Sofrimento e esquecimento.

Então, disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que ofereçais sacrifícios ao SENHOR, vosso Deus, no deserto; somente que, saindo, não vades muito longe; orai também por mim. ” – Ex 8.28

 

Creio ser de conhecimento comum as dez pragas do Egito. Histórias infantis, filmes, pregações, enfim, seja qual for o meio usado e independentemente se foram fiéis ou “mais ou menos”, o fato é que as dez pragas ficaram conhecidas por causa do coração endurecido do faraó (morador da casa grande considerado semi-deus e governador do Egito). Esta história real nos leva a algumas considerações: Quantas vezes Deus precisa mostrar o seu poder para que alguém faça a sua vontade? Quantas vezes Deus age sobrenaturalmente e as pessoas não entendem que é Deus agindo? 

Não existe a menor dúvida que cada uma das pragas trouxe muito sofrimento aos habitantes do Egito e seu rei. A primeira foi a transformação da água potável em sangue (Ex 7.19), porém os magos do Faraó fizeram um milagre semelhante e isto sequer foi levado em consideração como um milagre ou ameaça ao reino (Ex 7.23). A segunda foi o surgimento de um número tal de rãs que estas entrariam nas casas, subiriam nas camas, dentro dos fornos e nos lugares de fazer pão (Ex 8.3). Certamente este era um grande inconveniente, mas Faraó não se abalou porque seus magos fizeram o mesmo com suas ciências ocultas (Ex 8.7). Porém, fazer aparecer mais era uma coisa, mas livrar-se de todas eram outros quinhentos… Faraó pediu para que Moisés e Arão intercedessem pelo Faraó e os egípcios e, se fossem atendidos, deixaria os judeus irem adorar a Deus no deserto (Ex 8.8). As rãs morreram, houve alívio na terra, e Faraó endureceu seu coração mais uma vez. Enfim, a cada praga dada uma nova promessa de libertação era feita e depois não era cumprida. Criou-se aqui um ciclo vicioso onde as intervenções miraculosas de Deus só eram entendidas no meio do sofrimento, e cessando a praga vinha o alívio da dor e o esquecimento de cumprir as promessas feitas. 

É significativo que Faraó, no momento da aflição solicitasse as orações de Moisés e Arão apesar de não acreditar no Deus Todo Poderoso.  Era uma incoerência sem limites, mas esta mesma atitude é comum em nossos dias entre aqueles que sofrem, pois não importa quem vai fazer as orações ou onde elas serão feitas porque absolutamente nenhuma oração é rejeitada, apesar de perseguirem aqueles que não possuem a mesma fé (Ex 8.26 – leia porque é importante).

Faraó e os egípcios, mesmo presenciando as intervenções divinas, não se dobraram ao Senhor. Suas mentes estavam entorpecidas com seus deuses e seus rituais, e jamais reconheceriam que o Deus dos hebreus era maior que os deles ou ainda que era o único Senhor verdadeiro. 

O sofrimento pode afetar o juízo e a fé; pode fazer concessões pequenas e imediatas devido a dor e o sofrimento, mas não produzem transformações efetivas no coração e no espírito. Finda a dor vem o esquecimento do que Deus fez e faz, e tudo volta ao “normal”. 

Quero levantar algumas questões para que você possa pensar: 1) Você ora somente quando está sofrendo ou quando seus queridos passam por aflições? 2) Você aceita oração de qualquer pessoa mesmo sabendo que não acreditam em Jesus Cristo? 3) Quando o milagre acontece ou a resposta de oração chega, você tem a capacidade de se lembrar dos seus compromissos assumidos? 

Cuide para que seu coração não se endureça diante do Senhor.

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel