Amor e obediência.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos” – Jo 14.15

 

A palavra “amor” está tão esvaziada de significado (conteúdo) e significância (valor) que dizer: “eu te amo” é tão fácil quanto falar: “vou ao mercado”. Na cultura atual o convite “vamos fazer amor?” não significa construir uma proposta de relacionamento para a vida, mas apenas para um momento de sexo. Diante disto lhe pergunto: o que “amor” significa para você? Pense um pouco a este respeito. Não tenha pressa e não continue a leitura sem fazer esta reflexão, pois se você não tem uma idéia bem definida sobre o que é amor, como poderá entender o que Jesus quer ensinar aos seus discípulos? Como poderá criar intimidade com Deus que é amor? (Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor – 1Jo 4.8).

Na bíblia, amor é muito mais do que um sentimento: é uma disposição mental, fruto de um desejo profundo e sincero de dedicar-se à alguém ou deidade ou objeto (p.ex.: amor ao dinheiro). Desta disposição decorrem duas atitudes que estão interligadas: pertencimento e comprometimento; a primeira manifesta a devoção, o propósito de servir àquilo que escolheu como objeto de seu amor por livre vontade, e a segunda revela a intensidade da relação que estabeleceu para si mesmo. 

Quem lê a Palavra entende perfeitamente que Deus é amor em sua forma mais sublime. Ele amou sua criação; amou e por isto escolheu a nação de Israel para ser seu povo santo; amou seus eleitos desde a eternidade e se dispôs a fazer o necessário para salvá-los: encarnar e morrer numa cruz. Deus ama de forma completa, absoluta e profunda. Quem sabe o que é amor entende o que Jesus queria dizer quando falou: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13)´; quem não sabe o que é amor fica preso sem ao menos se dar conta daquilo que seu coração escolheu para servir. Quantas pessoas amam tanto o seu próprio trabalho que sacrificam tudo por uma promoção? Horas de lazer ou descanso, casamento, filhos, saúde pessoal…, nada importa mais do que o trabalho. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, quantas pessoas amam seus vícios nesta mesma proporção? Quantas amam seus bens? Amam, mas não admitem; são escravas, mas se sentem plenas no exercício do seu amor; esquecem que onde está o coração está também o “deus” a que se dedicam e se entregam.

Não existe amor verdadeiro sem dedicação e entrega. Afirmar que ama a Deus sem se dispor a cumprir os seus mandamentos é ser mentiroso e desonesto não só com o Senhor e seu reino, mas consigo mesmo. Engana-se aquele que pensa que amar a Deus é ter por ele somente algum sentimento. Não há pertencimento sem o devido comprometimento assim como não existe amor onde não há dedicação. Jesus disse aos seus discípulos que o amor que diziam devotar-lhe deveria ser acompanhado de obediência –  uma atitude concreta que revelaria a posse e engajamento; e isto nos leva a uma pergunta muito pessoal: realmente amamos a Jesus?

Um bom e abençoado dia. 

Rev. Joel