A história da religião e seu legado não aprendido.

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Hoje 31 de outubro é dia em que comemoramos a reforma protestante. Ela não começou da noite para o dia. A história da igreja revela o contexto que dá origem, que deflagra e que aponta os resultados obtidos. Tudo começa no nascimento da igreja como instituição organizada, quando efetivamente foi reconhecida como religião oficial do império romano, o que ocorreu no dia 27 de fevereiro de 380 d.C por decreto do imperador bizantino Teodósio 1º (347-395). Este decreto não somente reconhecia a fé cristã como determinava a perseguição àqueles que não aderissem à nova religião. O texto do decreto “Cunctos populous” diz: “”Todos os povos sobre os quais exercemos regência bondosa e moderada devem (…) converter-se à religião comunicada aos romanos pelo divino apóstolo Pedro (…) e claramente professada pelo pontífice Damásio, como também pelo bispo Pedro de Alexandria (…). Isto significa que nós, segundo a indicação apostólica e a doutrina evangélica, cremos numa divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em igual majestade e em santa trindade. Apenas aqueles que obedecem a esta lei poderão (…) chamar-se cristãos católicos. Os demais, que declaramos verdadeiramente tolos e loucos, carregarão a vergonha de uma seita herética. Tampouco poderão ser chamados igrejas seus locais de reunião. Por fim, que os persiga primeiramente o castigo divino, porém depois também nossa justiça punitiva, a nós outorgada por sentença celestial”. De forma geral, isto pode ser resumido no fato de que o perseguido se tornou perseguidor. Outras religiões foram consideradas inimigas da fé; templos e objetos de cultos por elas usados foram destruídos publicamente; sacerdotes e sacerdotisas foram condenados à morte. Foram tempos de radicalismos e extremismos.
A igreja cristã – chamada de católica porque designava a abrangência do império, portanto “universal” – assimilou bem o gosto pelo poder e pela opulência. Estado e Religião deram-se as mãos para construir um mundo onde uns poucos eram privilegiados em detrimento de muitos. É inegável que a igreja ajudou os pobres dando-lhes o pão, mas também é inegável que perseguiu até a morte aqueles que ousaram criticá-la.
Como Jesus bem disse, “nem só de pão vive o homem”. As pessoas estavam sedentas pelo verdadeiro evangelho – aquele que emana da Palavra do Senhor – e não aguentavam mais as ladainhas e doutrinas de homens propaladas pelos clérigos em busca de bens materiais em troca de benesses na vida eterna. Surgiram homens corajosos que se levantaram contra estas heresias e contra a má conduta do clero em geral. Pedro Valdo (1140-1218), João Wicliff (1320-1384), João Huss (1369-1415), Gerônimo Savanarola ( 21/09/1452 – 23/05/1498), Willian Tyndale (1494-1536) e tantos outros deram suas vidas para combater àquilo que a Igreja Cristã havia se tornado; e a Igreja os sentenciou com mortes cruéis: queimados vivos em fogueiras, esquartejamento entre outras; isto depois de processos duvidosos onde lhes foi negado o direito à defesa. Esta é uma face triste que o cristianismo apresenta para a história da humanidade, principalmente porque supostamente tudo foi realizado em nome de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Para cessar com tudo isto é que veio ao lume a Reforma Protestante, este divisor de águas em tempos de cegueira espiritual que deu uma nova esperança para a humanidade.
Mais uma vez estamos presenciando violências terríveis acontecendo sob a égide de uma religião que está crescendo e tomando conta das nações. Radicalismo, extremismo ou quaisquer outros adjetivos são insuficientes para definir o desprezo que estes fanáticos tem pela vida alheia, que descarregam seu ódio sobre aqueles que não podem se defender e que nem mesmo são culpados pelos atos que julgam ofensivos, pois outros os cometeram. Homens e mulheres, em nome da sua religião e seu “deus” se auto-proclamam executores e usam qualquer arma que tenham às mãos, seja branca ou de fogo (inclusive explosivos). Provocam a indignação das nações, exaltam ânimos, conseguem irritar e extrair palavras duras de líderes mundiais; porém, quem sofre de fato são os “inocentes” que escolheram para sacrificar com a intenção de mobilizar as massas e desestabilizar governos. Que tempos horríveis estamos vivendo! Que triste ver que a humanidade não aprendeu nada com seus erros históricos! No passado a Reforma Protestante foi a resposta usada por Deus; e agora? O que será?
Que Deus tenha piedade do seu povo escolhido e que Cristo volte logo; enquanto isto não acontece vivamos de forma digna do evangelho.
Um bom e abençoado dia!
Rev. Joel

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