Insatisfação conjugal

Pastoral (15)

Porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade” – Jo 4.18

 

Casamento é uma instituição divina. No livro de Gênesis encontramos a criação do homem feito do pó do barro, e depois a criação da mulher feita da costela do homem (por isto a raça humana compartilha de um mesmo DNA). Feita a mulher, Deus a entregou ao homem para que fosse sua auxiliadora idônea, isto é, capaz de ajudá-lo em todas as tarefas que eram necessárias para a manutenção do Jardim do Édem. 

Do advento do pecado surge a dureza de coração, e o casamento tornou-se um desafio a ser vencido. Casamento não é um jogo de xadrez onde o objetivo é derrotar o oponente, mas um jogo de “embaixadinhas” cujo objetivo é manter a bola no ar e, para isto, é necessária uma sincronia e esforço conjunto. 

O divórcio não é do agrado de Deus (Ml 2.16 – repúdio aqui é sinônimo de divórcio), mas foi permitido por causa da dureza de coração (Mt 10.4-9 – confira!). Jesus só admitia o divórcio em caso de adultério (Mt 5.31-32). 

Não quero entrar nas minúcias do divórcio, mas abordar o propósito do novo casamento. A pergunta é: Se não deu certo da primeira vez, porque tentar de novo?

Tudo está na observação do Senhor antes, quando o homem estava só. Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só” e disto infere-se que a solidão não é algo bom. Há um desejo entranhado em estar ao lado de outra pessoa, de compartilhar com ela venturas e desventuras, de crescer e envelhecer juntas, de contribuírem uma com a outra a fim de se tornarem pessoas melhores. A tentativa do novo casamento não é só para suprir esta carência, mas e também a oportunidade para corrigir os erros anteriores que ocasionaram à separação. Quem casa pela segunda vez tem sempre a esperança de que desta vez será melhor e mais duradoura.

A mulher samaritana teve cinco matrimônios. Ela devia ter seus encantos para conseguir este feito, mas também devia ter seus defeitos para não manter nenhum deles. Agora ela estava numa “relação estável” – que não era considerada como casamento de fato. Seu cônjuge era o que muitos chamam de “namorido” – metade namorado, metade marido. 

Nestes meus muitos anos de pastorado vi que não há vantagem em trocar de cônjuge (até mesmo porque dizem que homem é tudo igual…). O que efetivamente aprendi é que devemos cuidar muito bem da pessoa que desejou e se empenha para estar ao nosso lado, com amor, respeito e valorização para que o casamento melhore dia a dia. É nesta caminhada que os dons espirituais são necessários (amor, paz, longanimidade, bondade, etc.) tanto para a edificação espiritual do cônjuge quanto a nossa própria. Corações duros tendem a provocar dor e separação e, por isto, cada um deve cuidar do seu próprio coração para que não  endureça. A solução está em ser maleável e disposto ao diálogo, a encontrar os pontos de convergência ao invés dos que divergem. Jesus sabia que aquela mulher passou e passava no matrimônio, e o fato dele revelar-lhe sua condição conjugal em nada a tornava mais aceitável, tolerável ou menos dolorosa.

O mundo espelha-se na mulher samaritana e diz: “Este é o modelo ideal, se você não é feliz, siga em frente!” “A fila anda!”. “Vai na fé que no próximo dá certo!”. Já o Senhor diz que casamento não é para “ser feliz”, mas para fazer o outro “feliz”, pois na saciedade dele está sua recompensa e alegria. 

Se você ainda não casou, leve esta mensagem em consideração; se você é casado, honre seu matrimônio fazendo a parte que lhe cabe com alegria e fé; se você tem problemas de relacionamento, ouça a instrução que vem da Palavra de Deus e não o que o mundo está “gritando” aos quatro ventos. 

Casamento é instituição de Deus, o resto é permissão que levará ao sofrimento e dor. 

Um bom e abençoado dia!

Rev. Joel.

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