Nas mãos de Deus.

Porque eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo” – Is 41.13

 

O profeta Isaías registra um momento difícil para os filhos de Deus:  eles estavam com medo dos inimigos que se levantavam contra eles. Os assírios eram guerreiros implacáveis, e suas incursões em terras que não lhes pertenciam eram marcadas por grande violência e mortandade. 

Quero aqui criar um paralelo com nossos dias e dizer que temos um inimigo feroz, que ceifa vidas sem se importar com a idade ou sexo. Quem não tem uma história para contar a este respeito? Qual etnia ou mesmo grupo familiar tem passado incólume? 

No passado, muitos integrantes do povo de Deus recorreram aos ídolos pagãos em busca de proteção sobrenatural, e isto provocou a ira do Senhor; hoje muitos colocam suas esperanças na ciência como se esta fosse, de fato, criar uma redoma tal onde os “imunizados” não morram. 

Não quero polarizar nem polemizar absolutamente nada com este comentário, mas pontuar que nossa fé e esperança deveriam estar firmes no Senhor. Ele é quem dá a vida, e somente ele é quem tem o poder de tirá-la quando lhe aprouver e da forma que bem entender; somente ele pode de fato colocar seus anjos acampados ao nosso redor e nos livrar, assim como somente ele pode permitir que este vírus nos alcance e aflija. 

Se você ler os versos 9 e 10 encontrará algumas informações preciosas que certamente trarão ânimo para sua vida. 1) Deus diz que tomou das extremidades da terra os seus escolhidos, e que não os rejeitou; 2) Deus afirma que está ao lado dos seus; 3) Que por mais ferozes que sejam os inimigos e possam assustar, eles não são mais fortes nem mais ferozes do que o próprio Senhor que está ao lado; 4) Que o Senhor há de dar forças, ajudar e sustentar no calor da batalha com sua destra fiel, isto é, que vai estender sua mão direita e manter os seus amados firmes e seguros.  

Tais palavras em momento algum são falsas, ainda que em meio ao combate os escolhidos possam ser feridos e até mesmo mortos; elas refletem a real e verdadeira situação dos filhos de Deus, que não podem morrer eternamente, mas estão sempre amparados pela benéfica mão do Senhor. 

Sei que o medo tem se instalado em muitos corações. As notícias sobre o aumento da pandemia e o colapso da rede de saúde pública e privada estão cada vez mais alarmantes. Sei que estamos perdendo entes queridos, e nos afligindo por aqueles que apresentam os sintomas de quem foi infectado. No entanto, sei – e você também sabe – que Deus está ao nosso lado em todo o tempo, e não nos abandonará jamais. Somos ovelhas de Jesus e, como ele bem disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” – Jo 10.27-28. 

Estamos nas mãos de Deus. Vamos confiar e descansar no Senhor que cuida de nós. 

Uma boa e abençoada semana.

Rev. Joel

Pessoas de oração.

Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai” – Ef 3.14


O apóstolo Paulo era um homem de ação e isso é facilmente observável nas páginas sagradas do livro de Atos dos Apóstolos. Este homem usado por Deus também se dedicava ao estudo e à oração. Através da Bíblia ele conhecia mais a Deus, e através da oração ele mantinha viva a chama da fé, renovava suas forças no Senhor e fortalecia seu caráter cristão. Esta prática piedosa é extremamente necessária se queremos ser homens e mulheres de Deus. 

Paulo escreveu para os irmãos de Éfeso e, dentro dos muitos assuntos abordados, ele revela seu ministério pastoral e sua amizade sincera ao orar por aqueles amados irmãos que estavam longe de seus olhos, mas perto de seu coração. Os versos seguintes (3.15-19) apresentam algumas informações que alegram e fortalecem a alma dos filhos de Deus, as quais quero compartilhar com os amados:

1) Deus cuida dos crentes de hoje e dos que já estão na glória. Todos fazem parte da grande família da fé onde o Pai zela com amor e carinho. 2) Paulo ora ( e nós devemos orar também!) para que todos os irmãos sejam fortalecidos com tal poder espiritual que sejam habitação para o Filho de Deus e os laços fraternos se entrelacem cada vez mais. 3) A intercessão também abrange as faculdades mentais para que os cristãos possam crescer no conhecimento de Deus em todos os sentidos (v18) e ter intimidade com este grande amor de Cristo (19). 

Bem sei que os amados oram ao Senhor. Sei que oram por si mesmos e por aqueles a quem amam. Sei que oram pela igreja e por estes mesmos motivos que Paulo orou. Continuem a orar porque Deus tem cuidado de nós, tem nos fortalecido em Cristo e nos tem dado a oportunidade de aprofundar nossos laços com ele e uns com os outros. 

Louvado seja Deus pela vida de cada um dos irmãos; rogo ao Senhor que continue a ouvir suas orações e atendê-las conforme sua graça e misericórdia, para nossa alegria e para sua honra e glória. 

Um bom e abençoado dia.

Rev. Joel.

As pisaduras de Cristo.

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” – Is 53.5. 

Quando você lê este texto, o que lhe vem à mente? 

A imagem que possuo de minha infância até a adolescência remete-me ao crucifixo preso atrás do altar católico. Ali vi um Cristo com uma coroa de espinhos, onde da fronte ferida brotavam algumas gotas de sangue; em suas mãos e pés traspassados também havia um pouco de sangue e, por último, um pequeno ferimento logo abaixo das costelas. Enfim, nada que chamasse minha atenção para a intensidade de seu real sofrimento. Nesta época imaginava que o sofrimento estava na crucificação, nos cravos que prenderam Jesus à cruz. Quanta dor Jesus não suportou ao sentir suas mãos e pés traspassados! 

Quando por sua imensa graça Jesus me salvou, tive uma nova visão a respeito do sofrimento do Messias e, consequentemente, das suas pisaduras (manchas decorrentes de um machucado, hematoma). Lendo os evangelhos com a avidez típica de um novo convertido, vi Jesus ser esbofeteado e esmurrado por integrantes do sinédrio, maniatado, levado aos romanos, fustigado com varas, castigado severamente com o látego que lacerou seu dorso; por fim, imaginei as feridas nos ombros, próprias de quem carregou uma tosca cruz, e joelhos esfolados pelas quedas sob tão grande peso. Exaurido em suas forças, com sulcos profundos de onde brotava sangue com alguma profusão, vi um Cristo onde a cruz foi apenas mais um “requinte” de crueldade, a qual tornou-se uma amiga para por fim a tanto sofrimento que deveria durar muito mais. Por isto Pilatos ficou admirado quando Jesus, ao fim do dia, já estava morto (Mc 15.44).  

Jesus sofreu por amor. Amor a Deus e amor ao próximo. Desta forma cumpriu cabalmente os mandamentos e serviu de exemplo para que pudéssemos aprender com seu martírio. Jesus sofreu porque aceitou humildemente o que lhe estava proposto desde a eternidade. Foi uma escolha voluntária, pessoal e intransferível. Ele preferiu obedecer, desejou fazer a vontade do Pai, realizou plenamente sua obra vicária como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Derramou sua alma diante do Pai e derramou seu sangue – todo – para que nós pudéssemos alcançar a salvação. 

Qual a importância que você dá ao sofrimento de Cristo? Que relação você tem com as pisaduras de Jesus? Pense sobre isto e responda diretamente ao Senhor.

Uma boa e abençoada semana!

 

Rev. Joel

Descansar no Senhor.

Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios. Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal” – Sl 37.7-8

 

Ira é algo que arde intensamente dentro do coração. Toma conta dos pensamentos e sentimentos ao ponto de envenenar a alma. Ira é sinônimo de bomba prestes a explodir e é usada para descrever a pessoa de “pavio curto” (ou nenhum pavio) que irá tem um rompante de violência verbal ou física de proporções imprevisíveis. 

Uma pessoa iracunda (dada a rompantes de ira) torna o ambiente ao seu redor em um campo de guerra, com várias minas terrestres prontas para detonar ao menor sinal de pressão. Não é a toa que o livro de provérbios descreve que é melhor morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda (PV 21.19 – isto serve também para o homem rixoso e iracundo…). 

A ira não traz nada de bom. O primeiro registro bíblico de uma pessoa consumida por este sentimento resultou em homicídio (Gn 4.6); de fato, a ira do homem não produz a justiça de Deus (Tg 1.20). 

É bem verdade que não há como escapar deste sentimento, mas isto não significa que devemos abrigá-lo em nosso coração ao ponto de permitir que ele nos faça pecar (Sl 4.4; Ef 4.26). Não importa se existem razões “lógicas” para a ira, o furor ou a impaciência, o resultado será sempre como o salmista diz: “certamente acabará mal” (v.8). 

A sugestão lógica, prática e sábia do salmista é para descansar no Senhor; é lançar sobre Ele todos estes sentimentos ruins que abrigamos em nosso coração e suplicar para que o Todo Poderoso nos acalme a ponto de não termos do que nos envergonhar das possíveis atitudes e palavras que podem acontecer sob a ação destes sentimentos. 

Colocar todas as nossas esperanças e expectativas em Deus não é uma coisa fácil para fazer, apesar de ser simples. Colocar aos pés do Senhor é reconhecer nossa incapacidade para resolver algumas questões, e também a nossa falta de domínio próprio; recorrer à intervenção divina é o melhor que podemos fazer para as pessoas que estão ao nosso redor e, no fim das contas, para nossa própria saúde emocional e espiritual.

Descanse no Senhor. Tenha confiança de que Ele cuidará de tudo, inclusive dos ímpios e maus. Confie que Ele fará sua justiça prevalecer em tempo oportuno. Coloque seu coração e sua vida nas mãos do Senhor e descanse.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

 

A verdadeira grandiosidade.

Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” – Mt 23.12

A humanidade anseia por glória. Todas as pessoas querem ser alguém que se destaca dentre a multidão ou, pelo menos, desejam ser consideradas acima da mediocridade (mediano); de certa forma é este pensar que as motiva para melhorarem e ultrapassarem seus próprios limites com a finalidade de suplantarem umas às outras e deixar algo para ser lembrado para a posteridade. 

Jesus parece ir na contramão deste pensamento. Em sua visão do reino de Deus quanto menor, mais humilde, mais serviçal for a pessoa, tanto maior será a sua grandeza interior, a sua alma elevada, o seu amor que se doa sem esperar retribuição ou reconhecimento. Pode parecer fácil ser assim, mas não é: enquanto no mundo as pessoas querem competir umas com as outras, no reino a proposta é vencer a si mesmo – seus próprios medos, sua vontade em ser servido, sua capacidade de aquietar-se num espírito de submissão. 

Sobre esta exaltação pessoal, em valorizar-se acima dos demais, Jesus contou uma parábola sobre como comportar-se numa festa de casamento. Ele começa dizendo que um homem foi convidado (portanto estava no local onde deveria) e imaginou que era “próximo” do noivo o suficiente para sentar-se num dos principais lugares. Porém o dono da festa encontrou um convidado mais digno e ordenou que aquela pessoa saísse do lugar onde estava para cedê-lo ao convidado mais digno (Lc 14.7-9). Em outra ocasião, Jesus contou outra parábola (ele gostava de contar histórias…), agora sobre dois homens que sobem ao templo com a intenção de orar. Um era fariseu – homem que se orgulhava de sua religiosidade, das longas horas passadas em oração, dos dois dias semanais de jejum que realizava, da forma “santa” como procedia todos os dias, até mesmo de ser fiel dizimista! O outro era um publicano – homem dedicado a cobrar impostos de seus compatriotas, considerado como traidor da nação e pecador execrável que, aos seus próprios olhos era indigno e carecia da misericórdia de Deus. O primeiro fez uma oração para exaltar suas virtudes e para julgar a vida do publicano; o segundo sequer se aproximou do templo ou ousou olhar para o céu enquanto orava pedindo o favor divino. Quem foi justificado? Certamente não foi aquele que se ufanou dos seus próprios feitos… (Lc 18.9-14). 

O que define a grandeza de um homem? Seu entendimento de valor a seu respeito? O reconhecimento das pessoas que estão ao seu redor? As ações espetaculares e fora do comum que realiza? Talvez isto defina a grandeza de um homem segundo os valores deste mundo; porém, o que define a grandeza de um filho de Deus é ser obediente, aquietar-se diante da vontade do Senhor e dispor-se a servir ao próximo com amor. É o Senhor quem há de dar o devido valor aos seus servos bons e fiéis (Mt 25.21), e ele jamais esquecerá o serviço prestado aos santos (Hb 6.10). 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

Intocáveis.

Homem de grande ira tem de sofrer o dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo” – Pv 19.19

 

Não, não é sobre aquele filme famoso que quero falar. Estou pensando nas milhares (senão milhões) de pessoas que se sentem acima das regras, da moral e da ética. Não são intocáveis porque são extremamente fortes, hábeis combatentes, prontos para meter medo no mais corajoso homem da lei; são intocáveis porque lhes foi permitido serem assim.

Os intocáveis surgem na infância. Diferente das outras crianças, algumas são agressivas, gritalhonas, insuportáveis de aturar. Para acalmá-las usa-se o método mais simples e eficaz: ceder aos caprichos da criança. Assim ela faz o que quer, quando quer, da forma que bem entende; e assim domina todos os que estão ao seu redor. Infelizmente o número de crianças assim tem crescido exponencialmente, até mesmo por conta da filosofia de ensino moderno onde a criança não pode ser frustrada para não crescer com traumas emocionais ou psicológicos. Por mais estranho que pareça o resultado final é justamente o contrário: o que mais se vê nos consultórios psiquiátricos ou clínicas psicológicas são pessoas “traumatizadas” porque, mesmo tendo conseguido tudo o que queriam, jamais amadureceram: vivem a síndrome de “peter pan”  ou sofrem do complexo de “cinderela” (quer um príncipe, uma família maravilhosa, filhos obedientes – tudo num passe de mágica! – mas também querem bailes e prazeres carnais sem responsabilidades). 

Diz um ditado antigo que “é de pequeno que se torce o pepino”. A origem deste vem da lida agrícola, da forma com que se cultiva este fruto que precisa de atenção nos seus primeiros dias de desenvolvimento. Voltando ao ditado, ele é aplicado à criança pequena com a intenção de corrigi-la na mais tenra idade para que mais tarde não se torne uma pessoa amarga e difícil de lidar. 

Uma vez criado o devido “pano de fundo” ou contextualização, podemos retornar ao verso de Provérbios. Lá está expresso claramente que o homem (ou criança) de grande ira, que tem rompantes de violência física, psicológica ou verbal precisa ser devidamente corrigido, confrontado, responsabilizado por seus atos. Não importa se os resultados da ira são grandes ou pequenos, justificáveis ou não; o que precisa acontecer é a disciplina – o ato pelo qual o infrator é devidamente “enquadrado” pela lei, pela moral e pela ética. Não é fácil fazer isto em tempos onde a filosofia do mundo apela para que todos “pensem e ajam fora do quadrado” (não se assuste: esta é a nova proposição para quebrar paradigmas antigos e estabelecer novos horizontes de liberdade [ou seria melhor dizer “libertinagem”?]). Pensar fora do quadrado é sair do cercado, do conhecido, daquilo que oferece uma estrutura segura para aventurar-se no desconhecido. Quanto mais pensar e agir fora da caixa for algo a ser incentivado e desejado, maior serão os malefícios para a sociedade em geral. Por exemplo: parlamentares pensam fora da caixa e por isto possuem “caixa 2” (para campanha eleitoral futura), “caixa 3” (para fazer um “pé de meia” sem pagar impostos ou cair na malha fina) e às vezes um “caixa 4” (mensalinhos ou coisas semelhantes). Como a justiça é ineficiente para coibir, mais e mais parlamentares passam a pensar fora da caixa (dando nomes criativos para substituir o que suas ações são de fato: roubos), e assim produzem profundos prejuízos ao erário público que, em última análise, é o seu e o meu dinheiro de impostos e taxas que já consideramos abusivos. 

Sejam crianças, sejam adultos, o provérbio é sábio em alertar: Se nada for feito eles vão continuar a fazer aquilo que irrita, que lesa, que prejudica. 

Você tem filhos? Discipline-os com amor para que não se tornem pessoas ruins no futuro.  Você se depara com pessoas iracundas, que querem ganhar tudo no grito? Oponha-se gentilmente reforçando os valores éticos, morais, legais e espirituais para que tais pessoas saibam que com você o procedimento deles “não cola”. Você tem o poder para denunciar os maus? Então faça isto como uma expressão de amor por aqueles que estão sendo explorados, e para que os maus não prosperem. 

No mais, oração e jejum são grandes instrumentos da parte de Deus. Orem por estes inimigos do povo, por estes opressores, por estes indisciplinados que querem levar vantagem em tudo. Ore para que o Senhor os converta de seus maus caminhos. 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

O reconhecido amor de Jesus.

Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava” – Jo 11.36

 

O capítulo 11 de João é icônico. Ele relata o sentimento profundo que Jesus sentia por Lázaro e suas irmãs. O verso 3 revela que Marta e Maria mandaram um mensageiro até Jesus para informá-lo sobre a condição de saúde de Lázaro. A notícia era simples e clara: “está enfermo aquele a quem amas”. Observe que elas reconheceram o amor especial que Jesus sentia por seu amigo, e João fez questão de registrar que não era só por ele, mas também por suas irmãs (v.5). 

Nós sabemos que amar é um verbo e, conseqüentemente, isto representa uma ação específica capaz de produzir mudanças. Amar é importar-se e estar presente no tempo de aflição. No entanto, apesar do que sentia, Jesus demorou em atender o chamado daquela família amada (v.6). Para o doente Lázaro, a ausência de Jesus era algo perturbador. Podemos imaginar que Lázaro e suas irmãs tiveram dúvidas sobre a qualidade e a intensidade deste amor que posterga o reencontro mesmo depois de ser avisado em tempo hábil. Para dissipar qualquer nuvem negra sobre o coração dos leitores, João mostra o pano de fundo daquele momento onde Jesus era considerado pelos judeus como “persona non grata”, e dirigir-se para Betânia colocaria em risco a sua própria vida (v.8). Isto justifica o fato de que os discípulos não estavam dispostos para ir ao encontro de Lázaro, pois deduziram pela fala de Jesus que ele estava “salvo”, isto é, livre do perigo de morte (v.12). Quando o Mestre disse abertamente que Lázaro já havia falecido, Tomé disse aos demais discípulos: “vamos também nós para morrermos com ele”, já prevendo o que lhes aguardava (v.16). 

Amar é expor-se ao perigo de ser incompreendido. Marta e Maria “cobraram” este amor ao falarem para Jesus: “se estivesse aqui Lázaro não teria morrido” (v.21 e 31). Elas sabiam do poder de Jesus para curar, mas ainda não conheciam seu poder para ressuscitar, ainda que Marta tivesse alguma esperança a este respeito (v.22). 

Amar é estar em sintonia. Jesus chorou por seu amigo e por suas irmãs (v.35). O amor de Jesus era tão sincero e genuíno que os judeus reconheceram a profundidade deste amor (v.36). É amparado por este amor que Jesus buscou o Pai de amor para trazer vida onde reinava a morte. É isto que o amor faz: traz vida! É a força do amor que faz brotar um sorriso na face endurecida pela dor. É o amor de Jesus pelos seus escolhidos que lhes dá a certeza de que tudo ficará bem, quer nesta vida ou na eterna que está proposta para eles. 

Você consegue reconhecer o amor de Jesus?

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel 

 

Ódio gratuito.

“Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo” – Jo 15.25

 

É cruel ouvir alguém dizer: “eu odeio você!”. Ódio é um sentimento intenso, negativo e destrutivo capaz de aniquilar laços familiares ou afetivos. Por mais que existam razões para odiar e justifiquem o acolhimento deste sentimento no coração, o fato é que quem odeia fica preso nas tramas das suas próprias urdiduras. 

No contexto geral do texto escolhido, Jesus preveniu seus discípulos a respeito das pessoas que lhe fariam oposição e que, em tempo oportuno, o entregariam para ser morto pelos romanos: o próprio povo judeu. Não muito distante daquele pronunciamento, líderes políticos e religiosos amotinariam o povo e o incitariam para clamar: “crucifica-o!” diante de Pilatos. Era um ódio consumado, intenso, fortuito, resultado da inveja que nutriam por Jesus e que não conseguiam esconder (Mt 27.18); inveja do seu poder, da sua misericórdia para com os feridos e aflitos de alma, inveja direcionada a ele e ao Pai.

Deus sabe de todas as coisas. Sabia que isto iria acontecer e por isto deixou registrado para o conhecimento de todos os judeus o que aconteceria com o seu ungido (Sl 35.19 e 69.4). A rejeição de Jesus como Filho de Deus era uma afronta também àquele que o enviou (Jo 15.24). 

Em nossos dias também não faltam pessoas para odiar a Jesus. Odeiam os valores morais que ele pregou, odeiam os mandamentos que ordenou, odeiam os sacramentos que ele instituiu, odeiam o seu corpo na terra – a igreja – com todas as suas forças. Não perdem uma oportunidade para menosprezar os que são de Cristo, nem tampouco deixam passar ilesos aqueles que dentre eles são alcançados pela graça e decidem segui-lo. Não falta quem chame os filhos de Deus de infiéis e desejam que a morte os alcance sem misericórdia (Jo 16.2). Odiar a Cristo é odiar ao Pai; odiar os filhos de Deus segue pelo mesmo caminho de raciocínio. Mais triste ainda é ver filhos de Deus esmolando a afeição destas pessoas que odeiam ao seu Senhor…

Precisamos entender que “odiar” é uma ação deliberada, desejada, intencional. Não parte do objeto de ódio, mas sim daquele que se dispõe a odiar. Nosso olhar para aqueles que nos odeiam sem causa deve ser de misericórdia, e nossas orações devem ser para que Deus os ilumine, que os liberte deste sentimento que os destruirá nesta vida e na eterna. Se eles querem sentir ódio – que seja, mas não tenha guarida em nosso coração este sentimento ruim. Nós vamos fazer o que Cristo manda para que possamos ser verdadeiramente filhos do Altíssimo (Leia Lucas 6.27-35. É importante!).

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel

Amor e obediência.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos” – Jo 14.15

 

A palavra “amor” está tão esvaziada de significado (conteúdo) e significância (valor) que dizer: “eu te amo” é tão fácil quanto falar: “vou ao mercado”. Na cultura atual o convite “vamos fazer amor?” não significa construir uma proposta de relacionamento para a vida, mas apenas para um momento de sexo. Diante disto lhe pergunto: o que “amor” significa para você? Pense um pouco a este respeito. Não tenha pressa e não continue a leitura sem fazer esta reflexão, pois se você não tem uma idéia bem definida sobre o que é amor, como poderá entender o que Jesus quer ensinar aos seus discípulos? Como poderá criar intimidade com Deus que é amor? (Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor – 1Jo 4.8).

Na bíblia, amor é muito mais do que um sentimento: é uma disposição mental, fruto de um desejo profundo e sincero de dedicar-se à alguém ou deidade ou objeto (p.ex.: amor ao dinheiro). Desta disposição decorrem duas atitudes que estão interligadas: pertencimento e comprometimento; a primeira manifesta a devoção, o propósito de servir àquilo que escolheu como objeto de seu amor por livre vontade, e a segunda revela a intensidade da relação que estabeleceu para si mesmo. 

Quem lê a Palavra entende perfeitamente que Deus é amor em sua forma mais sublime. Ele amou sua criação; amou e por isto escolheu a nação de Israel para ser seu povo santo; amou seus eleitos desde a eternidade e se dispôs a fazer o necessário para salvá-los: encarnar e morrer numa cruz. Deus ama de forma completa, absoluta e profunda. Quem sabe o que é amor entende o que Jesus queria dizer quando falou: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13)´; quem não sabe o que é amor fica preso sem ao menos se dar conta daquilo que seu coração escolheu para servir. Quantas pessoas amam tanto o seu próprio trabalho que sacrificam tudo por uma promoção? Horas de lazer ou descanso, casamento, filhos, saúde pessoal…, nada importa mais do que o trabalho. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, quantas pessoas amam seus vícios nesta mesma proporção? Quantas amam seus bens? Amam, mas não admitem; são escravas, mas se sentem plenas no exercício do seu amor; esquecem que onde está o coração está também o “deus” a que se dedicam e se entregam.

Não existe amor verdadeiro sem dedicação e entrega. Afirmar que ama a Deus sem se dispor a cumprir os seus mandamentos é ser mentiroso e desonesto não só com o Senhor e seu reino, mas consigo mesmo. Engana-se aquele que pensa que amar a Deus é ter por ele somente algum sentimento. Não há pertencimento sem o devido comprometimento assim como não existe amor onde não há dedicação. Jesus disse aos seus discípulos que o amor que diziam devotar-lhe deveria ser acompanhado de obediência –  uma atitude concreta que revelaria a posse e engajamento; e isto nos leva a uma pergunta muito pessoal: realmente amamos a Jesus?

Um bom e abençoado dia. 

Rev. Joel