e abençoada semana.

Rev. Joel

O Deus que responde.

“No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes” – Sl 86.7 

 

Um dos privilégios em servir ao Deus verdadeiro é receber respostas para as perguntas levantadas nos momentos de grande aflição. Em meio a tantas deidades que o mundo apresenta e reconhece como reais somente Deus é capaz de responder as orações de seus servos. Para exemplificar recorro ao episódio onde o profeta Elias, no cimo do monte Carmelo, enfrentava os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo (Aserá – uma deusa babilônica [Astarte] e cananéia [da fortuna e felicidade], a suposta esposa de Baal). Ele lançou um desafio justamente sobre qual Deus respondia as orações e, portanto, era o Deus verdadeiro (1Rs 18.24); seus adversários tentaram de todas as formas alcançar o favor de seus deuses com danças ao redor do sacrifício (v.26), gritos (v.28), e até mesmo derramando o próprio sangue (v.28), mas não obtiveram resposta. Elias zombou deles e das suas orações vazias (v.27). Findo o tempo dedicado a eles, Elias orou ao Senhor e ele respondeu com fogo do céu que consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a terra e secou a água que havia sido despejada sobre o altar. 

O tempo passa, mas a humanidade continua a mesma – decaída e pecadora – sempre em busca de falsos deuses. No tempo da angústia recorrem ao vento e querem ouvir sussurros nas brisas; nós, ao contrário, recorremos ao Senhor. É maravilhoso entender que não precisamos levantar o tom da nossa voz porque nosso Deus não é surdo e nem está longe do nosso clamor; da mesma forma com alegria  reconhecemos que não há necessidade de recorrer a entonações lamuriosas em busca do favor divino porque nosso Deus sabe muito bem do que precisamos antes mesmo que pronunciemos qualquer palavra (Mt 6.32). Nós simplesmente oramos ao Senhor numa conversa respeitosa, leal, sincera e aberta onde colocamos aos seus pés nossa fragilidade, falta de sabedoria e inquietações, e confiamos que Ele há de nos responder em seu tempo e da forma que bem escolher (pode ser pela sua Palavra, por um servo que compartilha a Palavra, por eventos que nos cercam, pelo Espírito que fala ao nosso espírito e confirma que somos filhos de Deus [Rm 8.16]). 

Nosso Deus não nos livra dos problemas e aflições que criamos e nem tampouco daqueles que ele mesmo nos reservou em sua presciência, mas está ao nosso lado o tempo todo, nos ouve com carinho e responde as nossas orações. 

Que diremos à vista destas coisas? Louvado seja Deus a quem recorremos e que responde as nossas orações!

Uma boa e abençoada semana!

Rev. Joel 

 

Igreja em tempos de pandemia.

Caros irmãos em Cristo:

Estes tempos pandêmicos tem exercido grande pressão sobre todas as pessoas. O distanciamento social tem afetado diretamente a saúde emocional e, não poucas vezes, conduzido pessoas à depressão – seja esta leve ou profunda.
A impotência diante da pandemia tem levado as pessoas a reagirem e, em muitos casos, de forma exacerbada e descabida, provocando pânico através de notícias inverídicas sobre um suposto calendário de vacinação ou notícias reais sobre o mau uso da máquina pública que desvia recursos da saúde; estas e outras matérias que são repassadas para polemizar, ainda que bem intencionadas em sua origem, são repassadas sem o devido crivo e sem prospecção de desdobramentos possíveis.
Ultimamente vozes tem se levantado para colocar a Igreja contra o Estado. Líderes denominacionais têm instruído seus membros a reagirem em busca de seus direitos (que julgam ter amparo constitucional) para se reunirem quando e como bem quiserem sob a égide do artigo de “liberdade religiosa”; de forma implícita ou explícita estão instigando à desobediência civil. O pressuposto básico do qual partem para defender esta tese é a de que seus direitos estão sendo cerceados, e que os decretos de restrição para o funcionamento das igrejas são abusivos.
Sem querer entrar no mérito dos “serviços essenciais”, o fato é que as restrições impostas não atingem somente as igrejas, mas também outras atividades como restaurantes, lojas e similares de funcionarem aos domingos. Isto posto, devemos entender as restrições como um esforço governamental para manter a sociedade em pé, e não uma ação deliberada para prejudicar o culto público ou individual. Devemos atentar sempre ao propósito primário que é conter o colapso da rede de saúde (pública e privada) cuja capacidade de atendimento está praticamente esgotada. Certamente você não quer chegar à situação em que um profissional da saúde irá “escolher” se você deve ser atendido ou não, se terá uma chance de recuperação hospitalizado ou irá para sua casa esperar unicamente pela graça do Senhor.
Observe que o problema em questão não é de “perseguição religiosa”, mas sim de saúde física, emocional e espiritual da população em geral. Sem dúvida alguma a fé é um fator preponderante neste momento de crise. Ela não é uma redoma infalível que protege e previne do Covid-19, mas ela é importante para manter a esperança em dias melhores e confirmar em nosso coração que nosso Senhor está cuidando de nós em cada momento; além disto, se formos infectados, a fé não se abalará e se fortalecerá para o enfrentamento deste inimigo real. Por ora devemos lembrar das nossas responsabilidades no trato com o próximo, tanto para não sermos infectados quanto para não nos tornarmos transmissores deste vírus que pode ser letal.
Não há dúvidas que existem pessoas mal intencionadas prontas para aproveitar deste momento para tentar restringir e, quiçá, suprimir os cultos de adoração ao Senhor; no entanto jamais esqueça que tais pessoas são incapazes de prejudicar nosso culto pessoal – aquele que podemos realizar a qualquer momento do dia. Quanto ao culto coletivo temos a liberdade de nos reunirmos pelos meios de comunicação disponíveis. Seria configurada a perseguição se estes meios fossem obstruídos ou impedidos de transmitirem conteúdo religioso – o que não de fato não acontece – e assim devemos entender que a liberdade de expressão religiosa está preservada. Certamente esta é a forma de culto que está ao nosso dispor (e pela qual somos gratos), mas para nós o ideal sempre será o culto presencial (que nosso coração almeja), com abraços, ósculo santo, conversas sem “máscaras”, ministração dos sacramentos, etc.
A pandemia vai passar. Outras vieram e passaram, e esta não será diferente; pode demorar este ano todo ainda, mas vai passar. Debaixo da graça de Deus nós vamos atravessar esta pandemia juntos, fiéis, coerentes, sem ver em cada ação do governo uma perseguição religiosa e dando graças pelos meios que Deus nos concede para prestar-lhe culto.
Um bom e abençoado dia!
Rev. Joel

Descansar no Senhor.

Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios. Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal” – Sl 37.7-8

 

Ira é algo que arde intensamente dentro do coração. Toma conta dos pensamentos e sentimentos ao ponto de envenenar a alma. Ira é sinônimo de bomba prestes a explodir e é usada para descrever a pessoa de “pavio curto” (ou nenhum pavio) que irá tem um rompante de violência verbal ou física de proporções imprevisíveis. 

Uma pessoa iracunda (dada a rompantes de ira) torna o ambiente ao seu redor em um campo de guerra, com várias minas terrestres prontas para detonar ao menor sinal de pressão. Não é a toa que o livro de provérbios descreve que é melhor morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda (PV 21.19 – isto serve também para o homem rixoso e iracundo…). 

A ira não traz nada de bom. O primeiro registro bíblico de uma pessoa consumida por este sentimento resultou em homicídio (Gn 4.6); de fato, a ira do homem não produz a justiça de Deus (Tg 1.20). 

É bem verdade que não há como escapar deste sentimento, mas isto não significa que devemos abrigá-lo em nosso coração ao ponto de permitir que ele nos faça pecar (Sl 4.4; Ef 4.26). Não importa se existem razões “lógicas” para a ira, o furor ou a impaciência, o resultado será sempre como o salmista diz: “certamente acabará mal” (v.8). 

A sugestão lógica, prática e sábia do salmista é para descansar no Senhor; é lançar sobre Ele todos estes sentimentos ruins que abrigamos em nosso coração e suplicar para que o Todo Poderoso nos acalme a ponto de não termos do que nos envergonhar das possíveis atitudes e palavras que podem acontecer sob a ação destes sentimentos. 

Colocar todas as nossas esperanças e expectativas em Deus não é uma coisa fácil para fazer, apesar de ser simples. Colocar aos pés do Senhor é reconhecer nossa incapacidade para resolver algumas questões, e também a nossa falta de domínio próprio; recorrer à intervenção divina é o melhor que podemos fazer para as pessoas que estão ao nosso redor e, no fim das contas, para nossa própria saúde emocional e espiritual.

Descanse no Senhor. Tenha confiança de que Ele cuidará de tudo, inclusive dos ímpios e maus. Confie que Ele fará sua justiça prevalecer em tempo oportuno. Coloque seu coração e sua vida nas mãos do Senhor e descanse.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

 

Olhando para frente.

“Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe” – Gn 22.4

 

Olhar para frente nem sempre significa contemplar o belo ou algo que ofereça esperança. No caso de Abraão, o que ele viu foi o monte onde deveria imolar seu filho Isaque. Ver este monte trouxe inquietação e angústia para o coração daquele pai. 

Conhecemos como a história se desenrolou: Abraão e Isaque sobem ao monte, e enquanto caminhavam o filho perguntou: “onde está o cordeiro para o holocausto?” (v.7) E a resposta foi: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto” (v.8). Por fim, Isaque é poupado e um carneiro enroscado pelos chifres foi imolado em seu lugar. 

Esta história verídica é uma metáfora a respeito de Jesus, o unigênito divino. Ele foi conduzido pelo Pai até o Calvário (ou Gólgota em hebraico), um lugar elevado fora de Jerusalém. Ali, numa tosca cruz de madeira, ele foi imolado como Cordeiro de Deus para cumprir toda a justiça. 

Olhar para frente é encarar aquilo que Deus definiu para nossa vida em sua infinita sabedoria e amor, mesmo que a visão do que está ao longe seja algo difícil, doloroso e definitivo. Subir o monte e encontrar o inevitável pode não ser algo agradável, porém é uma expressão de obediência e amor pelo Pai que caminha ao nosso lado e não nos abandona em momento algum. Subir o monte é uma prova de fé que nos faz “apertar” ainda mais a mão do Pai. Olhando por esta perspectiva posso entender o que o autor do hino 153 (hinário presbiteriano) apresentou em cada uma das quatro estrofes: Segurar a mão de Deus porque se sentia frágil, porque estava com medo das trevas, porque a morte o rondava, e porque queria viver eternamente ao lado do Senhor. 

Não tenha medo de olhar para frente. Não receie aquilo que o Senhor reservou para sua vida. Jamais se esqueça do exemplo que o Filho de Deus deixou, e o que ele fez por você na cruz. 

Segure firme na mão do Pai e siga em frente, resoluto e confiante.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

A paz de Deus.

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” – Jo 14.27

 

Por mais estranho que pareça, Jesus reconhece que o mundo busca a paz. Qualquer governo se empenha para que exista paz entre seus patrícios e em seus territórios. Um povo insatisfeito tende a promover revoltas e confrontos com as autoridades policiais, o que gera instabilidade e desassossego generalizado. Basta lembrar as recentes manifestações nos EUA em virtude da violência atribuída aos policiais “brancos” contra as pessoas de cor. 

A paz que o mundo oferece é efêmera, aparente e inconstante. Muitas vezes os governos justificam o uso da força militar (e os rebeldes também o da força paramilitar) para o que chamam de “manutenção” da paz.  Tanto uns quanto outros querem a paz, mas estão dispostos a fazer guerra para consegui-la – este é o paradoxo da paz que o mundo está disposto a oferecer. 

A paz que Jesus se refere é pessoal, concedida especificamente para um indivíduo que tem um relacionamento com o Senhor. É uma paz que invade a alma, que preenche o coração, que dá sentido a própria vida (Sl 85.8; Fl 4.7; 1Ts 5.23), que faz confiar em Deus mesmo em tempos difíceis (Sl 27.3). 

Nosso tempo é marcado por inseguranças, violências e incertezas. Mais do que nunca a paz de Deus se faz necessária aos seus filhos. Jesus concede esta paz gratuitamente, como expressão de sua graça e seu amor. Não é uma paz conquistada, mas sim outorgada e, portanto, entregue voluntariamente. Jesus demonstrou sua boa vontade para conosco na cruz do Calvário, e em sua palavra nós podemos confiar.

Você já tem esta paz que Jesus oferece?

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel