Reforma Protestante 504 anos

No dia 31 de outubro de 2021 completa 504 anos que a reforma protestante foi anunciada, nesta pastoral apresentaremos um panorama geral da teologia reformada. Antes da reforma dar início temos os pré-reformadores, eles deram origem e lideraram movimentos contra as práticas e ensinos contrário aos ensinos bíblicos. Antes da Reforma Protestante que começou a tomar forma a partir de 1517, quando o monge alemão Matinho Lutero fixou suas 95 teses na capela de Wittemberg.

Os pré-reformadores conhecidos no século 16 foram Wycliffe (1325-1384) e John Huss (1372-1415). John Wycliffe era um sacerdote na Inglaterra, professor na Universidade de Oxford, se levantou contra pontos centrais dos dogmas adotados pela Igreja Medieval. Ele protestou contra as irregularidades do clero, rejeitou os ensinos acerca da transubstanciação na Ceia do Senhor, do purgatório, do celibato e até das indulgências. Também pregou contra as superstições e sincretismos que inundavam a Igreja da época, como a fé em relíquias sagradas, peregrinações com propósitos místicos e veneração de santos. John Wycliffe foi muito perseguido por conta de suas ideias, mas acabou morrendo devido a uma enfermidade. Alguns anos depois de sua morte, John Wycliffe foi condenado como herege pela Igreja no Concílio de Constança. Seus restos mortais foram exumados e queimados, para que lhe fosse aplicada a sentença mesmo depois de morto. Os seguidores de John Wycliffe ficaram conhecidos como “Os Lolardos”, e valorizavam a Bíblia como regra de fé e pratica.

John Huss era um sacerdote na Boêmia, professor da Universidade de Praga, e foi muito influenciado pela obra de John Wycliffe. John Huss defendia que o cabeça da Igreja é Cristo e pregava que essa Igreja deveria ser mais e mais semelhante à Cristo. Além disso, entendia que as Escrituras possuem autoridade suprema, acima de tudo e todos. Ele acabou sendo condenado como herege pelo Concílio da Igreja e sentenciado à fogueira, onde morreu cantando salmos. Os seguidores do John Huss ficaram conhecidos na História de Igreja como Irmãos Boêmios, que se tornaram precursores de outro importante grupo protestante conhecido como Irmãos Morávios. Certamente os pré-reformadores foram homens levantados por Deus para protestar com coragem num período em que a Igreja havia se distanciado da verdade das Escrituras, e que acabaram contribuindo de forma muito importante para a Reforma Protestante no século 16.

A reforma protestante tem como seu ponto central a Escritura Sagrada, o apóstolo Paulo escreve sua segunda carta a Timóteo no terceiro capítulo e no décimo quarto versículo a décimo sétimo versículo a importância das escrituras, pois ela fora inspirada por Deus. A Sagrada Escritura contém a voz do Senhor, ela é boa para edificar, exortar, corrigir, educar na justiça e traz a salvação por intermédio de Cristo Jesus.

A Escritura Sagrada contém palavras de Salvação a Sã Doutrina, nós como servos dos Senhor somos chamados para sermos perfeitos e perfeitamente habilitados para toda boa obra. Jamais seremos perfeito, mas, se vivermos pela palavra e andarmos em Cristo Jesus, seremos santificados dia após dia e com toda alegria, aguardaremos o grande dia. Por isso devemos voltar-nos para Cristo e a Sagrada Escritura contem a vontade do Senhor e verdades sobre nosso salvador. Que Deus abençoe sua vida e que a maravilhosa graça e o irresistível chamado do Senhor esteja em você, em nós todos.

Que a Salvação em Cristo Jesus chegue até aos seus escolhidos através do verdadeiro evangelho encontrado na Sagrada Escritura.

Louvado Seja o Senhor nosso Salvador Cristo Jesus.

Rev. Cristiam Matos.

 

Reforma Protestante.

“…visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” – Rm 1.17

 

Este mês comemora-se a Reforma Protestante. De forma geral, a história registra que este foi um movimento religioso que fez separação entre a Igreja Católica e as que não se submetiam ao poder e controle do papado. Fala-se da sua importância como afeta somente ao ambiente teológico e eclesiástico, porém, pouco se fala sobre sua verdadeira influência no desenvolvimento das sociedades humanas. 

Para entender melhor é preciso rememorar um pouco da história daqueles dias, do que estava acontecendo no mundo chamado “cristão”. Historiadores chamam de “era das trevas” o período de 500 a 1500 d.C. – tempo este onde a igreja tornou-se a religião oficial, e ganhou “corpo” no mundo obtendo poder político e acumulando riquezas materiais. Os princípios básicos do cristianismo bíblico foram “acrescidos” por dogmas humanos voltados para o controle geral das pessoas e nações. O poder do papado entrou em declínio devido ao proceder mundano do clero culminando com a divisão do poder em três papas distintos e rivais liderando em lugares distintos (Urbano VI, Clemente VII e Bento XIII) de 1378 a 1417. Em oposição a esta situação vergonhosa surgiram movimentos protestantes nos séculos 14 e 15 cujos nomes mais proeminentes são: João Wicllif (1325-1384), João Huss (1372-1415) e Jerônimo Savanarola (1452-1498), conhecidos como pré-reformadores por criticarem abertamente as irregularidades e imoralidades do clero, condenar as superstições, peregrinações, veneração aos santos, celibato e a incentivar o estudo da Palavra de Deus pelo povo em geral. Por causa deste posicionamento foram perseguidos e martirizados. Deste movimento surgiram os biblicistas (humanistas que estudavam as escrituras). Este era o “pano de fundo” que acolheu os reformadores: um período conturbado por revoltas, guerras, epidemias e profunda necessidade de transformações sociais.

Martinho Lutero (1483-1546 – monge agostiniano e professor na Universidade de Wittemberg) ficou profundamente incomodado com a venda das indulgências (perdão papal para todos os tipos de pecados pessoais ou de entes já falecidos) e afixou suas 95 teses (temas para debate público) na porta da igreja do castelo. Considerado insurgente e herege pelo papado manteve-se firme em seus postulados (inclusive contra a “infalibilidade papal”) e por isto foi excomungado. Um de seus maiores legados foi a tradução da Bíblia para o vernáculo alemão – a primeira obra impressa de Gutenberg. Conflitos armados entre católicos e protestantes ocorreram em vários lugares, e teve fim quando o imperador alemão assinou o tratado de “paz de Augsburgo” reconhecendo a legalidade do luteranismo como religião oficial. Felipe Melanchton (1497-1560), auxiliar de Lutero, apresentou na ocasião a “confissão luterana” com 21 artigos indicando 7 erros da doutrina católica. 

Outro reformador de peso foi Ulrico Zwuinglio (1484-1513); trabalhou na Suíça e deu origem às igrejas reformadas, inclusive no sul da Alemanha promovendo mudanças mais radicais que os luteranos.

O grande reformador do século 16 foi, sem dúvida, João Calvino (1509-1564). Tornou Genebra o centro do protestantismo e preparou líderes para toda a Europa, os quais promoveram grandes mudanças políticas, religiosas e sociais seguindo o exemplo proposto pelo reformador. Seu grande legado foi o mais completo sistema teológico protestante que influenciou as igrejas reformadas da Europa continental e as presbiterianas nas ilhas britânicas. 

Na Escócia o protestantismo foi introduzido por João Knox (1515[?]-1572), e tornou-se a religião oficial em 1560; neste período seus manifestos sobre a fé reformada influenciaram tremendamente a política e a sociedade; sua liturgia de culto (Livro de Ordem Comum) estabelecia a centralidade da Palavra e os serviços religiosos somente na língua local; sua Constituição (Livro de Disciplina) contemplava tópicos sobre educação geral, auxílio aos pobres, idosos e doentes, e cooperação entre Igreja e Estado. 

Enganam-se aqueles que imaginam que a Reforma Protestante teve seu impacto apenas no âmbito religioso. Avanços sociais, cuidado efetivos e não paliativos com os necessitados, combate à imoralidade e a violência, guia para programas políticos e governamentais, valorização das ciências e das artes entre outros foram resultado direto do protestantismo no mundo. 

Mais do que nunca estamos necessitando de uma nova Reforma Protestante. Uma que surja da insatisfação com a situação política, social e religiosa, que aponte como solução definitiva os valores cristãos, que viva o cristianismo bíblico com santidade e piedade. Que esta reforma comece no meu e no seu coração.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel