As pisaduras de Cristo.

Pastoral (3)

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” – Is 53.5. 

Quando você lê este texto, o que lhe vem à mente? 

A imagem que possuo de minha infância até a adolescência remete-me ao crucifixo preso atrás do altar católico. Ali vi um Cristo com uma coroa de espinhos, onde da fronte ferida brotavam algumas gotas de sangue; em suas mãos e pés traspassados também havia um pouco de sangue e, por último, um pequeno ferimento logo abaixo das costelas. Enfim, nada que chamasse minha atenção para a intensidade de seu real sofrimento. Nesta época imaginava que o sofrimento estava na crucificação, nos cravos que prenderam Jesus à cruz. Quanta dor Jesus não suportou ao sentir suas mãos e pés traspassados! 

Quando por sua imensa graça Jesus me salvou, tive uma nova visão a respeito do sofrimento do Messias e, consequentemente, das suas pisaduras (manchas decorrentes de um machucado, hematoma). Lendo os evangelhos com a avidez típica de um novo convertido, vi Jesus ser esbofeteado e esmurrado por integrantes do sinédrio, maniatado, levado aos romanos, fustigado com varas, castigado severamente com o látego que lacerou seu dorso; por fim, imaginei as feridas nos ombros, próprias de quem carregou uma tosca cruz, e joelhos esfolados pelas quedas sob tão grande peso. Exaurido em suas forças, com sulcos profundos de onde brotava sangue com alguma profusão, vi um Cristo onde a cruz foi apenas mais um “requinte” de crueldade, a qual tornou-se uma amiga para por fim a tanto sofrimento que deveria durar muito mais. Por isto Pilatos ficou admirado quando Jesus, ao fim do dia, já estava morto (Mc 15.44).  

Jesus sofreu por amor. Amor a Deus e amor ao próximo. Desta forma cumpriu cabalmente os mandamentos e serviu de exemplo para que pudéssemos aprender com seu martírio. Jesus sofreu porque aceitou humildemente o que lhe estava proposto desde a eternidade. Foi uma escolha voluntária, pessoal e intransferível. Ele preferiu obedecer, desejou fazer a vontade do Pai, realizou plenamente sua obra vicária como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Derramou sua alma diante do Pai e derramou seu sangue – todo – para que nós pudéssemos alcançar a salvação. 

Qual a importância que você dá ao sofrimento de Cristo? Que relação você tem com as pisaduras de Jesus? Pense sobre isto e responda diretamente ao Senhor.

Uma boa e abençoada semana!

 

Rev. Joel

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