Igreja Presbiteriana de Joinville – Entre avanços e retrocessos

No dia 30 de agosto comemoramos 84 anos de organização desta igreja. 

Tudo começou com a chegada do Presb. Fernando Nunes Santana e família em 1921. Foi na casa dele que as primeiras reuniões de estudos bíblicos e orações iniciaram. Eles abriram as portas de seu lar e acolheram as primeiras que o Senhor escolheu: João Bernardino da Silveira e José Marcos de Freitas, com suas respectivas famílias; e assim surgiu a Escola Bíblica Dominical para crianças e também os cultos regulares. 

Em 30 de abril de 1923 cresceram o suficiente para sair da condição de “ponto de pregação” para “Congregação Presbiterial” organizada pelo então Presbitério do Sul.

O primeiro pastor a atender este novo campo foi o Rev. Palmiro Rugeri, que o fez em dois períodos distintos – 1923-1924 e 1928-1937, perfazendo 9 anos de cuidado pastoral. É bem verdade que missionários americanos visitaram o trabalho antes disto: Roberto Frederico Lenington, George Landes Bieckerstapf, e A.C. Conrad. Além destes, pastoreou esta congregação, por breve período, o Rev. Harold Cook. Além disto, esta florescente comunidade presbiteriana contou com a visita dos Revs: Antônio Marques da Fonseca Júnior, Agenor Mafra, Parísio Cidade, Floyd Soevering, Martinho Rickli e Adolfo Anders.

Em 30 de agosto de 1937 o Presbitério organizou a congregação em igreja, onde foram eleitos os primeiros oficiais: Fernando Nunes Santana e João Bernardino da Silveira, e diáconos os irmãos José Marcos de Freitas e Raulino Torrens. Naquele momento a igreja possuía 49 membros comungantes, 47 não comungantes e 76 alunos matriculados na Escola Dominical. O primeiro pastor efetivo foi o Rev. Adolfo Anders.

11 anos depois (1948), sem apresentar nenhum crescimento significativo (contava com 43 comungantes e 64 não comungantes), a igreja retornou à condição de Congregação Presbiterial por não ter condições em manter suas obrigações eclesiásticas. Somente em 31 de maio de 1953 a Congregação foi reorganizada em igreja com tímido rol de membros composto por 32 comungantes e 31 não comungantes.

De 1953 para nossos a igreja vem se esforçando para crescer e se firmar como uma igreja sólida, capaz de manter-se e ajudar outras a se estabilizarem. Pela graça de Deus substituímos o templo antigo – menor e com problemas estruturais – para o que hoje utilizamos. Nosso Conselho é formado por homens de Deus, capacitados pelo Espírito, servos de Jesus Cristo, dispostos a trabalhar com amor e alegria pelo reino. 

Quanto ao crescimento, internamente contamos com 199 comungantes e 50 não comungantes; quanto ao crescimento do presbiterianismo na cidade, somos três igrejas (Central, Antioquia e Jardim das Oliveiras) e uma congregação (Vila Nova). Ver estes números nos faz corar de vergonha. Joinville certamente possui mais de 700 mil habitantes, e não somos 500 presbiterianos nesta cidade. 

Precisamos mudar esta realidade. Está na hora de reunirmos forças e recursos humanos e financeiros para abrir novos pontos de pregação e congregações, e confiarmos na bondosa mão do Senhor que há de nos sustentar e acrescentar, dia a dia, os que serão salvos (At 2.47). Vamos abrir a porta dos nossos lares e corações para abrigar pequenos grupos de estudo, verdadeiros núcleos que poderão se tornar em congregações num futuro próximo e mais tarde em igrejas organizadas. Quem sabe alguém não vai contar a história da igreja que começou em seu lar…

Que o Todo Poderoso abençoe ricamente a sua vida.

Rev. Joel Lemes

 

A Reforma Protestante e a Inquisição

O século XVI estava em plena ebulição; por toda a parte se viam avanços impressionantes nas artes, na cultura, filosofia, política, sociedade e até mesmo na religião; havia um movimento significativo de transição entre o feudalismo para o capitalismo. Com a crescente racionalização das ciências, o dogmatismo religioso e os misticismos perdiam sua influência para o humanismo – onde tudo passou a girar em torno do homem e seu bem estar.

No entanto, nem tudo era fácil; tribunais religiosos católicos persistiam em ser um instrumento para subjugar não-cristãos e aqueles que eram considerados hereges. As penas impostas pelos juízes eclesiásticos variavam de sequestro dos bens, perda temporária da liberdade e, às vezes, pena de morte. Um dado importante é que estes juízes não aplicavam as penalidades, e sim os magistrados e autoridades civis, cujas práticas jurídicas e executivas se assemelhavam em muito às penalidades impostas aos criminosos e libertinos.

Os reformados também tinham seus tribunais eclesiásticos, e também aplicavam sentenças de suplício físico e morte. Geralmente tinham como réus os anabatistas (re-batizadores, ala radical da reforma protestante que acreditava ser válido somente o batismo em fase adulta, e por isto rebatizava tanto os conversos do catolicismo quanto os anglicanos, luteranos e reformados em geral), os supostos praticantes de bruxaria, e os sodomitas. Um dos mais famosos casos de pena capital promulgada por um tribunal eclesiástico e cumprida por magistrados civis foi o de Miguel Serveto (1511-1553). Médico, advogado e teólogo, foi condenado por suas proposições feitas sobre a trindade, as quais desagradaram tanto aos católicos quanto aos reformados. Foi preso e sentenciado em Genebra, e o próprio Calvino aprovou sua morte. Digno de nota é que Calvino pediu ao Conselho da Cidade de Genebra uma morte mais humanitária, mas não foi atendido (para maiores informações acesse aqui.

Hoje presenciamos o ressurgimento das inquisições, agora por parte de não-cristãos. Pessoas tem sido executadas por motivos de fé. Minha oração e para que estes tempos de intolerância religiosa, de perseguição e morte por radicalismo de fé sejam erradicados do mundo, apesar dos exemplos do passado e do presente. Não podemos aceitar a heresia, nem tampouco compactuar com suas obras, mas devemos confiar tais pessoas ao juízo eterno de Deus, pois somente ele é justo.

Uma boa e abençoada semana!
Rev. Joel