Adoração ao Senhor – João 4.23-24

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Durante um período de crescente perseguição contra os cristãos, de crescente apostasia e disputas sobre a natureza de Jesus Cristo, o Apóstolo João registrou seu testemunho do Salvador. Por meio do ministério de Seu Filho, Jesus Cristo, conheceremos o Pai Celestial.

O relato de João ensina que aqueles que vivem de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo, receberam a maior bênção que pode existir, a vida eterna.

Não sabemos exatamente quando João escreveu esse livro. Estima-se que tenha sido escrito entre 60 d.C. e 100 d.C . Os antigos escritores cristãos do segundo século d.C. presumiram que João escreveu esse livro em Efésios na Ásia Menor, hoje a conhecemos como a Turquia.

Este livro fora escrito especificamente para os santos, ou seja, os cristãos. Ao dizer que a hora já chegou, João põe um fim às cerimônias com sacrifícios e declara que o tempo de reforma mencionado pelo apóstolo em Hebreus 9.10, já se cumpriu.

O templo, o sacerdócio e todas as cerimônias estão voltadas para louvar a Jesus Cristo, nosso Senhor. Com a morte de Jesus, o cordeiro perfeito, o sangue dEle nos purificou, foi derramado em favor de muitos. Não precisa de rituais, sacrifícios, ou qualquer outra coisa, pois Ele cumpriu cabalmente as exigências do Pai.

Deus não escolhe ser cultuado ou em Jerusalém, nos altares voltados para sacrifício, ou no monte Gerizim. O culto verdadeiro ao Senhor, consiste no espírito, cultua-lo em Verdade, na Verdade, pela Verdade. O tempo de adoração a Jesus Cristo já chegou, é agora, neste instante. O desejo de adorá-lo, com leitura da palavra, cânticos, orações é agora. Isso que mantem um cristão nos caminhos do Senhor.

Mas por que, e em que caso, o culto divino é chamado de espiritual?

O culto divino consiste no espírito porque ele nada mais é, do que a fé interior do coração que produz a oração, e em seguida a pureza da consciência e da renúncia, para que possamos ser dedicados à obediência a Deus como santos sacrifícios.

João relembra como os judeus adoravam ao Senhor, sob a lei. Deus é imutável, ele não aprovou desde o princípio do mundo qualquer outro culto além daquele que é espiritual e que se harmoniza com sua própria natureza.

O próprio Moisés, que declara em muitas passagens que a lei não tem outro objetivo senão que o povo se una a Deus com fé e uma consciência pura.

Os profetas quando atacam com severidade a hipocrisia do povo, porque pensavam que satisfaziam a Deus quando realizavam os sacrifícios e faziam uma exibição externa.

O culto divino sob a lei era espiritual, mas, estava envolvido por muitas cerimônias externas, que se assemelhavam a algo carnal e terreno. Por essa razão, Paulo chama as cerimônias carne e os elementos desprezíveis do mundo, conforme registro em Gálatas 4.9.

O autor da Epístola aos Hebreus diz que o santuário antigo, com seus acessórios, era terreno, registrado em Hebreus 9.1. Assim podemos com justiça dizer que o culto da lei era espiritual em sua substância, mas, com respeito a sua forma, era algo terreno e carnal.

Os judeus tinham muitas coisas em comum conosco, Deus, sempre quis ser cultuado pela fé, pela oração e pelas ações de graças, pureza de coração e inocência de vida.

Sob a lei, havia várias adições, de modo que o espírito e a verdade estavam obscurecidos, ocultos sob formas e sombras, enquanto que agora, que o véu do templo foi rasgado, nada está oculto nem obscuro.

Cristo aqui estabelece uma distinção óbvia entre nós e os judeus. Sejam quais forem os subterfúgios pelos quais os cristãos tentam escapar, é evidente que diferimos dos pais em nada mais do que na forma externa, porque, enquanto adoravam a Deus espiritualmente, eram obrigados a efetuar cerimônias que foram abolidas pela vinda de Cristo. Assim, todos quantos oprimem a Igreja com uma excessiva multidão de cerimônias, fazem o que está em seu poder com o intuito de privar a Igreja da presença de Cristo.

O culto não precisa de elementos que confundam a adoração ao Senhor, mas precisa, de Cristo para ser adorado. Todo o culto é voltado para a glória do Senhor, apontando nossa gratidão ao único que é digno de toda honra glória e louvor.

O espírito estava oculto pelas sombras da lei, não devemos fechar os olhos para corrupções tão grosseiras e deprimentes, não devemos ocultar a graça de Jesus Cristo, para atrair adoradores, pois a plenitude de alegria e regozijo encontramos no Senhor. Não se pode deixar que a norma estabelecida por Cristo seja violada.

Cristo reprova a obstinação de muitos, os judeus quando o evangelho se manifestou, pondo-se em defesa das cerimônias a que tanto se acostumaram, sabendo que o mundo jamais seria inteiramente livre das superstições, Ele, separa os adoradores devotos e íntegros, dos que eram falsos e hipócritas.

Os verdadeiros adoradores, adoraram a Deus em espírito e em verdade transparece claramente à luz do que já ficou expresso. Significa abandonar os emaranhamentos das antigas cerimônias e reter simplesmente o que é espiritual no culto divino, pois a verdade do culto divino consiste no espírito, e as cerimônias não passam de certo tipo de acessório.

Observe que verdade não é comparada com falsidade, mas com adição externa das figuras da lei, de modo que, para usar uma expressão comum, ela é a substância pura e simples do culto espiritual.

O culto ao Senhor é voltado apenas para a adoração a Jesus Cristo, ao nosso Salvador, não precisa de elementos estranhos, a não ser a adoração verdadeira e única, ao Salvador.

O culto divino, deve ser suficiente para restringir a libertinagem de nossa mente, ou seja, que Deus está tão longe ser como nós, que essas coisas que nos agradam tanto são objetos de sua repugnância e abominação. O risco de cegar-se é que seremos levados a soberba, neste sentido, não temeremos sujeitar Deus a nossa opinião, ou melhor, aos nossos desejos ilícitos. Assim não o adoraremos em espírito e em verdade, mas, seremos levados ao que é agradável segundo a carne.

Lembremo-nos de que devemos buscar em sua Palavra, pela qual somos governados. Cristo simplesmente declara aqui que seu Pai é de uma natureza espiritual, e por isso não se deixa mover por questões frívolas, como os homens, pela leviandade e instabilidade de seu caráter, costumam fazer.

Somos chamados para adorá-lo em espírito e em verdade, dedicar-nos ao Senhor. O culto deve voltar-se para o Senhor, agradar, adorar, glorificar, somente a Jesus Cristo. O culto não deve ser condicionando ao desejo de agradar aos ouvidos, mas, unicamente a Jesus Cristo.

A luz desta pastoral faremos três aplicações em nossas vidas.

  1. Sabemos que no período em que foi escrito este texto, era um momento de grande apostasia, perseguição aos cristãos. Existia templos que preservavam costumes, tradições, mas não estavam centrados em Jesus Cristo. Neste sentido o culto não precisa de elementos, nem de ser engessado. Mas precisa ser totalmente voltado para adoração a Cristo.
  2. Entendemos que tudo o que obscurece a Cristo Jesus, oculta a sua divindade, sua natureza, está longe de ser um culto em adoração Senhor. O culto não pode conter elementos de satisfação pessoal, mas precisa conter o desejo de olhar para Cristo. Cultuar a Jesus Cristo é voltar-se para Ele. O culto é para sua glória e não precisa de elementos sacrificatório.
  3. O que devemos fazer, ao saber que já chegou o momento de adorar a Deus, em espírito e em verdade, que os verdadeiros adoradores o adorarão em espírito e em verdade, pois assim é esses que o Pai quer que o adorem. Oremos, ao Senhor, para que sejamos verdadeiros adoradores, para a glória de seu Santo Nome.

 

Rev. Cristiam Matos

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